"Justify My Love" é uma canção da cantora estadunidense Madonna, encontrada em sua primeira compilação, The Immaculate Collection (1990). Foi escrita por Lenny Kravitz e coescrita por Ingrid Chavez e a própria intérprete, Chávez não foi creditada na música, o que levou a uma ação contra Kravitz. Chávez se estabeleceu fora dos tribunais, cujos termos incluíam crédito para composição. Os vocais de Madonna são principalmente falados e sussurrados, mas quase nunca cantados, um estilo que ela mais tarde empregou em seu álbum de estúdio seguinte, Erotica (1992).
"Justify My Love" foi lançada como primeiro single do álbum em 6 de novembro de 1990 pela Sire Records. Musicalmente, é uma música de trip hop, com configurações e instrumentação em tempo médio. As letras da música são principalmente sobre sexo e romance "Justify My Love" recebeu críticas mistas de críticos mais velhos, mas foi muito apreciado por muitos críticos contemporâneos, destacando-o como uma das melhores músicas de Madonna até hoje. A música se tornou o nono single número um de Madonna na Billboard Hot 100, alcançando o Top 10 em vários países, incluindo Austrália, Canadá, Finlândia, Nova Zelândia, Itália, Suíça e Reino Unido.
O videoclipe da faixam apresentava Madonna como uma mulher andando no corredor de um hotel, parecendo angustiada e cansada do trabalho, até ser seduzida a fazer sexo com um misterioso homem e mulher. Causou polêmica em todo o mundo, devido às suas imagens sexuais explícitas, e foi posteriormente banido da MTV e de outras redes de TV. O vídeo, que continha imagens de sadomasoquismo, voyeurismo, e androginia, estreou na televisão dos EUA em 3 de dezembro de 1990 na ABC, durante seu programa noturno Nightline. A música fez parte do setlist de quatro de suas turnês, sendo a mais recente a turnê The Celebration Tour, de 2024, que comemora os 40 anos de carreira da cantora.
Antecedentes e lançamento thumb|left|upright|Madonna na Blond Ambition World Tour (1990), última atividade pré-lançamento de The Immaculate Collection. Madonna encerrou a década de 1980 como a cantora com mais singles de sucesso na história, acumulando a maior quantidade de músicas nas dez primeiras posições tanto nos Estados Unidos como no Reino Unido. Em 1990, após encerrar a turnê Blond Ambition World Tour, ela decidiu fazer um balanço de sua carreira e notou que contava com um "catálogo incrível de sucessos", o que a fez optar por encerrar seus dez anos na indústria lançando sua primeira coletânea de grandes sucessos, pensada especialmente para a temporada natalina. Segundo o biógrafo Mark Bego, a intérprete "estava decidida a dar tudo de si" com este novo projeto, enquanto a historiadora Mary Gabriel sinalizou que, em todos os sentidos, o ano de 1990 "parecia o fim de uma era e o começo de uma nova". J. Randy Taraborrelli, autor de Madonna: An Intimate Biography, observou que o lançamento era "muito mais do que uma mera coleção das canções mais vendidas e populares de Madonna" e que uma coleção de sucessos era adequada àquela altura, servindo como uma "marca orgulhosa" de sua carreira, em constante ascensão desde o seu álbum de estreia, em 1983.
Em 13 de outubro de 1990, a revista Billboard confirmou que a artista estava trabalhando em material novo para o projeto com Shep Pettibone e o cantor Lenny Kravitz. Uma vez que o público de Madonna já possuía as canções inclusas na coleção, ela buscou dar um estímulo aos fãs, que desejavam escutar "algo novo e fresco". Com este propósito, além de gerar interesse do grande público pelo trabalho, gravou duas canções inéditas, consideradas por David Sinclair, do The Times, "bastante afastadas do material alegre que a levou ao estrelado". O produto final, The Immaculate Collection, contou com 15 dos mais famosos singles de Madonna, acrescido de duas novas faixas: "Justify My Love" e "Rescue Me".
"Justify My Love" foi lançada em 6 de novembro de 1990 como o primeiro single de The Immaculate Collection, seguida de uma distribuição no Reino Unido em 1º de dezembro e no Japão no dia 10. A capa do single, fotografada por Patrick Demarchelier e dirigida por Jeri Heiden, apresenta uma pose de Madonna olhando agressivamente para a frente usando um colete, com os cabelos cobertos por um chapéu preto, e um cigarro na boca. Carol Clerk, autora de Madonnastyle, opinou que esta "foi uma pose particularmente masculina; Madonna, por vezes, poderia parecer tão durona como qualquer outro homem". A foto havia aparecido previamente na capa de uma edição da revista Interview, para a qual a cantora concedeu uma entrevista, e foi removida do lançamento da canção na França. "Justify My Love" fez parte também da terceira coletânea de sucessos de Madonna, Celebration, e em versão remixada em Finally Enough Love: 50 Number Ones (2022).
Desenvolvimento thumb|right|upright|"Justify My Love" foi cocomposta e coproduzida por Lenny Kravitz (imagem); ele eventualmente foi alvo de dois processos. Lenny Kravitz comentou que ele estava trabalhando em algumas demos, quando concebeu a de "Justify My Love". De início, ele a considerou "super sensual e forte ao mesmo tempo. Eu senti. Eu sabia que tinha algo muito especial sobre a música e a qualidade mínima, porque era mínima. Apenas uma intuição". No entanto, ele sabia "que não era para mim", mas achou perfeita para Madonna, telefonando-a em seguida dizendo que tinha um sucesso reservado para ela. No mesmo dia, eles se encontraram em Nova Iorque, onde Kravitz lhe apresentou a demo; após escutar a faixa várias vezes, ela concordou em gravar, e eles começaram a trabalhar nela no dia seguinte. O músico descreveu que a sessão tinha "só nos dois e meus engenheiros, e aconteceu em um dia. Foi bem rápida", acrescentando que foi divertida e autêntica. "Justify My Love" foi gravada nos Unique Recording Studios em Nova Iorque e Waterfront Studios em Londres, sob a supervisão de Henry Hirsch, David Domanich, Andy Cardenas e Josh Cuervokas. A masterização foi feita por Ted Jensen nos Sterling Sound em Nova Iorque, enquanto a mixagem ficou a cargo e Shep Pettibone e Goh Hotoda nos Guerilla Studios em Londres. Este último processo foi feito com o uso do QSound, uma tecnologia nova para época, empregada para criar um efeito sonoro tridimensional — aplicada, também, em todas as outras canções de The Immaculate Collection.
"Justify My Love" foi escrita pela cantora e compositora Ingrid Chavez como uma carta de amor dedicada a Kravitz, com quem ela estava se relacionando na época. Ele a convidou para um estúdio onde estava produzindo canções com André Betts, e gravou a carta em apenas uma tomada. Kravitz levou uma cópia master da canção para a Virgin Records, já que a relação dele com Chavez terminou pouco tempo depois. Passados alguns meses, ele disse a Chavez que "Justify My Love" seria lançada por Madonna e a pediu para assinar um documento constando que receberia 12,5% dos royalties de publicação, mas nenhum crédito como compositora. Ela assinou e então encontrou Madonna no estúdio enquanto a faixa era mixada, e ficou impressionada com os vocais idênticos ao da versão demo; Chavez pensou que "talvez ela não quisesse que outra mulher recebesse créditos pelo estilo criativo dos vocais".
Após o lançamento da música, Chavez entrou com um processo contra Kravitz e Madonna, argumentando que ele escreveu somente "justify my love" e que Madonna mudou uma linha. Foi divulgado também que ela recebeu apenas 500 dólares de adiantamento após Kravitz pressioná-la a assinar o documento cedendo os créditos e três quartos dos royalties. Ele admitiu que Chavez havia sim escrito parte das letras, mas que ambos concordaram em não creditá-la por motivos pessoais e profissionais, e acusou-a de tentar "parecer que fez tudo" com o sucesso da faixa. Chavez respondeu dizendo que o motivo de não ter recebido os créditos foi porque ele estava receoso de que sua mulher pensasse que eles estavam tendo um caso. Eles chegaram a um acordo fora dos tribunais no qual ela recebeu 12,5% dos royalties e o nome nas prensagens seguintes; entretanto, seu nome não apareceu em nenhuma compilação contendo a canção. Betts também processou Kravitz, afirmando que lhe foi prometido o crédito como coprodutor e metade dos royalties de produção, mas que recebeu apenas um crédito como produtor associado e não foi pago pelo trabalho.
Composição Com duração de 4 minutos e 57 segundos (4:57), "Justify My Love" é uma canção derivada dos gêneros trip hop, hip hop, dance e pop experimental, apresentando vocais em spoken word de Madonna e "gemidos" de Kravitz nos vocais de apoio. A faixa apresenta uma demonstração da bateria de "Security of the First Word" (1988), do grupo Public Enemy, inicialmente utilizada sem consentimento, o que causou eles ameaçarem processar ambos cantores; membros da indústria musical apontaram que a batida da bateria foi retirada de "Funky Drummer" (1970), de James Brown, o que foi negado pelo produtor do grupo, Hank Shocklee. A porta-voz de Madonna disse que a artista nunca ouviu a canção e "não compôs a melodia" de "Justify My Love", enquanto Kravitz negou as acusações dizendo: "É apenas uma dessas batidas que você acha por aí".
De acordo com a partitura publicada no Musicnotes.com pela Alfred Publishing Company, "Justify My Love" foi composta no tom de si menor e definida no tempo comum, com um andamento moderado de 132 batidas por minuto. Os vocais de Madonna abrangem-se entre lá4 e ré5, com a canção seguindo a progressão harmônica das notas mi maior5 e fá sustenido maior5 durante a melodia de abertura. A composição foi descrita por Taraborrelli como "bastante simples — uma sequência de bateria dançante sob um sintetizador repetitivo e aural, com Madonna falando versos sensuais, e Kravitz causalmente gemendo uma melodia no fundo". Similarmente, Rikky Rooksby, em seu livro Madonna: The Complete Guide to Her Music, escreveu que os elementos da canções são "simples o bastante: um loop de bateria que se repete na canção inteira, um baixo, e uma sequência de quatro acordes movendo-se entre o fá sustenido menor e o si menor", cuja melodia "não leva exatamente a lugar algum, mas cria uma atmosfera hipnótica que apoia a imagem das letras". Para o livro Madonna's Drowned Worlds, Santiago Fouz-Hernández e Freya Jarman-Ivens consideraram que ela estava "longe de uma canção pop comum", contendo uma "estrutura tonal bem simples e a mesma linha do baixo", com os mesmos acordes repetidos várias vezes. Eles também notaram seu "pouco interesse melódico", com Madonna falando mais do que cantando em seus vocais andrógenos "distantes, remotos, 'de outros lugares'". Tom Breiham, da Stereogum, classificou-a como "um exemplo inicial do trip hop", e apontou que Madonna merece crédito por "antecipar novas tendências antes mesmo de acontecerem".