miniaturadaimagem|Entrada do Colégio Municipal Honorino Coutinho O Colégio Municipal Honorino Coutinho é uma uma instituição de ensino público, municipal, localizada no distrito de Morro Grande, em Araruama, no estado do Rio de Janeiro. Sua principal característica é estar situado em cima de um sítio arqueológico de indígenas tupinambá, o Sítio Morro Grande. O colégio não é apenas uma unidade de ensino, mas um lugar de memória onde o passado indígena dialoga com o presente por meio das atividades pedagógicas realizadas na instituição. FERREIRA, MARLON BARCELOS. Da arqueologia para a história: O lugar dos Índios no município de Araruama 2019 154 f. Mestrado em HISTÓRIA SOCIAL Instituição de Ensino: UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, São Gonçalo Biblioteca Depositária: UERJ - CEHD - Rede Sírius https://sucupira-legado.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=7741787
História A criação do colégio está inserida em um contexto de expansão da rede municipal de ensino de Araruama na década de 1980, sob a gestão do prefeito Renato de Vasconcelos Lessa e do secretário de educação Gentil Marinho. Antes de sua criação oficial, já havia um planejamento estratégico para dotar o distrito de Morro Grande de uma unidade que atendesse à vocação agrícola da região. A inauguração ocorreu em junho de 1985, inicialmente com duas salas de aula amplas e 70 alunos matriculados, funcionando das 7h às 11h, tendo como primeira diretora a professora Liceia Xavier de Barros. O Fluminense, Rio de Janeiro, ano 107, n° xxx, pág,7, 16 fev de 1985 https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=100439_12&pesq=%22Col%C3%A9gio%20Municipal%20Honorino%20Coutinho%22&pasta=ano%20198&pagfis=44269O Fluminense, Rio de Janeiro, ano 107, n° 25.094(1), pág,7, 30 mai de 1985 http://memoria.bn.gov.br/DocReader/100439_12/46333
O nome da escola é uma homenagem a Honorino Carlos de Azeredo Coutinho, um influente fazendeiro e ex-vereador da localidade, cuja família possui um histórico de doações de terras para o bem público em Morro Grande, incluindo áreas para a capela, o posto de saúde e o Esporte Clube Morro Grande. BRITO, Quezia Marinho de Oliveira. Diversidade étnico-racial no Ensino Fundamental: um estudo de caso no Colégio Municipal Honorino Coutinho. 2009. 116 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Centro de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2009. www.unirio.br/ppgedu%29/dissertacoes/repositorio-de-dissertacoes/1f4c22009/dissertacao-ppgedu-quezia-marinho-de-oliveira-brito
A cidade de Araruama e a história indígena A cidade de Araruama está localizada na chamada Região dos Lagos, em uma região de planície e com duas lagoas importantes na região – Araruama e Juturnaíba - ocupando uma área territorial de 638,276 Km², e dividida em cinco distritos (1º Centro - sede, 2º Morro Grande, 3º Iguabinha, 4º Praia Seca e 5º São Vicente de Paulo). miniaturadaimagem|Cerâmica tupinambá encontrada em Araruama O território foi ocupado por grupos indígenas tupinambá, que eram horticultores e ceramistas, e está entre os lugares que têm as mais antigas datações de ocupação, há cerca de 3 mil anos .
Com a chegada dos europeus, no século XVI, a vida dos indígenas na região foi profundamente alterada: mudanças na organização social, envolvimento nos conflitos entre portugueses e franceses, escravização, catequese e diminuição da população em razão do processo de colonização.
A história indígena na cidade ganhou maior destaque após as pesquisas arqueológicas na região, que começaram nos anos 1950 e tiveram maior investimento nos anos 1990, com os trabalhos da arqueóloga Angela Maria Gonçalves Buarque, do Museu Nacional - UFRJ. No início dos anos 2000, diversas referências aos indígenas tupinambá foram feitas na cidade, como a criação da Medalha Tupinambá , a maior honraria municipal; criação do Museu Arqueológico de Araruama; publicação de um livro didático dando ênfase a história indígena entre outras atividades.
O colégio e o patrimônio arqueológico tupinambá A trajetória do Colégio Municipal Honorino Coutinho foi alterada em 1987, durante obras de ampliação da escola. Enquanto operários preparavam o terreno para uma horta, descobriram fragmentos cerâmicos e uma urna funerária indígena. A descoberta mobilizou a comunidade e as autoridades, levando à paralisação das obras para a realização de um salvamento arqueológico coordenado pela arqueóloga Maria Luiza de Luna Dias, com apoio do SPHAN (atual IPHAN). esquerda|miniaturadaimagem|Indicação do sítio arqueológico Morro Grande, em Araruama, Rio de Janeiro O sítio arqueológico encontrado recebeu o nome do distrito, Morro GrandeO Fluminense, Niterói, ano 116, n°33.715, Terceiro Caderno,pág,5, 08 de agos de 1993 http://memoria.bn.gov.br/DocReader/100439_13/31339, revelando que a escola foi erguida sobre uma antiga aldeia de povos ceramistas tupinambá. Os vestígios incluíam lascas de quartzo e uma densa camada de fragmentos cerâmicos, com urnas e tigelas, marcas de fogueiras e de estacas.
Os trabalhos da arqueóloga Angela Maria Gonçalves Buarque na região foram além das escavações, promovendo atividades de Educação Patrimonial junto a professores e alunos. Parte do material coletado foi levada para o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, mas fragmentos significativos permaneceram ou retornaram para exposição na própria unidade e no Museu Arqueológico de Araruama, que se encontra fechado. Atualmente, parte do acervo encontra-se na Casa de Cultura da cidade e está aberto à visitação.
A materialização da memória: a oca e Casa de Farinha Para consolidar a presença de referências à cultura indígena no currículo, o colégio investiu na criação de estruturas físicas que funcionam como espaços de ensino e divulgação cultural: miniaturadaimagem|Interior da oca, com réplicas de artefatos indígenas. A Oca Tupinambá: Construída em tamanho natural em 2003, a oca original funciona como um espaço cultural e educacional para exposição de réplicas de artefatos indígenas e material arqueológico encontrado no sítio. miniaturadaimagem|Casa de farinha no pátio da escola. A Casa de Farinha: Criada em 2004 a partir de um projeto pedagógico sobre alimentação, a Casa de Farinha foi construída utilizando a técnica tradicional do embarreio (pau-a-pique), com a participação ativa de pais, alunos e professores. O espaço busca valorizar a cultura da mandioca, herança direta dos povos originários, e serve como ponto de sociabilidade e aprendizado prático.
Por conta desta condição singular, o colégio foi integrado, à época, ao roteiro de Turismo Rural de Araruama, recebendo visitantes de diversas regiões e atuando como protagonista na difusão da história local. O colégio era aberto aos finais de semana também para receber visitantes que eram guiados por estudantes que faziam parte do projeto Jovem Cidadão.
Projeto "Guia Cultural" Atualmente, o colégio desenvolve diversas atividades relativas à memória indígena na região, como o evento anual em que apresenta atividades desenvolvidas sobre a cultura indígena. Agora, as visitas têm apenas caráter pedagógico e são mediadas pelos estudantes que participam do projeto "Guia Cultural".
O projeto Guia Cultural envolve alunos do segundo segmento do ensino fundamental (6º ao 9º ano), que são formados como multiplicadores da história local. Esses estudantes recebem os visitantes, explicando a importância do sítio arqueológico, apresentando a Sala de Patrimônio (denominada Sala de Memória, Arte e Criação Dra. Angela Buarque) e mediando o contato com os artefatos e réplicas expostos no local. Categoria:Educação Categoria:Patrimônio Categoria:História Categoria:Tupinambás Categoria:Arqueologia Categoria:Araruama Categoria:Escola Categoria:Ensino público