Kanaky (também grafado Kanakie ou Canaquie) refere-se a denominação dada à Nova Caledônia por ativistas independentistas kanaks desde a década de 1970 e deriva da palavra havaiana kanaka (que significa "homem"). Malcolm Ross, Andrew Pawley, Meredith Osmond, 2016, The lexicon of Proto Oceanic: The culture and environment of ancestral Oceanic society, vol 5: People: body and mind. Asia-Pacific Linguistics (A-PL) 28. pp.45-46.
História O termo foi cunhado pela historiadora e etnógrafa Roselène Dousset-Leenhardt (1918-2004), filha do pastor Maurice Leenhardt. O nome "Kanak" agora designa os melanésios deste arquipélago. Após a criação da Frente de Libertação Nacional Kanak e Socialista (FLNKS), em 24 de setembro de 1984, o boicote ativo às eleições territoriais de 18 de novembro seguido pela entrada do período conhecido como "Événements" (1984-1988), os separatistas optaram por obter a independência pela força e criaram certas instituições e símbolos que serviriam de base para o futuro Estado denominado "Kanaky".
Instituições independentistas da década de 1980 Em 1 de dezembro de 1984 foi criado um "Governo Provisório de Kanaky" (GPK), um executivo paralelo efetivo e clandestino com autoridade sobre as áreas controladas pela FLNKS. É presidido por Jean-Marie Tjibaou (líder da FLNKS, União Caledônia [UC]) e, além dele, é composto por quatro membros :
o Ministro do Interior e das Comunicações, André Gopoea (líder da União Progressista na Melanésia), o principal responsável pelas questões fundiárias; o Ministro da Segurança, Eloi Machoro (Secretário-Geral da UC) e depois, após a sua morte, em 12 de janeiro de 1985, Léopold Jorédié, responsável pela organização do boicote ativo e das ações no terreno; o Ministro das Relações Exteriores, Yann Céléné Uregeï (líder da Frente Unida de Libertação Kanak), foi incumbido de garantir o apoio dos Estados soberanos (especialmente os países vizinhos da Melanésia, notadamente Vanuatu, mas também do Movimento Não Alinhado, particularmente a Líbia de Muammar Gaddafi) e de transmitir as demandas da FLNKS a órgãos regionais (o Fórum das Ilhas do Pacífico ) e internacionais (a Assembleia Geral das Nações Unidas, que votou sobre o assunto em 2 de dezembro de 1986 adicionando o arquipélago à Lista de Territórios Não Autônomos da ONU); o porta-voz, Ministro das Finanças e Solidariedade Nacional, Yeiwéné Yeiwéné (UC), responsável pela tesouraria do movimento independentista e por questões identitárias, culturais ou educativas (junto às Escolas Populares Kanak), bem como propaganda;
Em 18 de outubro de 1987, em nome do GPK, Jean-Marie Tjibaou apresentou – um mês após o referendo sobre a autodeterminação organizado pelo governo francês e boicotado pela FLNKS, que, no entanto, viu a independência ser rejeitada por 98,3% dos votos expressos e por 58,1% dos eleitores registrados — na ONU, um projeto de constituição para "Kanaky" como uma "república democrática, laica e socialista" que teria como fundamento social os costumes tradicionais kanaks e como princípio econômico o socialismo, buscando dar forma jurídica ao princípio da independência kanak socialista defendido pela FLNKS. A organização territorial desejada previa três níveis de governo: local (comunas), regional (as oito áreas consuetudinárias tradicionais kanaks) e nacional (com Nouméa como capital, que teria um estatuto especial), cada nível sendo governado por uma assembleia (eleita exclusivamente por kanaks, à semelhança dos comités de luta, convenções regionais e convenção nacional já aplicados pela FLNKS) e um órgão consuetudinário (conselho ou senado, princípio posteriormente adotado pelos estatutos resultantes dos Acordos de Matignon em 1988 e, em seguida, do Acordo de Nouméa em 1998), a fim de "administrar ou coadministrar [...] o patrimônio natural dos povos indígenas". O francês seria reconhecido como língua franca oficial e seriam estabelecidos acordos de cooperação com a França.
Embora, após os Acordos de Matignon, o GPK e todas as instituições paralelas da FLNKS fossem dissolvidas, o termo "Kanaky" prossegue sendo essencialmente usado pelos separatistas para designar o Estado soberano que desejam ver um dia surgir.
Notas e referências
Bibliografia
Categoria:Política da Nova Caledônia