O Lampeão foi um jornal de imprensa negra originado na cidade interiorana de Bagé, no estado do Rio Grande do Sul. Tendo sido fundado em 1934, serviu como veículo das associações e clubes de pessoas negras assim como muitos outros jornais negros na cidade.
História Durante o pós-abolição, começaram a emergir movimentos sociais negros em diferentes regiões do Brasil que construíram associações, clubes e jornais cujo foco era criar espaços de convivência e recreação para a população negra assim como tratar das questões pertinentes à ela. Em resposta à marginalização da população preta imposta pela sociedade brasileira, essas associações serviram como maneiras de afirmar e valorizar sua identidade enquanto pessoas negras. Bagé foi um notável expoente desse associativismo negro, seus impressos eram responsáveis por manter a comunidade negra bageense atenta aos movimentos das associações negras da cidade, assim como sobre o comportamento de pessoas negras, mas mais importantemente mostrando a articulação dos projetos e ambições políticas dessa comunidade local. O Lampeão foi um de uma dezena de jornais da imprensa negra da cidade, anteriores e posteriores, que foram escanteados em trabalhos de pesquisa a respeito da imprensa local, excluindo a participação da população negra na mesma, numerando entre eles: O Rio Branco (1913) A Liberdade (1919), A Revolta (1925), A Defeza (1920), O Palmeira (1922; 1927, 1949, 1952), O Rouxinol (1924), O Teimoso (1928), O Boato (1929), A Tesoura (1935), O Arauto (1936), Socega Leão (1937; 1939) e O 28 de Setembro (1937, 1938, 1939).
O Lampeão foi fundado em 1934, contando com o tipógrafo Alcides Almeida como parte de sua equipe de redação, o mesmo tendo anteriormente participado da direção de outro jornal da imprensa negra bageense, O Palmeira, em 1927.
Um tal exemplo do papel que O Lampeão e outras associações negras exerciam na valorização da identidade negra e a desconstrução de estereótipos associados a ela pode ser observado na publicação pelo jornal de um episódio, onde, após uma pessoa ter subido ao palco durante a coroação de um rancho carnavalesco negro e beijado a rainha contra sua vontade, o orador do rancho, Misael Romero, teve a dizer que:
O pesquisador Tiago Rosa da Silva caracteriza esse momento d’O Lampeão como evidência de que o movimento maior da imprensa negra brasileira foi fundamental para a autoafirmação das identidades negras no país.
Preservação Atualmente, no Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa, em Porto Alegre, encontram-se ainda alguns periódicos do jornal arquivados que podem ser consultados para pesquisa, mediante reserva e agendamento. Não há registro de versões digitalizadas à disposição.
Categoria:Imprensa negra no Rio Grande do Sul