As relações entre Santa Sé e Arábia Saudita são os vínculos estabelecidos entre o Reino da Arábia Saudita e a Santa Sé, entidade soberana que governa a Igreja Católica e o Estado da Cidade do Vaticano. As duas partes não mantêm relações diplomáticas formais, embora realizem encontros de alto nível para fomentar o diálogo inter-religioso e abordar questões de interesse comum, especialmente relativas à liberdade religiosa e ao tratamento de comunidades cristãs no reino saudita.

Apesar da ausência de representação diplomática oficial, a Santa Sé mantém uma presença pastoral na região por meio da Delegação Apostólica para a Península Arábica, que abrange os países sem nunciatura apostólica, incluindo a Arábia Saudita.

Histórico

Primeiros contatos e a questão da liberdade religiosa Em novembro de 2007, o Rei Abdullah da Arábia Saudita realizou uma visita histórica ao Vaticano, sendo este o primeiro deslocamento de um monarca saudita à sede da Igreja Católica. O encontro com o Papa Bento XVI foi amplamente interpretado como um gesto de abertura do reino muçulmano para com o ocidente e as lideranças cristãs, estabelecendo um precedente para o diálogo institucional entre as duas esferas. Ao longo dos anos, foram apresentadas propostas para a construção de uma igreja em território saudita, com fundamento no histórico Tratado de Najran, firmado no entre o profeta Maomé e os habitantes cristãos da região da Arábia. Esse tratado é citado por defensores da abertura religiosa como um precedente islâmico para a tolerância e a coexistência pacífica com os cristãos na península Arábica.

A Arábia Saudita abriga uma numerosa comunidade de trabalhadores estrangeiros de confissão cristã, que, devido à legislação local que proíbe o culto público de religiões não islâmicas, são obrigados a deslocar-se a países vizinhos para participar de celebrações eucarísticas ou missas em igrejas católicas. Salvo nas cidades sagradas de Meca e Medina, onde o acesso de não muçulmanos é vedado, os cristãos podem entrar livremente nas demais regiões do país. As discussões entre os representantes da Santa Sé e as autoridades sauditas têm-se concentrado, prioritariamente, na garantia de condições dignas e justas a esses trabalhadores migrantes. A questão foi enfatizada pelo Papa Bento XVI em seu discurso ao corpo diplomático em janeiro de 2011, quando o pontífice expressou o desejo de que fosse estabelecida com brevidade uma hierarquia católica no reino, o que permitiria uma assistência espiritual mais adequada à crescente população cristã no país, bem como uma interlocução oficial entre a Igreja e o Estado saudita.

Avanços na cooperação cultural A partir da década de 2020, as relações entre a Santa Sé e a Arábia Saudita expandiram-se para o domínio da cooperação cultural. Em 2025, a Biblioteca Apostólica Vaticana participou da seção Al-Madar da Bienal de Artes Islâmicas, realizada em Gidá, cedendo manuscritos e obras raras de seu acervo para exposição. Tratou-se da primeira participação da instituição vaticana em um evento do gênero no reino saudita, configurando uma aproximação simbólica entre as duas esferas. No mesmo ano, as autoridades sauditas convidaram a Santa Sé para participar da Expo 2030, a ser sediada em Riade, em reconhecimento à influência internacional da Igreja Católica e como sinal de abertura a novos canais de interlocução, ainda que o estabelecimento de relações diplomáticas plenas entre os dois Estados não tenha sido concretizado.

Ver também Relações internacionais da Santa Sé Relações internacionais da Arábia Saudita Igreja Católica na Arábia Saudita

Referências

Arabia Saudita Categoria:Relações bilaterais da Arábia Saudita Categoria:Igreja Católica na Arábia Saudita