Em psicologia, o senso numérico é o termo usado para a capacidade biologicamente determinada de que alguns animais, particularmente os humanos, possuem que lhes permite representar, distinguir e manipular quantidades numéricas, servindo de arcabouço inato ao desenvolvimento posterior do simbolismo numérico discreto. O termo foi popularizado por Stanislas Dehaene em seu livro de 1997, The Number Sense, mas originalmente cunhado pelo matemático Tobias Dantzig em seu texto de 1930, "Number: The Language of Science".
Os psicólogos acreditam que o senso numérico nos humanos pode ser diferenciado no sistema numérico aproximado, um sistema que suporta a estimativa da magnitude, e no sistema de individuação paralela, que permite o rastreamento de objetos individuais, tipicamente para quantidades abaixo de 4.
Existem também algumas diferenças na forma como o senso numérico é definido na cognição matemática. Por exemplo, Gersten e Chard dizem que o senso numérico "refere-se à fluidez e flexibilidade de uma criança com os números, ao sentido do que os números significam e à capacidade de realizar cálculos mentais e de olhar para o mundo e fazer comparações."
Nos animais não humanos, o senso numérico não é a capacidade de contar, mas a capacidade de perceber mudanças no número de coisas em uma coleção. Todos os mamíferos e a maioria das aves percebem se há uma mudança no número de seus filhotes por perto. Muitas aves conseguem distinguir dois de três.Dantzig, Tobias. Number: The Language of Science. New York: Macmillan Company, 1930. Há evidências em estudos com animais de que experiências instrutivas específicas não são necessárias para ativar o senso numérico inato.
Conhecimento de base Segundo Elizabeth Spelke, há evidência para quatro sistemas de conhecimento básico ou de base (core knowledge) ou cognição de base (core cognition) que fundamentam a cognição matemática, em humanos e animais não-humanos.
Estudos apontam à existência de engrama que estabelece um limite de conjunto para o rastreamento de objetos individuais em movimento, sendo esse limite uma média de três objetos: isso se verifica por exemplo entre os pirarrãs, mesmo que eles tenham conceitos numéricos até o número dois.
Quanto ao sistema numérico aproximado, há o exemplo dos mundurucus, os quais, embora não tenham palavras para além do número três, possuem a mesma capacidade de distinguir numerosidades grandes aproximadas que adultos franceses com formação educacional também apresentam. Quando comparados a crianças americanas às quais a matemática ainda não foi ensinada, também se verificou a mesma capacidade de somar grandes quantidades aproximadas e de se estimar se uma soma é maior ou não que um terceiro conjunto de objetos. Isso constitui evidência de que tais representações matemáticas nucleares são culturalmente universais.
Tais representações nucleares de número são amodais: elas não se ativam a partir somente da visão, mas também são mobilizadas para percepção de numerosidades na audição e no tato. Em comparações intermodais, o senso numérico apresenta a mesma precisão avaliativa do que em avaliações em mesma modalidade sensorial.
Há interpretações diferentes que salientam que o senso numérico não se constitui de um conhecimento conceitual já formado, mas que são representações perceptuais: assim, segundo a perspectiva de Fei Xu, o senso numérico seria uma percepção de número, a cujo caráter de amodalidade também se aplica a lei de Weber, tal como para outras magnitudes perceptuais. Essas representações não são plenamente conceituais devido a não carregarem inatamente conteúdos simbólicos; apenas posteriormente, com o aprendizado de sinais linguísticos para números, a percepção numérica torna-se conceitual e discreta. Nessa explicação alternativa, propõe-se que há analisadores perceptuais de quantidade que são representações inatas protoconceituais, à medida que por si só eles não fornecem elementos suficientes para permitir a construção linguística de conceitos complexos.
O senso numérico aproximado tem sua programação no sulco intraparietal, enquanto o senso numérico simbólico é processado de maneira difusa em áreas do córtex pré-frontal.
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