Anumane ibne Baxir ibne Sade Alançari (; c. –) foi um companheiro de Maomé e comandante militar que serviu ao Califado Omíada. Nascido em Medina, pertencia à tribo dos cazerajitas, integrante dos ançares. Foi partidário de Moáuia ibne Abi Sufiane durante a Primeira Fitna, combatendo ao seu lado na Batalha de Sifim em 657 contra o califa Ali ibne Abi Talibe. Em 659, comandou uma contra as forças de Ali em Aine Atanre. Durante o califado de Moáuia, exerceu os governos do Junde de Hómece e, posteriormente, de Cufa, entre 679 e 680. Após a morte do califa Iázide I, reconheceu Abedalá ibne Azobair como califa e voltou a governar Hómece. Em 684, depois da derrota de seus aliados zobaíridas na Batalha de Marje Raite, foi perseguido e morto enquanto fugia da cidade.
Vida
Anumane ibne Baxir nasceu em Medina durante o mês de Rabi Alarrir, quatorze meses após a Hégira, a migração do profeta Maomé de Meca para Medina. Pertencia aos cazerajitas, uma das principais tribos dos ançares. Segundo algumas autoridades muçulmanas, foi a primeira criança dos ançares a nascer após a Hégira. Seu pai, , foi um destacado companheiro de Maomé, enquanto sua mãe, , era irmã de outro ilustre companheiro ançar, Abedalá ibne Rauá. Anumane dedicou-se a vingar a morte do califa Otomão e tornou-se um declarado opositor do califa Ali ibne Abi Talibe . Durante o conflito entre Ali e o governador da Síria, Moáuia ibne Abi Sufiane, tornou-se partidário deste último e combateu na Batalha de Sifim, em 657, distinguindo-se da maioria dos ançares, que apoiava Ali. Em 659, comandou uma contra uma guarnição das forças de Ali em Aine Atanre, na região desértica ao sul de Hite, a oeste do Eufrates, mas foi repelido. Em data posterior à morte de , governador do Junde de Hómece, Moáuia, que se tornara califa em 661, nomeou Anumane, então estabelecido em Hómece, para sucedê-lo no governo da província. Em 679, Anumane foi nomeado governador de Cufa por Moáuia. No ano seguinte, após a morte do califa, foi mantido inicialmente no cargo por , mas acabou substituído por Ubaide Alá ibne Ziade, em parte devido à sua reação considerada branda diante das atividades de Muslim ibne Aquil, que mobilizava apoio na cidade em favor de Huceine ibne Ali. Em 682, Iázide enviou Anumane a Medina para reconciliar os ançares com seu governo, mas ele não conseguiu obter o apoio da população local.
Após a morte de Iázide, Anumane reconheceu Abedalá ibne Azobair, califa sediado em Meca e opositor dos omíadas, que o reconduziu ao antigo cargo de governador do Junde de Hómece. Isso o alinhou às tribos caicitas que dominavam o norte da Síria, bem como aos governadores de Damasco e da Palestina, Adaaque ibne Caice Alfiri e Natil ibne Caice Aljudami. As duas facções enfrentaram-se na Batalha de Marje Raite, em 684, ocasião em que Anumane enviou e os guerreiros himiaritas sob seu comando, pertencentes à guarnição de Hómece, para reforçar Adaaque. Ao receber a notícia de que as tribos caicitas lideradas por Adaaque haviam sido derrotadas pelos calbitas pró-omíadas, Anumane fugiu de Hómece com a esposa, , anteriormente casada com Moáuia, e seus filhos. Contudo, foi perseguido e morto por integrantes da guarnição da cidade em Dulrija de 64 A.H. (agosto de 684). Sua esposa e seus filhos foram poupados e colocados sob a proteção dos Banu Calbe, tribo à qual ela pertencia. Uma de suas filhas, Anra, casou-se com o governante pró-alida de Cufa, Almoquetar Atacafi. Após Almoquetar ser morto pelas forças zobaíridas em 687, Anra foi presa e executada por se recusar a condenar o marido. Ao tomar conhecimento de sua morte, o filho de Anumane, Abane, agrediu o responsável pela execução, sendo preso, mas posteriormente libertado pelos zobaíridas. Outra de suas filhas, , casou-se posteriormente com Alhajaje ibne Iúçufe. Pelo menos três descendentes de Anumane tornaram-se transmissores de hádices em meados do , e sua família apoiou militarmente o califa contra durante a Terceira Fitna em 744. Apesar de a família ter se colocado contra Iázide III, seu neto foi nomeado vice-governador de Cufa sob o governador omíada do Iraque, Abedalá ibne Omar ibne Abdalazize, após Iázide III ascender ao califado na sequência da morte de Alualide II, em 744. Segundo geógrafos árabes medievais, a cidade de Maarate Anumane recebeu esse nome em homenagem a Anumane.
Bibliografia
Categoria:Pessoas envolvidas na Primeira Guerra Civil Islâmica Categoria:Governadores omíadas de Hómece Categoria:Governadores omíadas de Cufa Categoria:Árabes do século VIII Categoria:Ançares Categoria:Cazerajitas