Um canelé (; ) é um pequeno bolo doce de origem francesa aromatizado com baunilha e rum. Seu interior macio constrasta com o exterior crocante e caramelizado. Em sua forma original costuma ter cerca de 60 g, até 5 cm de altura e formato cilindrico. É originário da região de Bordéus, mas pode ser encontrado em confeitarias de toda a França. Em tempos recentes, tem ganhado popularidade em cafés e confeitarias de grandes centros do Brasil.

História

A origem do canelé é tradicionalmente atribuída ao Convento das Anunciadas (Couvent des Annonciades), em Bordéus, entre os séculos XV e XVIII. Seu nome deriva do gascão, língua historicamente falada na região. A criação da receita conhecida atualmente, contudo, é incerta. No século XVIII, era vendido em Bordéus um alimento originário de Limoges chamado canole (ou canaulé), que consistia em um pão feito com farinha e gemas de ovo. Embora alguns ingredientes sejam semelhantes, é difícil estabelecer uma relação definitiva entre as duas especialidades. Um molde canelado foi mencionado em um documento jurídico de 1792, mas não há evidências que o associem ao canelé. A ausência de referências ao canelé em publicações especializadas do final do século XIX e do início do século XX pode ser interpretada tanto como indício de que a receita havia caído em desuso quanto de que sua origem seja mais recente. A primeira menção comprovada ao canelé encontra-se no romance La Maison au bord du fleuve, da escritora de bordelaise Jean Balde, publicado em 1937.

O canelé moderno ressurgiu no século XX, quando um confeiteiro anônimo adaptou a antiga receita ao acrescentar rum e baunilha, além de popularizar seu formato cilíndrico. A grafia atual, canelé, foi oficializada em 1985 com a criação da Confrérie du Canelé de Bordeaux, que registrou o nome como marca coletiva. Desde então, sua produção cresceu rapidamente, tornando-se uma das especialidades gastronômicas mais emblemáticas de Bordéus. Em razão desse registro, o canelé específico da região de Bordéus passou a ser comumente grafado com apenas um n. No entanto, seguindo as regras ortográficas do francês, a Academia Francesa recomenda a grafia cannelé. Fora da França, ambas as grafias são utilizadas.

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