Orgulho Rubro Negro (também referida pela sigla ORN) é uma torcida organizada voltada à comunidade LGBT do Esporte Clube Vitória, sediada em Salvador, na Bahia. Foi fundada em dezembro de 2019, no município de Madre de Deus, por Wendel de Queiroz, e posteriormente passou a ter sede em Salvador. Surgiu junto com a LGBTricolor, torcida equivalente do Esporte Clube Bahia, em um movimento de criação de coletivos LGBT ligados aos dois principais clubes da capital baiana. O coletivo atua em campanhas de combate à LGBTfobia no futebol baiano e articula-se com outras organizações esportivas LGBT do estado. Desde 2023, é presidida por Roberto Junior.
História
Fundação e ameaças A ORN foi criada em dezembro de 2019, inicialmente em ambiente virtual, com o objetivo de reunir torcedores LGBTQIA+ do Esporte Clube Vitória e atuar contra a LGBTfobia nas arquibancadas. A iniciativa partiu de Wendel de Queiroz, então muito jovem, morador do município de Madre de Deus, na Região Metropolitana de Salvador. Com o crescimento do grupo e a concentração das atividades em torno do Barradão, a torcida passou a ter sede em Salvador.
Um dia após a divulgação do grupo de WhatsApp usado para reunir integrantes, o coletivo relatou ter recebido ameaças e mensagens ofensivas. Em nota publicada no Twitter, o grupo afirmou repudiar as mensagens e informou que tomaria providências judiciais, declarando que não interromperia suas atividades. Ao portal Metro1, Wendel de Queiroz, que administrava a página do grupo, afirmou que o material estava sendo reunido para ser encaminhado ao Ministério Público do Estado da Bahia. Segundo ele, as ameaças partiram tanto de torcedores do Vitória quanto do Bahia e atingiram também um integrante da LGBTricolor.
Propostas contra a LGBTfobia Em janeiro de 2020, a Orgulho Rubro Negro, em conjunto com a LGBTricolor, a União Nacional LGBT na Bahia e o Coletivo Mães do Arco-Íris, apresentou um conjunto de nove propostas para prevenir e tratar casos de LGBTfobia em jogos de futebol no estado. O documento foi protocolado junto à Federação Bahiana de Futebol, ao Tribunal de Justiça Desportiva de Futebol da Bahia e ao Ministério Público do Estado da Bahia, e encaminhado também à Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia, à administração da Arena Fonte Nova, à Defensoria Pública da Bahia, à Ordem dos Advogados do Brasil e aos clubes da primeira divisão do Campeonato Baiano.
Entre as medidas propostas estavam a adoção de protocolos de segurança para pessoas LGBT durante as partidas, a revista de mulheres trans por policiais femininas, o respeito ao nome social nos registros dos clubes, a interrupção de partidas em que fossem entoados cantos LGBTfóbicos e a criação de campanhas de comunicação sobre o tema.
Consolidação e reconhecimento Em novembro de 2023, a torcida lançou uma nova identidade visual, às vésperas de seu quarto aniversário e no período em que o Esporte Clube Vitória conquistou o Campeonato Brasileiro da Série B e garantiu o acesso à Série A. Segundo o presidente do coletivo, Roberto Junior, o grupo passou a ser anunciado como torcida organizada nos alto-falantes do Barradão e a receber apoio institucional do clube.
Em 2024, o presidente afirmou que a torcida contava com apoio da diretoria do Esporte Clube Vitória e da Polícia Militar e que não havia, até então, registro de casos de LGBTfobia contra o grupo no Barradão.
Projetos e ações A atuação da Orgulho Rubro Negro combina encontros de confraternização da torcida, campanhas de acesso ao estádio e articulação política com outros coletivos esportivos LGBT da Bahia. O grupo mantém presença nos jogos do Vitória no Barradão e se sustenta por meio de recursos próprios e mobilização comunitária.
ChurrasParedão O ChurrasParedão é o encontro recorrente da torcida em dias de jogo, realizado no estacionamento do Barradão antes das partidas, com churrasco, música e dança. A atividade funciona como ponto de reunião dos integrantes e como espaço de recepção de novos torcedores.
Sou Vitória com Orgulho: Meu Primeiro Barradão Lançada em novembro de 2024, a campanha "Sou Vitória com Orgulho: Meu Primeiro Barradão" selecionou quatro torcedores LGBTQIA+ que nunca haviam ido ao estádio para assistir à partida entre Vitória e Corinthians, em 9 de novembro daquele ano, com recepção prévia organizada pelo coletivo. Segundo o presidente da torcida, a ação buscava responder ao receio de parte da comunidade em frequentar o estádio.
Encontro LGBT+Esporte Em 28 de julho de 2026, a ORN promoveu, na Arena Real Brasil, no Shopping da Bahia, em Salvador, o encontro LGBT+Esporte, em parceria com a LGBTricolor, o Tietas FC e o Dendê FC. A atividade reuniu mais de cem participantes, entre representantes de coletivos, atletas, torcedores e lideranças políticas, com o objetivo de elaborar uma agenda conjunta de combate à discriminação e promoção da diversidade no esporte baiano.
Durante o encontro, os coletivos apresentaram suas trajetórias e defenderam a criação e a ampliação de políticas públicas voltadas ao tema, informando que se mantêm por meio de recursos próprios e mobilização comunitária. Estiveram presentes a vereadora de Salvador Marta Rodrigues e as pré-candidatas Rowenna Brito e Maria Marighella. Segundo Jener Mendes, diretor da ORN, as propostas apresentadas seriam sistematizadas pelas entidades participantes e serviriam de base para ações futuras.
A programação foi encerrada com partidas de futebol e de baleado que reuniram torcedores de Bahia e Vitória em times mistos, em uma versão simbólica do clássico Ba-Vi descrita pela imprensa como "BaVi sem rivalidade".
Articulação institucional Desde a fundação, a torcida atua junto a órgãos públicos e entidades do futebol baiano em pautas de combate à discriminação nos estádios, tendo participado da elaboração do conjunto de propostas protocolado em 2020 junto à Federação Bahiana de Futebol, ao Tribunal de Justiça Desportiva e ao Ministério Público estadual.
Ver também
Esporte Clube Vitória Homofobia no futebol LGBTricolor
Referências
Ligações externas