Māui ou Maui é um grande herói cultural e trapaceiro da mitologia polinésia . A poucos registros de cultos voltados a Maui enquanto uma divindade, tendo mais um papel de um herói popular . Sua origen varia de cultura para cultura, com variações em sua origem familiar e no seu status de divindade, porem muitos de seus principais feitos permanecem relativamente semelhantes. O levantamento de Bucková sobre as tradições da Polinésia Oriental documenta que narrativas centrais, como a aquisição do fogo ou a manipulação do sol, aparecem em toda a região da Polinésia, mas são adaptados de maneira diferente nas versões de Mangareva, Tuamotu e Novas Hébridas.
As histórias das façanhas e aventuras de Māui são contadas em quase toda a Polinésia ; elas chegam até ilhas próximas à Nova Guiné.
Algumas façanhas comuns, que à maioria das tradições polinésias contam são: roubar fogo do submundo para os humanos, pescar ilhas com seu anzol mágico e capturar o Sol para prolongar os dias.
Há muita variação nas representações de Māui de nação para nação, desde um jovem bonito até um sábio sacerdote errante. Embora Māui fosse considerado muito travesso ou "kolohe", muitos de seus feitos visavam melhorar a vida de seu povo. Variações das histórias de Māui aparecem mais a oeste, nas Novas Hébridas (atual Vanuatu ), onde o trabalho de campo de A. Capell registra histórias de Maui pescando ilhas, lutando com espíritos e adquirindo fogo, mas com estruturas narrativas locais distintas, diferentes daquelas da Polinésia central. Bucková também identifica esses relatos das Novas Hébridas como parte de uma constelação mais ampla de adaptações regionais de tradições de origem do fogo e trapaceiros.
Mitologia maori Na mitologia Māori, como em outras tradições polinésias, Māui é um herói cultural e um trapaceiro, famoso por sua inteligência. Os nomes maori de Māui incluem Māui-tikitiki ("Māui o nó superior"), Māui-tikitiki-a-Taranga ("Māui o nó superior de Taranga "), Māui-pōtiki ("Māui o último nascido") e Māui te whare kino ("Māui a casa dos problemas"). Mito da origem das Ilhas da Nova Zelândia Os irmãos mais velhos de Māui sempre se recusavam a levalo junto quando iam pescar. Certa noite, ele teceu para si uma linha de pesca de linho e a encantou com um karakia para lhe dar força; a ela, prendeu o anzol mágico feito da mandíbula que sua avó Murirangawhenua lhe dera. Então, ele se escondeu no casco da waka (canoa) de seus irmãos. Na manhã seguinte, quando a waka estava longe demais da costa para retornar, ele saiu de seu esconderijo. Seus irmãos não lhe deram isca, então ele bateu no proprio nariz e usou seu próprio sangue como isca para o anzol. Ele puxou um peixe gigante que se tornaria a Ilha Norte da Nova Zelândia, conhecida como Te Ika-a-Māui ; os vales e montanhas da ilha foram formados por seus irmãos, que cortaram o peixe em pedaços para si mesmos. Em algumas tradições, sua waka se tornou a Ilha Sul, conhecida como Te Waka a Māui . (Outras tradições fazem da Ilha Sul a waka de Aoraki .)
Mito do segredo do fogo Māui queria saber de onde vinha o fogo, então, certa noite, foi até as aldeias de seu povo e apagou todas as fogueiras. Taranga, mãe de Māui e rangatira ( chefe da aldeia), disse que alguém teria que pedir mais fogo a Mahuika, a deusa do fogo. Então, Māui (neto de Mahuika) se ofereceu para ir encontrá-la. Mahuika vivia em uma caverna em uma montanha em chamas, no fim do mundo. Ela deu a Māui uma de suas unhas em chamas para reacender o fogo, mas Māui apagou unha após unha até que Mahuika se irritou e enviou fogo para perseguir Māui, que sobreviveu apenas invocando Tāwhirimātea, o deus do clima, para apagá-lo com sua chuva. Mahuika lançou sua última unha em Māui, mas errou o alvo e atingiu algumas árvores, incluindo o māhoe (pássaro-de -madeira) e o kaikōmako (pássaro-de -madeira). Māui trouxe galhos secos dessas árvores para sua aldeia e mostrou ao seu povo como esfregar os galhos e fazer fogo.
Mito da trapaça com o Sol Antigamente, o sol costumava percorrer o céu rapidamente, não deixando tempo suficiente de luz do dia para trabalhar e comer. Māui propôs capturar o sol e desacelerá-lo. Armados com a mandíbula mágica de Murirangawhenua e uma grande quantidade de corda, Māui e seus irmãos viajaram para o leste e encontraram o poço onde o deus-sol Tama-nui-te-rā dormia durante a noite. Lá, eles amarraram as cordas em um laço ao redor do poço e construíram uma parede de barro para se abrigarem atrás dela. Tama-nui-te-rā ficou preso no laço e Māui o golpeou com a mandíbula até que ele se rendesse e concordasse em viajar lentamente pelo céu.
Mito da morte de Māui O último truque de Māui levou à sua morte e envolveu Hine-nui-te-pō, a deusa da morte e do submundo. Numa tentativa de tornar a humanidade imortal revertendo o processo natural de nascimento, ele se transformou em um verme e entrou na vagina de Hine-nui-te-pō, com a intenção de sair pela boca enquanto ela dormia. No entanto, ela foi despertada por ( rabo-de-leque da Nova Zelandia) que caíram na gargalhada ao ver Māui entrando em sua vagina. Irritada, Hine-nui-te-pō esmagou Māui até a morte com os dentes de obsidiana em sua vagina.
Mitologia havaiana Na religião havaiana, Māui é um herói cultural e chefe ancestral que aparece em diversas genealogias. No Kumulipo, ele é filho de ʻAkalana e sua esposa Hina-a-ke-ahi ( Hina ). O casal teve quatro filhos: Māui-mua, Māui-waena, Māui-kiʻikiʻi e Māui-a-kalana. A esposa de Māui-a-kalana se chamava Hinakealohaila; seu filho, Nanamaoa. Māui é um dos Kupua. Seu nome é o mesmo da ilha havaiana de Maui, embora a tradição nativa afirme que ela não foi nomeada diretamente em sua homenagem, mas sim em homenagem ao filho do Hawaiʻiloa ("descobridor do Havaí", que recebeu o nome em homenagem ao próprio Māui).
Mito do revelador dos Pássaros Algumas das façanhas mais renomadas de Māui incluíam tornar visíveis os pássaros (invisíveis aos olhos mortais). Nesse tempo remoto e esquecido, a música dos pássaros encantava Māui. Ele os observava com grande interesse, suas plumagens variadas e belas que adornavam a folhagem de árvores perfumadas, e sua música melodiosa; contudo, ninguém mais podia compartilhar com ele o prazer do que era evidente à sua visão. Pois, embora os amigos de Māui pudessem ouvir seus maravilhosos cantos, nenhum percebia a verdadeira fonte dos sons. Māui sentia compaixão por seus amigos, pela humanidade e por sua incapacidade de contemplar com os olhos as criaturas coloridas e musicais enquanto voavam de árvore em árvore; então, Māui fez com que as criaturas se tornassem visíveis a olho nu.
Mito da criação do Havaí Atribui-se também a Māui a criação das ilhas havaianas, quando, numa expedição de pesca com seus amigos, ele, usando um anzol mágico, trouxe à superficie alguns grupos de ilhas das profundezas do oceano. Em algumas versões da história do pescador havaiano, Māui é descrito como um pescador ruim. Seus irmãos zombavam dele por não pescar nada, e ele revidava as ofensas com travessuras. Māui e todos os seus irmãos eram filhos de pai e mãe divinos, mas apenas Māui recebeu poderes miraculosos, razão pela qual ele era capaz de possuir esse anzol mágico feito com os ossos de seus ancestrais divinos. Um dia, seus irmãos foram pescar, mas não permitiram que Māui os acompanhasse na canoa, o que irritou Māui. Quando retornaram, Māui disse a eles que, se tivesse ido com eles, teriam pescado muito mais peixes em vez de apenas um tubarão. Seus irmãos refletiram sobre o comentário e o levaram em sua próxima pescaria. Perguntaram-lhe onde estavam todos os peixes "bons". Māui então lançou seu anzol mágico, usando pássaros Alae como iscas, sagrados para sua mãe Hina.
O fundo do oceano começou a se mover e gerar ondas enormes, enquanto Māui pedia a seus irmãos que remassem rápido para dar lugar aos peixes que se aproximavam. Eles remaram com muita força e ficaram cansados, mas Māui disse-lhes para não olharem para trás, pois se o fizessem, os peixes fugiriam. Um dos irmãos desobedeceu e a linha de pesca se rompeu, revelando novas ilhas. Se ninguém tivesse olhado para trás, teriam surgido ainda mais ilhas.
Mito do segredo do fogo Como os humanos ainda não haviam descoberto o fogo, durante o período em que Māui viveu em uma terra de erupções vulcânicas perpétuas, Māui decidiu que, em vez de caminhar periodicamente dezenas de quilômetros sobre corais apenas para obter brasas incandescentes das fogueiras extintas na noite anterior pelos ventos frios, ele optou por uma solução mais simples. Ele traria o fogo até ele. Māui conhecia uma tribo de pássaros inteligentes que dominavam a arte de fazer fogo. Seu plano era capturar o líder deles e arrancar dele o segredo do fogo. O pássaro o ensinou que ele deveria esfregar certos gravetos para produzir fogo, e foi assim que o segredo do fogo foi revelado à humanidade.
Mito do domador do Sol e dos Céus Antes de Māui intervir, o Sol (Lā) percorria caminhos irregulares no céu, indo e voltando de maneira aleatória no cêu, o que tornava atividades como a agricultura muito difíceis para o homem. Para esse fim, Māui criou armadilhas feitas de seu cabelo para capturar o sol e obrigá-lo a viajar mais lentamente e a seguir cursos fixos de deslocamento. Dessa forma, Māui regulava as atividades do sol para o benefício da humanidade.
Mito do pilar do Céu Maui ergueu os céus, que, por muito tempo, pesou sobre as plantas da Terra, deixando quase nada de espaço para o crescimento das plantas e para o movimento das pessoas.
Mitologia tonganesa Na versão tonganesa dos contos, Māui puxou as Ilhas Tonga das profundezas do mar, primeiro apareceram Lofanga e as outras Ilhas Haʻapai, e finalmente. Māui então morou nas ilhas recem puxadas, lá Māui teve dois filhos: o mais velho, Māui-Atalanga, e o mais novo, Māui-Kisikisi. Este último descobriu o segredo do fogo e ensinou às pessoas a arte de cozinhar: ele fez o fogo habitar certos tipos de madeira. Māui-Motu'a carrega a terra sobre os ombros e, quando cochila durante o sono, causa terremotos; portanto, as pessoas precisam pisar no chão para acordá-lo. Hikule'o, a divindade que preside o Pulotu, é o filho mais novo de Māui-Motu'a.
Outras fontes dizem que em Tonga existiram três irmãos Māui: Māui- (o velho Māui), Māui-Atalanga e Māui-Kisikisi (Māui libélula), sendo este último o trapaceiro. Ele também recebeu o nome de Māui-fusi-fonua (Māui, o puxador de terra) quando implorou pelo anzol mágico ao velho pescador Tongafusifonua, que vivia em Manuka (localizada a leste da ilha de Tonga). Tongafusifonua permitiu que ele levasse o anzol, com a condição de que o encontrasse em meia a coleção de inúmeros anzóis, porém sua esposa, Tavatava, revelou como achar o anzol em meio a coleção. E assim ele conseguiu pescar as ilhas de coral do fundo do oceano.
Mitologia taitiana Na mitologia do Taiti, Māui era um sábio e profeta. Ele era um sacerdote, mas foi posteriormente transformado em um deus. Certa vez, estando ocupado no marae (local sagrado), e com o sol se pondo, Māui se viu com o trabalho inacabado, ele agarrou o hihi (raios solares) interrompendo o curso do Sol por algum tempo. Como descobridor do fogo, Māui foi chamado de Ao-ao-ma-ra'i-a porque ensinou a arte de obter fogo pela fricção da madeira. Antes disso, as pessoas comiam seus alimentos crus.
Māui foi responsável por terremotos.
Mitologia samoana Na mitologia samoana, Māui deu o fogo ao seu povo, sendo um semideus curioso e atrevido que era, escondeu-se junto atrás de uma parede, onde seu pai, Talaga, do outro lado trabalhava no submundo. O submundo é a morada de Mafuiʻe, o deus dos terremotos. Quando Maui teve a oportunidade, aproximou-se da parede e imitou a voz do pai, dizendo: "Ó rocha! Divida-se, eu sou Talaga, venho trabalhar na terra que Mafuiʻe me deu". Ao passar para o submundo, seu pai ficou surpreso e pediu que ele trabalhasse em silêncio para não irritar Mafuiʻe.