Antônio de Oliveira, mais conhecido como Antônio Baobab, Baobad, ou Baobá (17 de agosto de 1861- 8 de julho de 1907), foi um dos fundadores do jornal A Alvorada, juntamente com o seu irmão mais novo, Rodolfo Xavier. Figura importante na luta por direitos aos trabalhadores e no combate ao racismo antinegro
Nascido em Pelotas-RS, filho mais velho de Eva e Domingos Ignácio Xavier, senhor de Eva. De sua mãe foi herdada a condição jurídica de escravizado e após alguns anos no convívio com a mãe, Antônio foi vendido a outro senhor
Batizado na Igreja Católica na matriz de São Francisco de Paula. O padrinho de Antônio era Francisco Xavier, irmão mais velho de Domingos Xavier
De acordo com seu irmão Rodolfo Xavier, ele nasceu sob o nome Antonio de Oliveira, sobrenome que seria uma referência ao seu senhor, porém ao se libertar adotou o nome Antonio Baobad, como forma de homenagear as raízes africanas legadas pelo seu avô, com o qual havia fugido da casa de seu senhor para lutar na Guerra dos Farrapos (1835-1845), tendo em vista que Baobad (também grafado como baobá) é uma árvore sagrada no território africano
Aos 19 anos, 4 anos depois de sua mãe, Antônio se tornou um liberto. E em 1882, Antônio passou a frequentar um curso de alfabetização noturna, oferecido na Biblioteca Pública Pelotense (BPP), que era exclusivo para homens livres e libertos e foi assim que também conseguiu alfabetizar seus filhos
Carreira Antônio foi um dos funcionários da Fábrica Bammam & Maia, localizada na rua São Miguel (atual rua 15 de Novembro) que produzia chapéus. Apesar de ser um trabalhador em condição jurídica escravizada, esteve inserido em relações, geralmente, consideradas como vinculadas ao trabalho livre, como, por exemplo, a remuneração por seus serviços e a inserção nos espaços fabris
Quando liberto, por volta de 1880, Antônio continuou atuando no mesmo ofício e empresa, onde ele era o encarregado do preparo de feltros, destinados a fabricação dos chapéus, função que se denominava fulista, e a qual chegou a ocupar o posto de mestre
Em 1886, junto à categoria dos chapeleiros, fundou uma entidade mutualista, a Associação Beneficente União e Fraternidade dos Operários Chapeleiros, que em 1891 passou a ser chamada de União Operária. Na primeira gestão, Antônio atuou como membro da comissão de contas e, na segunda, como vice-presidente. Nesse mesmo ano, Antônio se envolveu com um grupo reformador dentro da Liga Operária e se aproximou de lideranças socialistas como João Tolentino de Souza, que outrora militou no Partido Republicano do qual Antônio também fez parte
Militante pelos direitos trabalhistas, como jornada de oito horas, o fim do trabalho infantil e a igualdade salarial entre homens e mulheres. Em 1907, junto com Rodolfo Xavier e os irmãos Juvenal Penny e Durval Penny, na qual Antônio foi professor particular de alfabetização, fundaram o jornal A Alvorada em Pelotas como forma de luta anti-racista.
Porém, naquele mesmo ano, no dia 8 de julho, Antônio Baobá, que já estava com sua saúde debilitada, veio a falecer por tuberculose, aos 48 anos
Referências
Categoria:Imprensa negra no Rio Grande do Sul