Dorinato de Oliveira Lima (Entre Rios de Minas, 2 de julho de 1886 — Belo Horizonte, 13 de fevereiro de 1947) foi um médico e político brasileiro. Cirurgião e especialista na glândula tireoide, ele usou de seu renome para a carreira política, na qual foi grande aliado de Benedito Valadares no cenário estadual. Dorinato, além de parlamentar, foi presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais durante a década de 1930.

Biografia

Vida antes da política Apesar de ter nascido em Entre Rios de Minas, em 1886, Dorinato Lima concluiu o segundo grau em Juiz de Fora, na Academia do Comércio. Em 1914 diplomou-se médico pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Dois anos mais tarde se mudou para Itaúna após casar-se com Geni Nogueira Lima, filha de Josias Machado e sobrinha de Augusto Gonçalves de Souza. Foi nessa cidade que Dorinato ganhou projeção estadual como cirurgião, especialmente dedicado à extração do bócio (o popular "papo"), na Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira, o hospital municipal. Tanto que, em 1927, Dorinato viajou à Europa para fazer cursos de aperfeiçoamento na Alemanha, França e Suiça. Depois de 14 anos em Itaúna, Dorinato transferiu-se para Belo Horizonte por motivos, inicialmente, profissionais. No entanto, na capital estadual, Dorinato se aproximou de Mário Matos, e, consequentemente, da política. Assim como seu amigo, Dorinato tinha uma tendência política chamada à época de "melovianismo".

Carreira pública Também por intermédio de Mário, Dorinato passou a ser próximo de Benedito Valadares, então interventor federal em Minas Gerais. Foi por indicação do paraminense que Dorinato Lima foi nomeado por Getúlio Vargas, em 28 de maio de 1934, como membro do Conselho Consultivo do Estado de Minas, órgão criado para substituir as assembleias legislativas após a Revolução de 1930. No mesmo ano ocorreram eleições diretas para a Assembleia Constituinte Estadual, na qual Dorinato também foi eleito, sob a sigla do Partido Progressista, organizado justamente por Benedito Valadares, portanto, um partido situacionista.

Segundo a Constituição elaborada, o mandato dos deputados eleitos para a Constituinte deveria findar-se em 4 de abril de 1939, mas, com o golpe do Estado Novo, em novembro de 1937, ele foi bruscamente abreviado, assim como a carreira política de Dorinato, que não mais se envolveria em política. Apesar da curta duração do mandato, Dorinato conseguiu eleger-se presidente da casa, em agosto de 1936, mesmo sendo considerado por muitos políticos e cronistas influentes da época um "ilustre desconhecido" e ridicularizado por sua fama de "médico de papudo". Em agosto de 1937, mesmo contrariando os prognósticos, foi reeleito. Nesse período, tornou-se braço direito de Valadares, agindo como aliado fundamental para o governo dele. Tamanha foi a amizade que Dorinato afirmou só ter se candidatado em 1934 para votar em Benedito Valadares para governador constitucional.

Nas eleições de 1938, as quais também não ocorreram devido ao Estado Novo, Dorinato provavelmente concorreria como candidato a deputado federal.

Desempenho eleitoral AnoEleiçãoCargoPartidoVotosResultadoRef.1ºT2ºT1934Estadual de MGDeputado EstadualProgressista Mineiro7.737249.7381938Deputado FederalEleições Canceladas (Estado Novo)

Pós mandato e morte Após o fim abrupto de seu mandato, Dorinato voltou a dedicar-se à medicina até sua morte, em 13 de fevereiro de 1947, com sessenta anos de idade. Deixou sua esposa e dois filhos, Tito e Fabre.

Ver também

Assembleia Legislativa de Minas Gerais Benedito Valadares Mário Gonçalves de Matos

Referências

Categoria:Nascidos em 1886 Categoria:Naturais de Entre Rios de Minas Categoria:Políticos de Minas Gerais Categoria:Médicos de Minas Gerais