Abederramão ibne Abi Laila (; Medina, 638/9 — c. ) foi um tabi, jurista, tradicionalista, especialista em leituras corânicas e juiz. Estabelecido em Cufa desde a juventude, pertenceu à geração de estudiosos que preservou e transmitiu o legado religioso dos companheiros de Maomé, tornando-se uma das figuras mais respeitadas da escola cúfica. Recebeu ensinamentos de cerca de cento e vinte companheiros, entre eles Ali ibne Abi Talibe, Abedalá ibne Maçude, Anas ibne Maleque, Abedalá ibne Abas, Abedalá ibne Omar ibne Alcatabe e Bilal ibne Rabá. Seus hádices foram transmitidos por numerosos estudiosos da geração seguinte e incluídos nas seis coleções canônicas do islamismo sunita. Também desempenhou papel importante na transmissão das leituras corânicas, tendo aprendido diretamente com Ali ibne Abi Talibe e integrado, por meio de sua cadeia de transmissão, a tradição preservada nas sete leituras canônicas do Alcorão. Além de sua atuação intelectual, participou ativamente dos acontecimentos políticos do primeiro século do islamismo. Lutou ao lado de Ali nas batalhas do Camelo, de Sifim e de Narauã, exerceu brevemente a magistratura em Cufa durante o governo de Alhajaje ibne Iúçufe e recusou-se a atender às exigências do governador para insultar Ali. Morreu durante a revolta de Ibne Alaxate contra o governo omíada, segundo a tradição mais difundida.
Vida
Abederramão ibne Abi Laila nasceu em Medina em 17 ou 18 A.H. (638 ou 639), durante o califado de Omar ibne Alcatabe . Embora exista uma tradição que situe seu nascimento no governo de Abu Becre , ela é considerada fraca. Seu pai, Abu Laila, cujo nome é registrado pelas fontes como Iaçar, Bilal ou Daúde, pertencia ao ramo dos aucitas e participou de numerosas campanhas militares ao lado de Maomé. Morreu na Batalha de Sifim, e seus hádices foram preservados nas coleções da tradição islâmica. Como seu filho também se tornou célebre e era conhecido pelo mesmo patronímico, as fontes posteriores passaram a distingui-lo como Ibne Abi Laila, o Velho (Ibn Abī Laylā al-Akbar). Ainda jovem, mudou-se com o pai para Cufa, onde se tornou um dos mais destacados estudiosos da geração dos tabis. Encontrou-se com cerca de cento e vinte companheiros de Maomé, dos quais aprendeu hádices. Entre seus mestres figuram Ali ibne Abi Talibe, Abedalá ibne Maçude, , Anas ibne Maleque, , Abuçaíde Alcudri, Sade ibne Abi Uacas, Bilal ibne Rabá, Abu Darre Alguifari, Abedalá ibne Abas, Abedalá ibne Omar ibne Alcatabe, Abaiube Alançari e . Entre seus discípulos destacam-se seu filho , seu neto , , Atá ibne Açaíbe, Mujaíde ibne Jabre, Alamaxe e , Ibne Sirine e Tábite Albunani.
Alguns especialistas discutiram se Abederramão realmente ouvira hádices diretamente de Omar ibne Alcatabe, Otomão ibne Afane, Muade ibne Jabal e . Em razão dessa incerteza, alguns críticos classificaram suas tradições com certa reserva, enquanto outros, entre eles Iáia ibne Maine e Alboácem Alijeli, consideraram-no um transmissor plenamente confiável. Também ocorreu confusão entre suas tradições e as de seu filho Maomé ibne Abi Laila, levando alguns autores a lhe atribuírem críticas dirigidas, na realidade, ao filho. Apesar dessas divergências, seus hádices foram incorporados às seis coleções canônicas do islamismo sunita, e ele era conhecido por dedicar grande atenção ao estudo e à discussão das tradições proféticas. Abederramão destacou-se igualmente como especialista em leituras corânicas. Aprendeu essa disciplina diretamente com Ali ibne Abi Talibe pelo método da recitação diante do mestre (ard). Seu filho Issa transmitiu a leitura recebida do pai a seu irmão Maomé, que posteriormente concedeu autorização de transmissão ao imame das leituras corânicas . Por essa cadeia de transmissão, a tradição de Abederramão integrou-se ao sistema das sete leituras canônicas do Alcorão.
Participou ativamente da vida política de seu tempo. Acompanhou Ali ibne Abi Talibe em duas viagens a Almadaim e combateu a seu lado nas batalhas do Camelo, de Sifim e de Narauã, tendo carregado o estandarte de Ali na Batalha do Camelo. Apesar de sua fidelidade a Ali, manteve boas relações com os partidários de Otomão e chegou a atuar como emissário de . Durante o governo de Alhajaje ibne Iúçufe, exerceu por breve período o cargo de juiz de Cufa. Submetido a pressões e maus-tratos para insultar Ali e seus partidários, recusou-se a fazê-lo. Quando Ibne Alaxate se rebelou contra Alhajaje em 701, Abederramão juntou-se ao movimento, assim como numerosos recitadores do Alcorão e estudiosos. Antes da , pronunciou discursos destinados a incentivar as tropas. A maioria dos historiadores afirma que morreu nessa campanha ou em combate posterior entre Ibne Alaxate e Alhajaje, embora existam tradições que situam sua morte entre 699 e 700, em Baçorá, no ou no Eufrates, após cair de seu cavalo. Abederramão ibne Abi Laila foi considerado um dos mais destacados tabis de sua geração. Reconhecido por sua vida ascética, mantinha em sua residência numerosos exemplares do Alcorão e era amplamente respeitado por seus conhecimentos religiosos. Segundo as fontes, até mesmo alguns companheiros de Maomé ouviam hádices transmitidos por sua autoridade. Além de sua reputação como tradicionalista e mestre das leituras corânicas, destacou-se também como jurista, sendo lembrado entre os estudiosos mais influentes de Cufa na primeira geração posterior aos companheiros.
Bibliografia
Categoria:Tabis (islamismo) Categoria:Árabes do século VII Categoria:Árabes do século VIII Categoria:Aucitas Categoria:Naturais de Medina Categoria:Pessoas do Califado Ortodoxo Categoria:Pessoas do Califado Omíada Categoria:Rebeliões contra o Califado Omíada