Uma prisão em massa ocorre quando a polícia detém simultaneamente um grande número de suspeitos. Esse tipo de ação pode ocorrer durante protestos. Algumas prisões em massa também são utilizadas como estratégia de combate à gangues. Essa prática, por vezes, é controversa e pode resultar em ações judiciais. Na ciência policial, considera-se uma boa prática planejar previamente a identificação das pessoas detidas durante prisões em massa, uma vez que é improvável que os agentes consigam se lembrar de todos os indivíduos que prenderam.
Exemplos históricos A União dos Agricultores do Japão e grupos trabalhistas e camponeses japoneses foram alvo de prisões em massa na década de 1920. Em 16 de abril de 1929, vários milhares de integrantes do movimento camponês foram presos. Após a Segunda Guerra Mundial, ocorreram prisões em massa (mais de 120 mil pessoas) de colaboradores reais ou suspeitos do regime de Vidkun Quisling na Noruega. Regimes totalitários por vezes realizaram prisões em massa como etapa preliminar para um expurgo de supostos adversários políticos, algumas vezes seguido de execuções.
Em 10 de março de 2010, foi iniciada uma operação policial em larga escala para impedir a realização de uma marcha pacífica denominada Million March, planejada para ocorrer em Hyderabad, na Índia, em defesa da criação de um novo estado federado. Mais de 100 mil pessoas ligadas ao movimento por Telangana foram detidas pelas forças policiais.
A Cúpula do G20 de Toronto de 2010 foi palco da maior prisão em massa da história do Canadá, com cerca de 900 pessoas detidas.
Prisões em massa de manifestantes nos Estados Unidos Em dezembro de 1964, a Universidade da Califórnia em Berkeley foi palco de um grande protesto sentado estudantil no edifício da administração, que culminou na prisão em massa de cerca de 700 estudantes.
A partir de 3 de maio de 1971, três dias após o início dos Protestos do Primeiro de Maio de 1971 — uma série de grandes ações de desobediência civil em Washington, D.C. —, a polícia iniciou operações de prisões em massa. Em poucos dias, mais de 12 mil pessoas foram detidas, na época a maior prisão em massa da história dos Estados Unidos.
O ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter declarou, a respeito dos conflitos raciais da época, que era contrário tanto às prisões em massa quanto às detenções preventivas. Segundo ele, os abusos cometidos anteriormente haviam agravado as tensões que levaram às manifestações e "a prisão de um grande número de pessoas sem mandados judiciais [...] é contrária aos melhores princípios do nosso sistema de justiça".
Em 15 de setembro de 1996, 1.033 manifestantes pacíficos foram presos em Carlotta, na Califórnia, durante uma manifestação contra o corte raso de antigas florestas de sequoias.
Uma das prisões em massa mais conhecidas ocorreu em 27 de setembro de 2002, em Washington, D.C., quando várias centenas de manifestantes contrários ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional, além de jornalistas e transeuntes, foram detidos pela polícia e acusados de desobediência à ordem policial. Posteriormente, foi ajuizada uma ação coletiva contra o governo. As prisões em massa preventivas também têm sido alvo de críticas.
Mais de 1.700 manifestantes foram presos durante a Convenção Nacional Republicana de 2004, realizada na cidade de Nova York.
Em 1.º de outubro de 2011, mais de 700 manifestantes do movimento Occupy Wall Street foram presos enquanto tentavam realizar uma marcha pela pista da Ponte do Brooklyn.
Em 28 de janeiro de 2012, também como parte do Movimento Occupy, mais de 400 pessoas foram presas em Oakland, Califórnia.
Durante um período de sete dias no Capitólio, entre 11 e 18 de abril de 2016, a polícia prendeu aproximadamente 1.240 pessoas (sendo 300 prisões realizadas apenas em 18 de abril) que participavam de manifestações por reformas na forma como os estadunidenses votam e financiam campanhas eleitorais.
Em 6 de janeiro de 2021, 53 ativistas, ex-legisladores, assistentes sociais e acadêmicos foram presos pelo Departamento de Segurança Nacional da Força Policial de Hong Kong, com base na lei de segurança nacional, por sua organização e participação nas primárias para a eleição do Conselho Legislativo de Hong Kong posteriormente adiada. Entre os detidos estavam seis organizadores e 48 participantes, dos quais dois já estavam presos, tornando a operação a maior repressão realizada sob a lei de segurança nacional desde sua aprovação em 30 de junho de 2020.
As autoridades também realizaram buscas em 72 locais, incluindo a residência do ativista preso Joshua Wong, as sedes dos veículos de comunicação Apple Daily, Stand News e Hong Kong Inmedia, além do instituto de pesquisa eleitoral Hong Kong Public Opinion Research Institute (PORI), e congelaram mais de 200 mil dólares em fundos relacionados às primárias.
As prisões reduziram consideravelmente o campo pró-democracia, incluindo sua ala moderada, e atingiram diversas figuras de destaque.
Essas ações foram caracterizadas como prisões em massa.
Crime de guerra Prisões em massa indiscriminadas foram designadas como um crime de guerra em 1944 por uma comissão de crimes de guerra criada pela Assembleia Internacional de Londres. Esse foi um dos dois itens acrescentados por essa Comissão à lista de crimes de guerra elaborada pela Comissão sobre a Responsabilidade dos Autores da Guerra e sobre a Aplicação das Penas em 1919. Especificamente, "prisões em massa indiscriminadas com o objetivo de aterrorizar a população" foram classificadas como crimes de guerra pela comissão.
No tribunal militar temporário dos Países Baixos, em 1947, vários membros da Tokkeitai nas Índias Orientais Holandesas foram acusados do crime de guerra de prisões em massa indiscriminadas. A legislação aplicável utilizada pelo tribunal foi o Decreto nº 44 de 1946 do Código de Leis das Índias Orientais Holandesas, cuja definição de crimes de guerra correspondia à lista elaborada pela comissão. Especificamente, o item nº 34 da lista de crimes de guerra prevista pela legislação das Índias Orientais Holandesas era "prisões em massa indiscriminadas com o objetivo de aterrorizar a população, sejam descritas ou não como tomada de reféns".
O tribunal interpretou a definição dessas prisões em massa ilegais como "prisões de grupos de pessoas, primeiro com base em rumores infundados e suposições e, em segundo lugar, sem a existência de fatos e indícios concretos relativos a cada pessoa que justificassem sua prisão". O tribunal acrescentou comentários sobre prisões em massa indiscriminadas destinadas a aterrorizar a população, afirmando que elas "continham os elementos do terrorismo sistemático, pois ninguém, mesmo os mais inocentes, tinha mais certeza de sua liberdade, e uma pessoa uma vez presa, ainda que absolutamente inocente, não poderia mais ter certeza de sua saúde e de sua vida".
Ver também Crime de guerra Direitos humanos
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