Elisabeth Schüssler Fiorenza (17 de abril de 1938) é uma teóloga romano-católica feminista alemã nascida na Roménia, atualmente Professora de Pesquisa Krister Stendahl de Divindade na Harvard Divinity School.

Vida Elisabeth Schüssler nasceu a 17 de abril de 1938, em Cenad, uma localidade na região de Banato do Reino da Romênia, onde ela pertencia à população Swabiana do Banato católica falante de alemão de uma comunidade etnicamente misturada. Enquanto o exército russo avançava pela Roménia no fim de 1944, ela e os seus pais fugiram para o sul da Alemanha. Eles subsequentemente mudaram-se para Frankfurt, onde andou em escolas locais. Ela então recebeu o seu Theologicum (Licenciatura de Teologia Sagrada) da Universidade de Würzburgo em 1963, a sua tese publicada em alemão como Der vergessene Partner (O Parceiro Esquecido) em 1964. Ela subsequentemente obteve um Doutor de Teologia Sagrada da Universidade de Münster. Em 1967, ela casou com Francis Schüssler Fiorenza, um teólogo estadunidense que estava a estudar na Alemanha. Em 1970, ambos conseguiram dar aulas na Universidade de Notre Dame. Enquanto em Notre Dame, tiveram a sua filha Christina. Schüssler Fiorenza então ensinou na Episcopal Divinity School em Cambridge, Massachusetts.

Em 1984, Schüssler Fiorenza, junto com outros 96 teólogos e pessoas religiosas, assinaram Uma Declaração Católica sobre Pluralismo e Aborto, pedindo por pluralismo religioso e discussão dentro da Igreja Católica sobre a posição da igreja sobre o aborto. Em 1995, a Faculdade de Teologia da Universidade de Uppsala na Suécia premiou Schüssler Fiorenza com um doutorado honorário.

Schüssler Fiorenza identifica-se como católica e as suas obras são geralmente no contexto do Cristianismo, embora muitas das suas obras tenham uma aplicabilidade mais alargada.

Trabalhos Schüssler Fiorenza subsequentemente tornou-se uma co-fundadora do Jornal de Estudos Feministas em Religião (do qual ainda é editora). Ela foi então nomeada como a primeira Professora de Pesquisa Krister Stendahl de Divindade da Harvard Divinity School. O seu falecido marido, Francis Schüssler Fiorenza, também era um Professor de Estudos Romano-Católicos na mesma instituição.

Schüssler Fiorenza também serviu no quadro de editores da Concilium e é uma antiga editora adjunta do Catholic Biblical Quarterly. Ela foi eleita membro da Associação Bíblica Católica em 1971, foi a primeira mulher eleita presidente da Sociedade de Literatura Bíblica (1987), e foi eleita à Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos em 2001.

In Memory of Her: A Feminist Theological Reconstruction of Christian Origins é um dos livros mais antigos e melhor conhecidos de Schüssler Fiorenza. Esta obra, que argumenta pela recuperação das contribuições ignoradas das mulheres no início da igreja cristã, colocou um padrão alto para o rigor histórico na teologia feminista. Adicionalmente, ela publicou alargadamente em jornais e antologias.

Schüssler Fiorenza foi creditada como cunhando a palavra quiriarcado no seu livro But She Said: Feminist Practices of Biblical Interpretation.

In Memory of Her e Paulo o Apóstolo Na sua reconstrução do Cristianismo primitivo em In Memory of Her, Schüssler Fiorenza discute São Paulo detalhadamente. Ela explora as suas epístolas como também a narrativa do seu ministério nos Atos dos Apóstolos. Alguns vêm a relação entre Paulo o Apóstolo e mulheres como misógina, apontando passagens controversas sobre a subordinação das mulheres, o seu silência necessário na igreja, e mais. Schüssler Fiorenza rejeita esta noção e aprofunda-se nas histórias para encontrar o Paulo real e a sua relação com mulheres.

Ela discute os vários encontros de Paulo com mulheres pelas obras cânone e apócrifas, assinalando que durante, Paulo via as mulheres como iguais tanto como pessoas e no ministério. Atenção particular é dada aos Atos de Paulo e Tecla, uma história que, apesar de ter o nome de Paulo no título, é primariamente sobre santidade e ministério da sua extraordinária companhia feminina.

Para se concentrar na fonte da sua reconstrução da igualdade de género, Schüssler Fiorenza vira-se para um dos principais versos teológicos de Paulo, Gálatas 3:28: "'Não há diferença entre judeus e não-judeus, entre escravos e pessoas livres, entre homem e mulher. Agora constituem um todo em união com Cristo Jesus." Schüssler Fiorenza vê esta declaração como "uma expressão chave ... do auto-entendimento teológico do movimento missionário cristão que teve impacto histórico alargado". Também combateu o entendimento gnóstico que "tornar-se um discípulo significa para a mulher tornar-se 'homem', 'como homem', e abrir mão dos seus poderes sexuais de procriação, porque o princípio masculino representa o reino celestial, angélico e divinal, onde o princípio feminino representa ou a fraqueza humana ou o mal." Nas comunidades cristãs de Paulo, as mulheres não tinham que se tornar como homens para serem mais santas; elas simplesmente tinham de seguir Cristo. Da perspetiva de Schüssler Fiorenza, esta declaração em Gálatas é uma confirmação da legitimidade de, entre outras populações marginalizadas, mulheres no ministério.

Ela também discute os códigos domésticos encontrados em e , como também o que podia ser montado de Efésios. Ela argumenta que as casas e a "igreja" alojada nelas seriam originalmente espaços de igualdade de género mas à medida que o Cristianinismo cresceu e foi confrontado com maior pressão de se conformar com a cultura greco-romana, o sexismo teria começado a entrar. Papéis co-iguais no ministério, como o gabinete primitivo de bispo, eram considerados "[situações] socialmente voláteis." Isto, combinado com um desejo de tomar o poder da igreja das mãos das mulheres ricas, levaram à introdução do patriarcado à igreja Paulina.

Enquanto que as restrições misóginas e versos frequentemente citados eram uma parte das epístolas de Paulo de alguma forma, Schüssler Fiorenza insiste que elas existiam para ajudar a acalmar as tensões entre a igreja e a cultura à volta, como também afastar a perceção de ser um culto. No entanto, comunidades pós-Paulinas e pseudo-Paulinas "[retiraram] estas restrições para mudar a igualdade em Cristo entre mulheres e homens ... numa relação de subordinação."

But She Said: Feminist Practices of Biblical Interpretation But She Said: Feminist Practices of Biblical Interpretation é tanto uma expansão das suas obras anteriores como também uma aventura nas interpretações bíblicas feministas a desenvolverem-se. Schüssler Fiorenza procura atender uma prática feminista de interpretar textos bíblicos em maneiras que ajudam a luta das mulheres por liberdade e criar espaço para esta re-visão dos textos bíblicos ocorrer. Chave ao objetivo de Schüssler Fiorenza é a desconstrução de uma teologia limitante que domina a paisagem de interpretação bíblica. Mais que meramente nomear a disposição patriarcal das ideologias bíblicas tradicionais e limitadas, ela expõe a sua natureza elitista, racista e classicista, assim identificando-as como quiriarcal. Ao apontar as falhas desta perspetiva limitada, ela intenciona que os vieses quiriarcais dos interpretadores anteriores podem não passar para o discurso bíblico contemporâneo. Schüssler Fiorenza avança com este propósito ao interagir em conversas com teorias feministas e o processo de interpretação bíblica. Um elemento chave da contribuição de Schüssler Fiorenza à interpretação bíblica deste livro é a apresentação da interpretação como uma dança espiral. Schüssler Fiorenza usa a analogia de uma dança para representar a sua abordagem, incluindo estratégias feministas de interpretação bíblica e retórica de liberação, visto que interpretação não é conseguida de uma forma puramente linear mas, por sua vez, consiste em estratégias que devem ser repetidas como os passos de uma dança. Rejeitando alegações de objetividade e neutralidade, a abordagem de Fiorenza à interpretação bíblica dá ênfase ás posições sociais e históricas de ambos o leitor e o texto, assim reconhecendo que todas as leituras dos textos, pela história, são influenciadas por diferentes perspetivas e interesses.

Numa secção posterior da sua obra, Schüssler Fiorenza articula uma visão para uma comunidade na qual uma leitura feminista da bíblia pode tomar lugar. Esta ekklesia de mulheres deve ser mantida por igualdade radical e ter um espaço no qual lutas feministas pela transformação das instituições sociais e religiosas podem ser realizadas.Fiorenza, Elisabeth (1992). But she said: Feminist practices of biblical interpretation. Beacon Press. p. 130. Como uma comunidade teórica e real de interpretadoras bíblicas, a ekklesia é uma estrutura que vai contra interpretações que levaram a dominação. A ekklesia de mulheres é um local marcado por pluralidade, reflexão crítica e um comprometimento à liberação.

Obras publicadas

Der vergessene Partner: Grundlagen, Tatsachen und Möglichkeiten der beruflichen Mitarbeit der Frau in der Heilssorge der Kirche (1964) Priester für Gott: Studien zum Herrschafts- und Priestermotiv in der Apokalypse, NTA NF 7 (1972) The Apocalypse (1976) Hebrews, James, 1 and 2 Peter, Jude, Revelation. Proclamation Commentaries together with Fuller, Sloyan, Krodel, Danker (1977 /1981) Invitation to the Book of Revelation: A Commentary on the Apocalypse with Complete Text from the Jerusalem Bible (1981) Lent. Proclamation II: Aids for Interpreting the Lessons of the Church Year. Series B, [junto com Urban T. Holmes] (1981) In Memory of Her: A Feminist Theological Reconstruction of Christian Origins (1983) Bread Not Stone: The Challenge of Feminist Biblical Interpretation (1985) Revelation: Vision of a Just World (1991) But She Said: Feminist Practices of Biblical Interpretation (1992) Discipleship of Equals: A Critical Feminist Ekklesialogy Of Liberation (1993) Jesus: Miriam's Child, Sophia's Prophet: Critical Issues in Feminist Christology (1994) The Power of Naming (1996) Sharing Her Word: Feminist Biblical Interpretation in Context (1998) Rhetoric and Ethic: The Politics of Biblical Studies (1999) Jesus and the Politics of Interpretation (2000) Wisdom Ways: Introducing Feminist Biblical Interpretation (2001) Nono capítulo de Transforming the Faiths of our Fathers: Women who Changed American Religion, editado por Ann Braude. (2004) The Power of the Word: Scripture and the Rhetoric of Empire (2007) The Transforming Vision: Explorations in Feminist The*logy (2011) "Changing the Paradigms: Toward a Feminist Future of the Biblical Past." In Future of the Biblical Past, 289–305. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2012. Changing Horizons: Explorations in Feminist Interpretation (2013)

Referências

Categoria:Alunos da Universidade de Würzburgo Categoria:Professores da Universidade de Notre Dame Categoria:Alunos da Universidade de Münster Categoria:Membros da Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos Categoria:Feministas católicas Categoria:Pessoas vivas Categoria:Nascidos em 1938 Categoria:!Artigos com hCards