Os balitas () são uma tribo árabe presente no noroeste da Arábia Saudita e na Jordânia, com presença histórica também no Egito e no Sudão. Constituem um dos principais ramos da confederação dos cudaaítas. No período pré-islâmico, os ramos meridionais da tribo habitavam o noroeste da Arábia e desenvolveram estreitas relações com as comunidades judaicas estabelecidas nos oásis da região, enquanto os ramos setentrionais se fixaram na Transjordânia e atuaram como auxiliares do Império Bizantino. Com o advento do islã, os balitas estabelecidos em Medina converteram-se à nova religião, e vários deles morreram combatendo os coraixitas de Meca. Os balitas desempenharam papel destacado na conquista muçulmana do Egito, para onde uma parcela significativa da tribo foi transferida. Inicialmente estabeleceram-se no Médio Egito, mas, durante o período mameluco, migraram gradualmente para o Sudão, contribuindo de forma significativa para a arabização e a islamização da região. A tribo permaneceu politicamente ativa na Arábia até a Primeira Guerra Mundial e participou dos conflitos fronteiriços entre o Emirado da Transjordânia e a Arábia Saudita, encerrados em 1932.

História

Período pré-islâmico e vida de Maomé

Os balitas integravam a confederação tribal dos cudaaítas. Seu ancestral epônimo era Bali ibne Anre ibne Alfe ibne Cudaa. Originalmente ocupavam a porção setentrional do Hejaz, ao norte de , estendendo-se até os povoados de , e o oásis de Temá. Seu território localizava-se entre os juainaítas ao sul e os judamitas ao norte. Juntamente com os juainaítas e os udraítas, outro ramo dos cudaaítas, migraram para Uádi Alcura, então habitado e cultivado por comunidades judaicas. As tribos cudaaítas estabeleceram um acordo segundo o qual os judeus lhes pagavam tributo em troca de proteção contra ataques de outras tribos nômades. Esse arranjo permaneceu em vigor até o surgimento do islã, na década de 620, quando os udraítas receberam de Maomé a posse das terras, mantendo, contudo, as comunidades judaicas na região mediante o pagamento de um tributo anual fixo.

Em consequência de disputas internas, um dos clãs balitas, os hisnaítas, refugiou-se entre os judeus de Temá e converteu-se ao judaísmo. Posteriormente, parte desses refugiados transferiu-se para Medina, onde aderiu ao islã. Na época, três clãs balitas eram contabilizados entre os grupos judaicos da cidade. Os balitas estabeleceram aliança com as tribos ançares de Medina, e sete dos setenta delegados que prestaram o Primeiro e Segundo Pactos de Ácaba a Maomé pertenciam à tribo. Diversos balitas combateram ao lado do profeta contra os coraixitas de Meca, já na Batalha de Badre, em 2 A.H. (624). Um de seus clãs, os , recebeu de Maomé privilégios fiscais semelhantes aos concedidos aos coraixitas após a conversão destes ao islã, em 9 A.H. (630).

Em razão de sua posição estratégica no norte do Hejaz, os balitas eram considerados indispensáveis pelos muçulmanos, que intensificaram os esforços para conquistar a fidelidade de toda a tribo. Enquanto os balitas sedentários de Medina já haviam aderido ao islã, seus parentes nômades provavelmente permaneceram fora da esfera de influência islâmica, mantendo relações de neutralidade com Maomé. Os ramos setentrionais estabelecidos na Balca, especialmente os , opuseram-se firmemente aos muçulmanos e combateram como auxiliares do Império Bizantino. Constituíram parte expressiva do exército que derrotou os muçulmanos na Batalha de Muta, em 8 A.H. (629). A crescente concentração dessas forças no norte do Hejaz pode ter levado Maomé a enviar Anre ibne Alas, cuja mãe ou avó era balita, para recrutar os ramos meridionais da tribo, sobretudo os , durante a , realizada no mesmo ano. Em 9–10 A.H. (630–631), uma numerosa delegação dos chefes dos balitas meridionais encontrou-se com Maomé e abraçou o islã.

Conquistas islâmicas e migrações para o vale do Nilo

Os balitas da Síria dividiram-se durante a conquista muçulmana da região, entre 13 e 17 A.H. (634–638). Enquanto alguns clãs passaram para o lado dos muçulmanos, outros permaneceram a serviço do Império Bizantino, combatendo inclusive na Batalha do Jarmuque, em 15 A.H. (636). Os balitas formaram um contingente expressivo do exército comandado por Anre ibne Alas durante a conquista muçulmana do Egito, entre 18 e 20 A.H. (639–641), lutando sob o estandarte da própria tribo. Após a conquista, os clãs balitas da Síria, que representavam aproximadamente um terço da força total dos cudaaítas na região, foram transferidos para o Egito por ordem do califa Omar . Um dos membros mais conhecidos da tribo foi Abederramão ibne Udais, que liderou parte das tropas egípcias amotinadas durante o Cerco à casa do califa Otomão , episódio que culminou no assassinato de Otomão. Posteriormente, foi capturado e executado por ordem do governador da Síria, Moáuia I.

No Egito, os balitas estabeleceram inicialmente suas áreas de pastagem em Acmim, Assiute e , no Médio Egito. Durante o , os governantes do Califado Fatímida deslocaram os balitas e os juainaítas para o Alto Egito, em consequência de disputas territoriais com novos grupos tribais coraixitas estabelecidos na região. Em 565 A.H. (1170), os balitas revoltaram-se contra os detentores de icta do Império Aiúbida. A partir de 650–651 A.H. (1252–1253), tornaram-se adversários recorrentes dos sucessores aiúbidas, o Sultanato Mameluco, promovendo sucessivas rebeliões ao longo do . Após uma grande revolta dos juainaítas contra os mamelucos, em meados do , balitas e juainaítas migraram para o sul, estabelecendo-se na região correspondente ao atual Sudão. As duas tribos exerceram papel decisivo na arabização e islamização dos bejas e dos bagaras. A influência balita foi tão marcante que, ainda no início do , os bejas chamavam a língua árabe de Balawiyyat ("língua dos balitas").

Idade Contemporânea

Durante a Primeira Guerra Mundial, em 1918, os balitas aliaram-se às forças árabes do xerife haxemita Huceine ibne Ali, combatendo o Império Otomano. Após a expulsão dos haxemitas do Hejaz, parte da tribo passou a apoiar o novo governo saudita, enquanto outros grupos permaneceram fiéis aos haxemitas estabelecidos no Emirado da Transjordânia. Em 1932, os balitas participaram de incursões contra territórios sauditas ao sul de Ácaba, que foram repelidas pelas forças da Arábia Saudita. A tribo continua presente na faixa costeira ocidental do Hejaz.

Bibliografia

Categoria:Balitas