Ume Cultume ibne Uqueba ibne Abi Muaite () foi uma companheira de Maomé, pertencente aos Banu Omaia. Filha de Uqueba ibne Abi Muaite e meia-irmã materna do califa Otomão ibne Afane, distinguiu-se por emigrar sozinha de Meca para Medina após o Tratado de Hudaibia, tornando-se a única mulher coraixita conhecida por realizar a Hégira desacompanhada da família. Seu caso motivou a revelação dos versículos 10 e 11 da sura al-Mumtahina, que determinaram que as mulheres crentes emigradas não fossem devolvidas aos coraixitas conforme as cláusulas do tratado. Posteriormente casou-se com Zaíde ibne Harita, Azobair ibne Alauame, Abederramão ibne Aufe e Anre ibne Alas, transmitindo diversos hádices preservados nas principais coleções do islão.
Vida
Ume Cultume era filha de Uqueba ibne Abi Muaite, um dos principais líderes dos coraixitas e conhecido opositor de Maomé, e de , uma das primeiras convertidas ao islão. Por parte de mãe, era meia-irmã do futuro califa Otomão ibne Afane. Ainda em Meca, antes da Hégira, prestou juramento de fidelidade a Maomé e abraçou o islão, apesar da oposição de sua família. Após a celebração do Tratado de Hudaibia, em 628, deixou Meca durante a noite e percorreu a pé o caminho até Medina. Sua atitude lhe valeu a reputação de única mulher coraixita a emigrar desacompanhada dos familiares e da primeira mulher a realizar a Hégira depois do próprio profeta. Pouco depois de sua chegada, seus irmãos Alualide e Omara foram a Medina para exigir seu retorno, invocando a cláusula do tratado que previa a devolução dos habitantes de Meca que buscassem refúgio entre os muçulmanos. Maomé recusou o pedido, afirmando que tal disposição não se aplicava às mulheres e que os versículos 10 e 11 da sura al-Mumtahina, então revelados, proibiam a devolução das mulheres cuja sinceridade na fé fosse comprovada. Depois de estabelecer-se em Medina, Ume Cultume casou-se com Zaíde ibne Harita. Após a morte dele, contraiu matrimônio com Azobair ibne Alauame, união da qual nasceu uma filha chamada Zainabe. O casamento terminou em divórcio e, posteriormente, ela desposou Abederramão ibne Aufe, com quem teve os filhos Ibraim e Humaide, ambos reconhecidos posteriormente como transmissores de hádices. Após a morte de Abederramão, em 652, casou-se pela quarta vez com Anre ibne Alas, mas morreu cerca de um mês depois. Embora a data exata de sua morte seja desconhecida, as fontes registram que ela ocorreu durante o califado de Ali ibne Abi Talibe, entre 656 e 661.
Hádices
As fontes registram que Ume Cultume transmitiu dez hádices de Maomé, reunidos no Musnade de Baqui ibne Maclade. Seus relatos também foram preservados em quase todas as principais coleções canônicas, incluindo o Musnade de Amade ibne Hambal e as coleções de Anaçai, Albucari, Muslim ibne Alhajaje, e Atirmidi. Um de seus hádices mais conhecidos afirma que "quem procura reconciliar duas pessoas, transmitindo palavras conciliatórias e promovendo o bem entre elas, não é considerado mentiroso". Entre seus principais discípulos figuram seus filhos Ibraim e Humaide, ambos filhos de Abederramão ibne Aufe, além de .
Bibliografia
Categoria:Árabes do século VII Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Mulheres do século VII Categoria:Banu Omaia