Donna Lease Brazile (Kenner, 15 de dezembro de 1959) é uma estrategista política, gerente de campanhas e analista política norte-americana que exerceu, em duas ocasiões, o cargo de presidente interina do Comitê Nacional Democrata (DNC). Atualmente é comentarista da ABC News, tendo anteriormente atuado como comentarista da Fox News até sua renúncia, em maio de 2021. Brazile também foi comentarista da CNN, mas renunciou em outubro de 2016 após o WikiLeaks revelar que ela havia compartilhado duas perguntas de debates presidenciais com a campanha de Hillary Clinton durante a eleição presidencial nos Estados Unidos em 2016.
Membro do Partido Democrata, Brazile foi a primeira mulher afro-americana a dirigir uma importante campanha presidencial, atuando como gerente da campanha de Al Gore na eleição presidencial nos Estados Unidos em 2000.
Também trabalhou em diversas campanhas presidenciais de candidatos democratas, incluindo as de Jesse Jackson, da chapa Walter Mondale–Geraldine Ferraro em 1984 e de Dick Gephardt nas primárias do Partido Democrata de 1988.
Exerceu o cargo de presidente interina do Comitê Nacional Democrata na primavera de 2011 e, novamente, entre julho de 2016 e fevereiro de 2017. Primeiros anos de vida
Brazile nasceu em Nova Orleans, Luisiana, filha de Jean Marie (Brown) e Lionel Joseph Brazile,, sendo a terceira de nove filhos. O sobrenome de sua família era "Braswell" algumas gerações antes.
Brazile interessou-se por política aos nove anos de idade, quando um candidato local prometeu construir um parque infantil em seu bairro. Durante o ensino médio, participou do programa TRIO Upward Bound. Formou-se em psicologia industrial pela Universidade Estadual da Luisiana (LSU) em 1981 e foi pesquisadora associada (fellow) no Institute of Politics da John F. Kennedy School of Government da Universidade Harvard.
Após concluir a graduação na LSU, Brazile trabalhou para diversos grupos de defesa de direitos em Washington, D.C., e teria desempenhado um papel importante na campanha bem-sucedida para tornar o aniversário de Martin Luther King Jr. um feriado federal nos Estados Unidos.
Ainda adolescente, Brazile trabalhou como voluntária na campanha presidencial de Jimmy Carter e Walter Mondale em 1976. Posteriormente, enquanto era estudante da LSU, também atuou como voluntária na campanha de reeleição da chapa Carter–Mondale nas eleições presidenciais de 1980. Estrategista política
Brazile trabalhou em diversas campanhas presidenciais de candidatos do Partido Democrata, incluindo as de Jesse Jackson em 1984, da chapa Walter Mondale–Geraldine Ferraro em 1984 e de Dick Gephardt nas primárias democratas de 1988.
Após Gephardt perder as primárias em 1988, Brazile atuou como diretora-adjunta de campo da campanha presidencial de Michael Dukakis nas eleições gerais. Em 20 de outubro de 1988, ganhou destaque na imprensa ao declarar a um grupo de jornalistas que George H. W. Bush precisava "confessar" rumores não comprovados de um relacionamento extraconjugal. Brazile afirmou: "O povo americano tem todo o direito de saber se Barbara Bush compartilhará a mesma cama com ele na Casa Branca". A campanha de Dukakis repudiou imediatamente as declarações, e o candidato a demitiu de sua equipe pouco depois da divulgação do episódio. Quatro anos depois, a suposta relação entre George H. W. Bush e Jennifer Fitzgerald voltou brevemente ao debate durante a campanha presidencial de 1992 contra Bill Clinton, que também enfrentava rumores de relacionamentos extraconjugais.
Durante a década de 1990, Brazile foi chefe de gabinete e secretária de imprensa da delegada ao Congresso Eleanor Holmes Norton, representante do Distrito de Colúmbia, onde auxiliou na condução do orçamento distrital e da legislação local no Capitólio. Também atuou como assessora da campanha presidencial de Bill Clinton em 1992 e de sua campanha à reeleição em 1996.
Em 1999, Brazile foi nomeada gerente-adjunta da campanha presidencial do vice-presidente Al Gore e, posteriormente, promovida a gerente da campanha para a eleição presidencial nos Estados Unidos em 2000, tornando-se a primeira mulher afro-americana a dirigir a campanha presidencial de um dos principais partidos políticos dos Estados Unidos.
Após a devastação causada pelo furacão Katrina, Brazile foi nomeada pela governadora Kathleen Blanco para integrar o conselho diretor da Louisiana Recovery Authority, no qual atuou entre 2005 e 2009. Posteriormente, doou seus arquivos pessoais às Louisiana and Lower Mississippi Valley Collections, da Divisão de Coleções Especiais das Bibliotecas da Universidade Estadual da Luisiana, localizada na Hill Memorial Library. Atuação no Comitê Nacional Democrata
Após a disputa pós-eleitoral sobre a contagem de votos na eleição presidencial nos Estados Unidos na Flórida em 2000, Brazile foi nomeada presidente do Voting Rights Institute (Instituto de Direitos de Voto) do Comitê Nacional Democrata.
Eleição presidencial de 2008
Na eleição presidencial de 2008, atuou como superdelegada em reconhecimento ao seu trabalho nas campanhas de Bill Clinton e Al Gore.
Como delegada da Convenção Nacional Democrata, Brazile evitou declarar publicamente qual era sua candidata ou candidato preferido à indicação presidencial do Partido Democrata. Em uma entrevista ao humorista político Stephen Colbert, afirmou: "Olhem, sou mulher, então gosto da Hillary. Sou negra, então gosto do Obama. Mas também sou rabugenta, então gosto do John McCain".
As eleições primárias democratas de 2008 na Flórida e em Michigan inicialmente resultaram na desqualificação dos delegados desses dois estados para a Convenção Nacional Democrata, uma vez que ambos haviam antecipado a realização de suas primárias em desacordo com as regras do Comitê Nacional Democrata. Brazile declarou: "Precisamos enviar uma mensagem de que não se pode desafiar as regras", acrescentando: "Ao longo da minha carreira, acho que consegui irritar praticamente todos os estados".
Na reunião do Comitê de Regras que definiu a distribuição final dos delegados desses estados, Brazile afirmou: "Minha mãe me ensinou a jogar de acordo com as regras e a respeitá-las. Minha mãe me ensinou, e tenho certeza de que a mãe de vocês também ensinou, que quando se decide mudar as regras no meio do jogo, ou no final do jogo, isso se chama trapaça".
Brazile criticou duramente a Emenda Stupak–Pitts, que impunha restrições ao financiamento público de abortos no contexto da tramitação da Affordable Health Care for America Act, em novembro de 2009. Eleição presidencial de 2012
Durante algumas semanas na primavera de 2011, Brazile exerceu o cargo de presidente interina do Comitê Nacional Democrata. Como vice-presidente do DNC, liderou a organização durante o período de transição entre o presidente cessante, Tim Kaine, que renunciou para disputar a eleição para o Senado dos Estados Unidos na Virgínia em 2012, e sua sucessora, a congressista da Flórida Debbie Wasserman Schultz, que, de acordo com as regras do partido, só poderia assumir o cargo pelo menos quinze dias após sua nomeação, em 5 de abril de 2011. Após a posse de Wasserman Schultz como presidente do DNC, Brazile retornou ao cargo de vice-presidente.
Eleição presidencial de 2016
miniaturadaimagem|Brazile faz campanha para Hillary Clinton no Nashua Community College, em Nova Hampshire, em 7 de outubro de 2016.
Depois que Debbie Wasserman Schultz renunciou à presidência do Comitê Nacional Democrata em 24 de julho de 2016, no início da Convenção Nacional Democrata de 2016, Brazile foi nomeada presidente interina do DNC.
Brazile foi responsável por um plano de campanha que destinou recursos para aumentar a participação eleitoral em centros urbanos como Chicago e Nova Orleans — embora nem Illinois nem Luisiana fossem estados considerados competitivos — devido ao receio de que Hillary Clinton vencesse no Colégio Eleitoral, mas perdesse no voto popular. Compartilhamento de perguntas de debates com a campanha de Clinton
Um conjunto de mensagens eletrônicas divulgado pelo WikiLeaks entre os e-mails de John Podesta revelou que Brazile enviou, em 5 de março de 2016, uma mensagem para John Podesta e Jennifer Palmieri com o assunto: "One of the questions directed to HRC tomorrow is from a woman with a rash" ("Uma das perguntas dirigidas à HRC amanhã será de uma mulher com uma erupção cutânea"). A mensagem prosseguia: "her family has lead poison and she will ask what, if anything, will Hillary do as president to help the ppl of Flint" ("a família dela foi envenenada por chumbo e ela perguntará o que, se alguma coisa, Hillary fará como presidente para ajudar as pessoas de Flint"). No debate realizado em Flint no dia seguinte, Hillary Clinton recebeu uma pergunta semelhante da integrante da plateia Mikki Wade, cuja família havia sido afetada pela contaminação da água da cidade.
Em 11 de outubro de 2016, outro lote de e-mails divulgado pelo WikiLeaks incluiu uma mensagem enviada por Brazile, em 12 de março de 2016, à diretora de comunicações da campanha de Clinton, Jennifer Palmieri, com o assunto: "From time to time I get questions in advance" ("De vez em quando recebo as perguntas antecipadamente"). Na mensagem, Brazile demonstrava preocupação com a capacidade de Clinton de responder a uma pergunta sobre a pena de morte e, em um debate promovido pela CNN no dia seguinte, a candidata recebeu uma pergunta semelhante sobre esse tema. Segundo o blogue especializado Errata Security, a autenticidade do e-mail foi verificada por meio de um programa comum de validação e do sistema DKIM.
Inicialmente, Brazile negou veementemente ter recebido ou fornecido à campanha de Clinton qualquer pergunta antecipada para debates, classificando o WikiLeaks como "esses lamentáveis vazadores tentando atrapalhar meu ritmo". Ela também acusou o repórter Jordan Chariton, do TYT Politics, de "importunar uma mulher". Questionada pela apresentadora da Fox News Megyn Kelly, Brazile afirmou: "Como mulher cristã, entendo o que é perseguição. Não vou ficar aqui sendo perseguida porque suas informações são totalmente falsas".
O jornalista Jake Tapper, ex-colega de Brazile na CNN, declarou que o vazamento de uma pergunta para uma candidata à presidência era "muito, muito perturbador" e acrescentou que, "do ponto de vista jornalístico, é algo horrível". Brazile, por sua vez, afirmou que sua consciência estava "muito tranquila". Posteriormente, comentou: "Se tivesse que fazer tudo de novo, eu saberia muito mais sobre segurança cibernética".
Em palestra realizada em 12 de outubro de 2016 na Faculdade de Jornalismo e Comunicação de Massa da Universidade de Nebraska–Lincoln, Brazile condenou os vazamentos, que, segundo autoridades de inteligência dos Estados Unidos, haviam sido promovidos pela Rússia, afirmando que tinham o objetivo de "manipular uma eleição, desestabilizar, desacreditar ou destruir nossa democracia" e, em última análise, "produzir um resultado mais favorável a eles e aos seus interesses".