John Watts (Frimley, 27 de dezembro de 1954) é um músico, compositor, vocalista e artista multimédia britânico, reconhecido internacionalmente por ser o líder, principal compositor e membro fundador da banda de new wave Fischer-Z. Ao longo da sua carreira de mais de quatro décadas, Watts alternou entre lançamentos a solo e projetos sob o nome da banda, acumulando mais de dois milhões de álbuns vendidos globalmente.
Primeiros Anos e formação Watts nasceu em Surrey numa família com ligações à música vocal. Antes de se profissionalizar no meio musical, estudou psicologia clínica na Brunel University e trabalhou como assistente de saúde mental numa instituição psiquiátrica experimental na década de 1970. O contacto diário com contextos de crise psicológica influenciou diretamente o estilo performativo e a escrita das suas letras, marcadas por temáticas políticas, sociais e de observação humana.
Carreira
Fischer-Z (Primeira Fase) Em 1976, fundou os Fischer-Z na universidade juntamente com Steve Skolnik. Misturando a energia do punk com sonoridades pop e influências de reggae, o grupo assinou contrato com a United Artists Records em 1978. Watts compôs os maiores êxitos comerciais da primeira fase da banda, incluindo os temas "The Worker" (do álbum Word Salad, 1979) e "So Long" (do álbum Going Deaf for a Living, 1980).
Em 1981, após o lançamento do álbum focado na Guerra Fria Red Skies Over Paradise, a banda atingiu grande popularidade na Europa continental. No entanto, sentindo-se artisticamente limitado pela estrutura clássica de banda de rock, Watts dissolveu o grupo em 1981 para seguir uma carreira a solo.
Relação com Portugal
Em junho de 1980, o álbum de estreia Word Salad alcançou as dez primeiras posições do top de vendas em Portugal, antes mesmo de obter um impacto comercial equivalente no Reino Unido.
Novembro de 1980: Na sequência do sucesso alcançado pelo álbum Word Salad em Portugal, John Watts e os Fischer-Z realizaram a sua primeira digressão portuguesa. A tournée incluiu cinco concertos, passando pelo Coliseu dos Recreios, em Lisboa, pelo Pavilhão do Académico, no Porto, e ainda por Coimbra, Braga e Castelo Branco.
Maio de 1981: John Watts e os Fischer-Z participaram no espetáculo do programa radiofónico Febre de Sábado de Manhã apresentado por Júlio Isidro, realizado no Estádio de Alvalade, em Lisboa. O evento reuniu uma assistência estimada entre 40 000 e 50 000 espectadores, constituindo uma das maiores concentrações de público da carreira da banda em Portugal.
Circuito de festivais (2015–2019) – Após vários anos sem atuar regularmente em Portugal, John Watts regressou aos palcos nacionais durante a década de 2010, participando em diversos festivais e eventos de verão. Entre as atuações destacam-se os concertos em Santiago do Cacém (2015), nas Festas de São Mateus, em Soure (2016), e no Festival de Vilar de Mouros (2019), reforçando a relação duradoura dos Fischer-Z com o público português.
Em setembro de 2026, no âmbito da digressão comemorativa dos 50 anos de carreira, John Watts regressa a Portugal para atuar no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, e na Casa da Música, no Porto. O concerto de Lisboa, anunciado como o maior espetáculo da banda em 2026 e destinado a gravação oficial em vídeo, coincide com o lançamento mundial do álbum X-Ray Serenade, editado no próprio dia 4 de setembro.
Carreira a solo e reformulação
Lançou os seus primeiros álbuns a solo, One More Twist (1982) e The Iceberg Model (1983). Em 1984, formou temporariamente um projeto paralelo chamado The Cry.
Em 1987, Watts decidiu retomar o nome Fischer-Z, passando a utilizá-lo essencialmente como o seu veículo criativo individual e assinando a solo a totalidade das composições a partir do álbum Reveal.
Ao longo dos anos seguintes, continuou a lançar álbuns e a realizar digressões, cruzando o rock tradicional com explorações de big beat e poesia falada, como no projeto multimédia Bigbeatpoetry (1999).
Produção multimédia
A partir da década de 1990, John Watts expandiu a sua produção artística para além da música convencional, assumindo-se como um artista multimédia, poeta e dramaturgo. O seu foco criativo passou a centrar-se na fusão de literatura, artes visuais e vídeo.
Entre os seus projetos conceituais mais marcantes encontram-se: Bigbeatpoetry (1999): Um trabalho assinado apenas como "Watts" onde cruza poesia falada de intervenção social com colagens de áudio e batidas eletrónicas. Real Life Is Good Enough (2005): Uma obra descrita como multimédia orgânico, composta por um disco musical e um livro de 60 páginas contendo contos e poemas de sua autoria. It Has To Be (2006): Um projeto interativo baseado em documentários de curta-metragem realizados por Sarah Vermeersch, gravados durante as viagens de Watts, retratando as histórias de vida de cidadãos comuns que serviram de base às canções. PUNKT! (2025): Uma obra multidimensional concebida como um todo conceptual unificado, integrando dez temas musicais, dez peças de arte plástica e um filme estruturado em dez capítulos.
Adicionalmente, Watts explorou a escrita dramatúrgica, tendo escrito e encenado uma peça de teatro apresentada no prestigiado Festival de Edimburgo.
Discografia Selecionada
A Solo / Outros nomes One More Twist (1982) The Iceberg Model (1983) Quick Quick Slow (1984) — como "The Cry" Thirteen Stories High (1997) Bigbeatpoetry (1999) Real Life Is Good Enough (2005)
Com os Fischer-Z Word Salad (1979) Going Deaf for a Living (1980) Red Skies Over Paradise (1981) Reveal (1987) Fish's Head (2002) Swimming in Thunderstorms (2019) X-Ray Serenade (2026 - sai a 4 de setembro) Ver também Fischer-Z
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