Mateo Díaz de Alfaro (Sanlúcar de Barrameda - prov. Santiago de León de Caracas, c. 1608) foi um conquistador, encomendero, militar e oficial municipal espanhol, natural de Sanlúcar de Barrameda e activo na Província da Venezuela entre o final do século XVI e o início do século XVII. Filho do capitão Sebastián Díaz de Alfaro, acompanhou-o na entrada que levou à fundação de San Juan de la Paz e de San Sebastián de los Reyes, foi tenente de governador desta cidade, participou na defesa costeira contra corsários, serviu nas campanhas de Nirgua e Morocope, e exerceu ofícios municipais em Santiago de León de Caracas, incluindo os de regidor perpétuo e alcalde ordinário.....
Origem e família
Nasceu em Sanlúcar de Barrameda, filho do capitão Sebastián Díaz de Alfaro e de Marina Rodríguez de Ortega, também nomeada como María Ana Rodríguez de Arteaga,. ambos naturais da mesma localidade. A sua irmã Ana de Alfaro também teria nascido em Sanlúcar.. Sebastián Díaz de Alfaro passou à governação da Venezuela levando consigo o filho Mateo, enquanto a mulher e a filha Ana ficaram inicialmente em Espanha; depois de se estabelecer em Santiago de León de Caracas, Sebastián terá enviado Mateo a Espanha para as trazer.
Mateo Díaz de Alfaro casou em Caracas com Leonor Díaz de Rojas, filha do capitão Alonso Díaz Moreno e de Ana Gómez de Agüero y Rojas, filiação confirmada em documentação de 1608, na qual Ana de Alfaro e Francisca de Alfaro, filhas legítimas de Mateo Díaz de Alfaro, são apresentadas como netas, por linha materna, do capitão Alonso Díaz Moreno, pai de Leonor Díaz de Rojas..
Entre os filhos documentados de Mateo Díaz de Alfaro e Leonor Díaz de Rojas contam-se Diego Díaz de Alfaro, María de Alfaro, Ana de Alfaro e Francisca de Alfaro. María de Alfaro casou com Francisco de Guzmán y Sarría; Ana de Alfaro casou com o mestre-de-campo general Domingo Vázquez de Rojas; e Francisca de Alfaro casou com o capitão Juan Vázquez de Rojas. Diego Díaz de Alfaro é referido como tenente de San Sebastián de los Reyes.. Em 1622, a sua mãe, Leonor Díaz de Rojas, aparece ainda a diligenciar reconhecimentos ou título de fidalguia para si..
San Juan de la Paz e San Sebastián de los Reyes
Em 1584, durante o governo de Luís de Rojas y Mendoza, Sebastián Díaz de Alfaro recebeu autorização para conquistar e povoar nas terras dos quiriquires. Segundo Oviedo y Baños, Sebastián entrou nessa jornada acompanhado do seu filho Mateo Díaz de Alfaro, de Melchor de San Juan, Juan Fernández Trujillo, Mateo de Laya, Melchor de León, Hernando Gómez, Alonso García Pineda, Diego de Ledesma, Juan Rodríguez Espejo, Bartolomé Sánchez, Frutos Díaz, Gaspar Hernández, Cristóbal Suárez, Vicente Galeas, Cristóbal Quintero e outras pessoas, até ao número de oitenta, tendo por capelão Alonso López de San Martín.
A expedição fundou San Juan de la Paz nas margens do rio Tuy, quatro léguas abaixo da confluência com o rio Guaire. Oviedo y Baños afirma que a povoação se iniciou sem resistência armada imediata, e que o seu nome procurava conservar a memória de a empresa ter sido realizada sem que fosse necessário desembainhar a espada.. A povoação prosperou inicialmente devido às minas de Apa e Carapa, sendo, no entanto, abandonada pouco depois devido ao clima húmido, considerado insalubre pelos colonos..
Depois de San Juan de la Paz, a entrada continuou para os Llanos, onde Sebastián Díaz de Alfaro fundou San Sebastián de los Reyes. Em documentação publicada por Vicente Dávila, Mateo Díaz de Alfaro é apresentado como um dos primeiros conquistadores e povoadores das cidades de San Juan de la Paz e San Sebastián de los Reyes, e como um dos descobridores das minas de ouro da região. A mesma documentação afirma que Mateo levantou gente à sua custa várias vezes, entrou como capitão em acções contra os caribes do distrito dessas cidades, e foi tenente de governador de San Sebastián durante muitos anos, conservando os vizinhos em paz e justiça e socorrendo-os com a sua fazenda.
Encomiendas e serviços militares
Mateo Díaz de Alfaro herdou pelo menos parte das encomiendas ligadas à carreira do seu pai. Dávila regista uma encomienda de mariches e quiriquires, situada nos vales de Petare, Baruta, Mesi e Carayaca, que fora em primeira vida do capitão Sebastián Díaz de Alfaro, sendo depois herdada por Mateo Díaz de Alfaro, passando por sua morte ao seu primo-irmão, o capitão Onofre Carrasquer.. Uma real cédula de 1610 confirma que os principais Don Diego, da gente de Doña Isabel, cacica dos mariches do vale de Baruta, e Don Luis, cacique do vale de Mesi, tinham estado em encomienda de Sebastián Díaz e de Mateo Díaz, ambos já falecidos..
Outra encomienda, da cidade de Santiago de León de Caracas, é referida por Dávila como tendo sido possuída por Mateo Díaz de Alfaro, sendo depois herdada por seu filho Diego de Alfaro e, após a morte deste, reclamada por Catalina Rengel y Rojas, mulher de Diego.. Em 1653, Diego de Alfaro, ao opor-se à encomienda de Baruta, declarou ser filho do capitão Mateo Díaz de Alfaro e neto paterno do capitão Sebastián Díaz de Alfaro, invocando os serviços dos seus antepassados..
A documentação de serviços publicada por Dávila atribui a Mateo actuação na defesa da costa contra corsários, na pacificação e socorro da província de Nirgua, e em acções contra indígenas levantados de Morocope e outros grupos. Segundo esse testemunho, Mateo teria «andado sempre» nessas campanhas até deixar pacificadas as províncias em que serviu.. Outro documento, apresentado por parentes em processo de oposição a encomienda, afirma que, depois de servir em San Sebastián de los Reyes, Mateo foi vizinho de Caracas, capitão de infantaria, defensor da cidade contra piratas, e que também participou nos castigos contra indígenas levantados de Nirgua e Morocope.
Ofícios municipais
Mateo Díaz de Alfaro aparece nas fontes como oficial municipal em Caracas e San Sebastián de los Reyes. Em 1589, as Actas del Cabildo de Caracas incluem-no entre os regidores do cabildo de Santiago de León de Caracas, juntamente com Juan de Ribero, Alonso Andrea de Ledesma, João Fernandes de Leão e Sancho del Villar.. No mesmo ano, participou nas deliberações do cabildo sobre a circulação de pérolas como moeda, motivada pela falta de ouro e de moeda cunhada na governação..
Em 1593, era alcalde ordinário de Caracas, juntamente com Lázaro Vázquez.. Em 1594, durante o governo de Diego de Osorio, os regimentos ordinários de Caracas foram convertidos em ofícios perpétuos e vendíveis; Oviedo y Baños menciona Mateo Díaz de Alfaro entre os primeiros que obtiveram esses regimentos em propriedade e perpetuidade.. As actas de 13 de Setembro de 1594 registam-no já como regidor perpétuo de Caracas, ao lado de Nicolás de Peñalosa..
A documentação genealógica e de encomiendas publicada por Dávila resume a sua carreira dizendo que foi tenente de governador de San Sebastián de los Reyes, capitão de infantaria em Caracas, regidor e alcalde ordinário muitas vezes, e que em todos esses ofícios deu boa conta pelo zelo com que serviu a Coroa.
Últimos anos e morte
Em 30 de Dezembro de 1600, um auto relativo a uma disputa por uma indígena mencionava que certos índios tinham sido encomendados quando Mateo Díaz de Alfaro era tenente da cidade de San Sebastián de los Reyes, documentando a sua actividade ou memória administrativa nessa cidade no fim do século XVI.. Em título de encomienda de 1609, porém, Mateo já aparece como falecido, sendo referido como último sucessor dos índios do vale de Baruta e Mesi..
Um traslado relativo aos seus serviços afirma que Mateo morreu cerca de dois anos depois da morte de Sebastián Díaz de Alfaro, deixando os filhos muito pobres e necessitados, pois os seus bens não chegaram para pagar as dívidas. Como Castillo Lara situa a morte de Sebastián Díaz de Alfaro no final de 1606, a morte de Mateo poderá ter ocorrido por volta de 1608.
Bibliografia
Categoria:Naturais de Sanlúcar de Barrameda Categoria:Conquistadores espanhóis Categoria:Encomenderos Categoria:Militares da Espanha Categoria:Pessoas da colonização espanhola da América Categoria:História colonial da Venezuela