Countdown with Keith Olbermann é um podcast publicado durante os dias úteis que teve origem como um programa noturno de notícias e comentários políticos com uma hora de duração, apresentado por Keith Olbermann, exibido pela MS NOW entre 2003 e 2011 e pela Current TV entre 2011 e 2012. O programa apresentava cinco notícias selecionadas do dia, acompanhadas de comentários de Olbermann e entrevistas com convidados.
Nossa missão para o futuro imediato é não atrapalhar as notícias. ... As notícias são as notícias. Não vamos brincar com elas.... À medida que os tempos melhorarem e a guerra [no Iraque] terminar, começaremos a introduzir cada vez mais elementos característicos do meu estilo.
O programa tornou-se conhecido pela retórica acelerada de Olbermann, pelas frequentes referências históricas e à cultura popular e por seus comentários de orientação liberal. Olbermann combinava notícias de temas sérios e leves com análises próprias, muitas delas críticas ao Partido Republicano e ao conservadorismo norte-americano. O programa foi alvo de controvérsias em razão dessas críticas, bem como pelos comentários constantes do apresentador contra a Fox News e sua rivalidade com o principal apresentador do horário nobre da emissora, Bill O'Reilly.
Durante a edição de 21 de janeiro de 2011 de Countdown, Olbermann anunciou que aquela seria sua última participação no programa, sem explicar os motivos. No dia seguinte, o The New York Times informou que Olbermann havia negociado sua saída da MS NOW por meio de um acordo confidencial.
Após ser contratado pela Current TV, Olbermann anunciou, em 26 de abril de 2011, que seu novo programa diário de notícias estrearia em 20 de junho de 2011 e também receberia o título Countdown with Keith Olbermann. Em 30 de março de 2012, a Current TV encerrou abruptamente sua relação contratual com Olbermann e substituiu o programa por uma atração apresentada por Eliot Spitzer. Em 1.º de agosto de 2022, Olbermann passou a produzir e apresentar um podcast diário, publicado nos dias úteis, também intitulado Countdown with Keith Olbermann, para a iHeartMedia. História
Período na MSNBC
Countdown with Keith Olbermann teve origem como sucessor de Countdown: Iraq, apresentado por Lester Holt, que foi exibido de outubro de 2002 até 31 de março de 2003, antecipando e cobrindo a Guerra do Iraque. Countdown: Iraq era transmitido às 20h, de segunda a sexta-feira, substituindo um programa de entrevistas apresentado por Phil Donahue que havia sido cancelado.
Olbermann, que havia deixado a MSNBC no final da década de 1990, retornou à emissora nesse período para substituir Holt, tornando-se o apresentador permanente do programa, rebatizado como Countdown with Keith Olbermann. Durante seus primeiros anos, a atração não apresentava comentários políticos, limitando-se a recapitular as principais notícias do dia em um formato de "5-4-3-2-1", conforme sugeria o título.
Countdown começou a atrair um público de orientação liberal e progressista em 2005, quando Olbermann passou a criticar e satirizar comentaristas da mídia conservadora, especialmente a Fox News e seu principal apresentador do horário nobre, Bill O'Reilly. Ele acusava a Fox e O'Reilly de supostamente induzirem seu público ao erro em favor de uma alegada inclinação política de direita, frequentemente incluindo O'Reilly no quadro Worst Person in the World ("Pior Pessoa do Mundo") do programa.
Embora não mencionasse Olbermann diretamente, O'Reilly lançou uma petição on-line solicitando implicitamente que a MSNBC demitisse o apresentador. Em paralelo, durante uma campanha de telefonemas organizada por Mike Stark, ameaçou Stark após este mencionar o nome de Olbermann durante uma ligação para seu programa de rádio The Radio Factor.
O'Reilly e outras personalidades da Fox News acusavam a MSNBC de favorecer um suposto viés liberal na mídia, em um contexto que Olbermann descreveu como uma guerra de atrito destinada a silenciá-lo.
Em 2006, Olbermann passou a apresentar ocasionalmente os Special Comments, editoriais nos quais fazia duras críticas a integrantes do governo George W. Bush, incluindo o então secretário de Defesa Donald Rumsfeld, o vice-presidente Dick Cheney e o presidente George W. Bush. Embora a maioria dessas edições fosse dirigida a membros do Partido Republicano, Olbermann também criticava, ocasionalmente, integrantes do Partido Democrata. Os temas abordados concentravam-se nas políticas interna e externa do governo Bush, principalmente nas guerras do Iraque e do Afeganistão.
Um dos Special Comments manifestou-se contra a aprovação da Proposição 8 da Califórnia em 4 de novembro de 2008, pelo qual recebeu, em 2009, o GLAAD Media Award na categoria Outstanding TV Journalism Segment.
Os Special Comments de Olbermann foram frequentemente comparados aos célebres editoriais de Edward R. Murrow. Em duas ocasiões, apresentadores convidados de Countdown fizeram tanto sucesso que acabaram ganhando programas próprios na MSNBC, contribuindo para a percepção generalizada de que a emissora possuía uma orientação política à esquerda. Em 2008, a apresentadora da Air America Radio Rachel Maddow comandou Countdown durante a ausência de Olbermann, o que levou à estreia de seu próprio programa, The Rachel Maddow Show.
Em 2009, o analista político de esquerda Lawrence O'Donnell apresentou Countdown durante um longo período, o que resultou posteriormente no lançamento de seu programa, The Last Word with Lawrence O'Donnell. Entre os demais apresentadores convidados estiveram os radialistas progressistas Cenk Uygur e Sam Seder, o biógrafo de Barack Obama Richard Wolffe, o jornalista Chris Hayes e o então presidente do Comitê Nacional Democrata (DNC), Howard Dean. Hiato e primeiro cancelamento
Em 28 de outubro de 2010, cinco dias antes das eleições nos Estados Unidos em 2010, Olbermann doou US$ 2.400 para cada um de três candidatos democratas ao Congresso: o candidato ao Senado por Kentucky Jack Conway e os representantes democratas do Arizona Raul Grijalva e Gabby Giffords.
Em resposta, o presidente da MSNBC, Phil Griffin, suspendeu Olbermann por tempo indeterminado e sem remuneração em 5 de novembro, por violar a política da emissora referente a contribuições políticas, que exigia aprovação prévia da direção. Uma petição on-line pedindo sua reintegração recebeu mais de 250 mil assinaturas, e, dois dias após o início da suspensão, Griffin anunciou que Olbermann retornaria ao ar na edição de 9 de novembro.
Na edição de 21 de janeiro de 2011 de Countdown, Olbermann anunciou inesperadamente que aquele seria seu último programa na MSNBC. Em sua despedida, agradeceu aos telespectadores, aos produtores e à equipe técnica pelos oito anos de sucesso do programa, mas não mencionou Phil Griffin nem o presidente da NBC News, Steve Capus. Nem a MSNBC nem Olbermann divulgaram oficialmente o motivo de sua saída.
Diversos blogueiros e comentaristas de orientação liberal atribuíram sua demissão à operadora de TV a cabo Comcast, acusando a empresa de silenciar o apresentador por razões políticas poucos dias após concluir a aquisição da NBCUniversal, em 18 de janeiro de 2011. Tanto a MSNBC quanto a Comcast negaram essa alegação.
O crítico de mídia Howard Kurtz, o ex-apresentador da MSNBC David Shuster e um executivo da NBC News que preferiu permanecer anônimo afirmaram que a suspensão de Olbermann em 2010 foi o fator mais provável para o cancelamento de Countdown.
Em entrevistas posteriores, Olbermann forneceu mais detalhes sobre as circunstâncias de sua saída da MSNBC. Em entrevista à The Hollywood Reporter, publicada em 7 de junho de 2011, afirmou que passou a enfrentar crescente oposição da direção da emissora após a morte de Tim Russert, em junho de 2008. Russert, chefe da sucursal da NBC em Washington e apresentador de Meet the Press, era um de seus principais defensores e atuava como mediador dos conflitos internos na emissora. Olbermann acrescentou que "muitas pessoas foram obrigadas a escolher um lado" em relação à sua permanência na MSNBC, incluindo Rachel Maddow. Também afirmou que só foi informado de sua demissão menos de meia hora antes de sua despedida ao vivo.
Entretanto, a ação judicial por quebra de contrato movida por Olbermann contra a Current TV em 2012 indicou que sua saída da MSNBC teria sido motivada por negociações conduzidas pelos fundadores da Current TV, Al Gore e Joel Hyatt. Segundo a ação, Gore e Hyatt passaram a negociar sua contratação mesmo após serem informados de que Olbermann ainda tinha dois anos de contrato com a MSNBC, chegando a um acordo para sua transferência no mesmo mês em que ele deixou a emissora, conforme documentos judiciais obtidos pelo TMZ, pertencente à Warner Bros.. Período na Current TV
Em 8 de fevereiro de 2011, Olbermann anunciou que havia sido contratado para apresentar um novo programa em horário nobre na Current TV, rede de televisão por assinatura fundada pelo ex-vice-presidente Al Gore e pelo empresário Joel Hyatt. Em abril, foi anunciado que o programa manteria o título Countdown. Olbermann também assumiu o cargo de diretor de jornalismo (Chief News Officer) da Current TV e adquiriu uma participação acionária na emissora.
Em 11 de maio, Olbermann anunciou que o fundador do Daily Kos, Markos Moulitsas, os cineastas Michael Moore e Ken Burns e o comediante Richard Lewis passariam a colaborar com o novo Countdown.
Durante entrevista concedida em 16 de junho ao programa Late Night with Jimmy Fallon, da NBC, Olbermann anunciou ainda que os jornalistas Matt Taibbi e Jeremy Scahill, o ex-integrante do governo Richard Nixon e escritor John Dean, o ator Donald Sutherland e o astrônomo Derrick Pitts também fariam parte da equipe de colaboradores.
Countdown estreou na Current TV em 20 de junho de 2011, encerrando sua primeira edição com uma versão resumida do quadro Special Comment, na qual Olbermann apresentou sua declaração de princípios (mission statement), citando Harriet Beecher Stowe. O programa atraiu 179 mil telespectadores, um aumento significativo em relação à audiência habitual da Current TV, que era de cerca de 30 mil espectadores. Também superou a CNN na faixa demográfica de 25 a 54 anos, considerada a mais importante para o mercado publicitário.
Durante toda a primeira semana de exibição na Current TV, Countdown continuou superando a CNN nesse mesmo segmento demográfico. Na segunda semana, a audiência caiu, mas, em setembro, o programa estabilizou-se em aproximadamente 310 mil telespectadores. O programa era gravado no NEP Studio 33.
Durante as duas primeiras semanas na Current TV, Countdown teve duração de 63 minutos, em vez dos habituais 60, em uma tentativa discreta de reduzir a audiência da MSNBC ao terminar após o início do programa de Rachel Maddow. Posteriormente, Olbermann reconsiderou a estratégia e restabeleceu a duração tradicional de uma hora, afirmando que a mudança "serviria apenas para irritar os fãs" tanto de Countdown quanto do programa de Rachel Maddow, sem trazer benefícios para a audiência de sua própria atração.
No segundo semestre de 2011, Olbermann entrou em conflito com a direção da Current TV devido a divergências sobre os valores de produção e o controle criativo do programa, chegando a cogitar deixar a emissora. Segundo cancelamento
Em 30 de março de 2012, a Current TV rescindiu o contrato de Olbermann, resultando no segundo cancelamento de Countdown. Em seu comunicado oficial, a emissora afirmou que Olbermann havia demonstrado falta de "respeito, transparência, espírito de colaboração e lealdade para com nossos telespectadores". Fontes internas relataram que as frequentes ausências do apresentador, sua falta de empenho na promoção da Current TV e comentários públicos depreciativos que fez sobre a emissora contribuíram para a decisão de demiti-lo.