Bombus morio é uma das poucas espécies de mamangabas encontradas na América do Sul. Essas abelhas residem principalmente nas florestas do Brasil, nidificando na superfície do solo. São uma das maiores espécies de mamangabas e são polinizadoras importantes. São uma das poucas espécies de abelhas que exibem polinização por vibração para coletar pólen das flores.
Taxonomia e filogenia Na América do Sul, a maioria das mamangabas está distribuída ao longo da Cordilheira dos Andes e em regiões temperadas, com algumas espécies sendo observadas em planícies abaixo do nível do mar onde se é mais quente. Dentre essas espécies de mamangabas, apenas seis se sabe que existe no Brasil, e todas pertencem ao mesmo subgênero, Fervidobombus. Cinco dessas seis espécies são muito próximas geneticamente, com exceção de Bombus morio, o qual pertence a um clado distinto. Uma análise filogenética mostrou que Bombus morio são exclusivamente distintos.
Habitat Existem cerca de 250 espécies de Bombus. A maioria dessas espécies ocorre nas zonas climáticas do norte da América e da Eurásia. Poucas espécies habitam as regiões do sul, e uma delas é Bombus morio. Essas abelhas dependem de florestas e habitam as regiões temperadas do Brasil.
Habitam terras próximas ao nível do mar e são principalmente nidificadores de superfície. No entanto, seus ninhos também podem ser encontrados no subsolo.
Descrição e identificação miniaturadaimagem|Bombus moris forrageando Bombus morio é uma mamangaba e, portanto, compartilha certas características com outras espécies de mamangabas. Possuem três partes principais no corpo: cabeça, tórax e abdômen. A diferença entre os sexos feminino e masculino pode ser distinguida pelo número de segmentos abdominais. A fêmea possui 6 segmentos, enquanto o macho possui 7 segmentos. Além disso, os machos possuem 13 segmentos em suas antenas, enquanto as fêmeas possuem 12. As fêmeas também possuem cestos de pólen, um segmento com bordas e pelos longos nas patas traseiras, que são usados para transportar o pólen de volta ao ninho, enquanto os machos não possuem cestos de pólen.
Anatomia
Órgãos excretores É muito importante para as mamangabas manterem a homeostase corporal. No entanto, Bombus morio não possui tecido retal. Ao invés disso, o sistema excretor de Bombus morio, constituído pelos túbulos de Malpighi, íleo e reto, proporciona um método eficiente de manter a homeostase. Uma análise desses órgãos mostrou que os túbulos de Malpighi de Bombus morio são compostos por dois tipos de células, e o íleo por quatro tipos. Os túbulos de Malpighi eliminam os solutos em excesso e desnecessários. O íleo, portanto, tem a função de equilibrar os íons, a água, os compostos orgânicos e as proteínas no organismo. Juntos, os dois órgãos trabalham juntos para alcançar a homeostase dentro dos corpos de Bombus morios, mesmo com a ausência de papilas retais.
Glândula mucosa A glândula mucosa nos machos está presente na maioria das espécies de abelhas. Embora a função dessas glândulas seja em grande parte desconhecida, pesquisas têm sido realizadas em Bombus morio para desvendar a natureza misteriosa dessas glândulas. Um estudo histoquímico dessas glândulas mostrou que elas são constituídas por um par de grandes estruturas tubulares espessas. Elas fazem com que a porção distal fique mais dilatada e com formato de cone. As glândulas evoluíram através da síntese de proteínas, como pode ser observado no RNA do citoplasma e dos nucléolos. A análise descobriu que a secreção glandular é muito complexa, pois proteínas, polissacarídeos neutros e lipídios são liberados por essas glândulas.
O intestino médio de Bombus morio é composto por três tipos de células que desempenham papéis cruciais na digestão, absorção e produção de hormônios. As diferenças entre os três tipos de células podem ser observadas pela diferença em número, tamanho do núcleo e tamanho da borda estriada. Ao serem examinadas ultraestruturalmente, as células digestivas se destacaram por suas longas microvilosidades. As regiões anteriores do intestino médio apresentavam labirintos basais dilatados e aberturas para a hemocele, enquanto as regiões posteriores apresentavam características opostas. Isso forneceu evidências de que Bombus morio possui uma circulação ecto-endoperitrófica.
Ciclo da colônia Pouco se sabe sobre o ciclo de colônias de Bombus morio. No entanto, há indícios sobre a duração de seus ciclos. A longevidade das operárias individuais em uma espécie de abelha eussocial é um dos indicadores mais importantes do crescimento da colônia e das taxas reprodutivas das colmeias. Na espécie Bombus morio, a abelha operária vive em média cerca de 41,3 dias. Além disso, o período de desenvolvimento, do ovo até a fase adulta, é de cerca de 32 dias para as operárias, 35 dias para os machos e 32 dias para as rainhas. Esses valores são maiores que a média e indicam crescimento lento da colônia.
Comportamento
Acasalamento Os ovários das rainhas de Bombus morio podem permanecer totalmente funcionais por um longo período da vida da rainha. Algumas rainhas virgens podem ser isoladas para induzir a oviposição quando atingirem a idade de 40 dias. Quando a rainha virgem está na colônia com uma rainha já estabelecida, ela assume o papel de operária. Assim, como os ovários das rainhas têm cerca de 25 dias, os ovócitos podem ser reabsorvidos. As rainhas não precisam acasalar para produzir machos.
Coleta de alimentos O comportamento de forrageamento de Bombus morio é semelhante ao de A. mellifera e M. quadrifasciata. Bombus morio pode iniciar o comportamento de forrageamento de 0 a 5 dias após a emergência. Alcançam as flores para coletar o néctar. Para isso, posicionam-se verticalmente entre as estruturas sexuais das flores e a corola. Suas costas estão sempre voltadas para o eixo floral. Dessa forma, Bombus morio conseguem remover o pólen das anteras das flores com estames. Isso, junto à sua deposição no estigma de flores com pistilos, permite que Bombus morio seja um polinizador extremamente eficaz. Uma limitação que se tem como polinizadores é seu corpo grande que os impedem de alcançar flores menores. Já foi observado que uma única visita de Bombus morio foi suficiente para que sistemas de polinização levassem à frutificação.
Bombus morio forrageia principalmente durante a manhã. O principal período de coleta de pólen ocorre por volta das 18h às 20h. No entanto, o néctar pode ser coletado até às 17h.
Polinização por vibração Bombus morio exibe um comportamento específico para liberar o pólen das flores, chamado de polinização por vibração. Pousam nas flores e seguram os estames com as patas. Assim que os estames estão no lugar, a abelha vibra com o corpo curvado. Este é um método eficaz de desalojar o pólen e contribui para Bombus morio ser um polinizador muito eficaz.
Aninhamento Bombus morio constroem seus ninhos nas regiões neotropicais, na superfície do solo. Assim como na maioria das abelhas, os ninhos são feitos principalmente de cera, e a área de cria, que contém as larvas das operárias, a rainha e o macho, fica localizada no meio do ninho.
Demonstram um comportamento oportunista em relação aos locais de nidificação e ao revestimento da cria, e apresentam comportamento agressivo como outras espécies neotropicais, tentando picar e cuspir substâncias que irritam os predadores, afastando-os de seus ninhos.
Picada Sabe-se que a picada de Bombus morio é potente e perigosa. Quando humanos são picados por Bombus morio, podem ocorrer ferimentos graves e até mesmo a morte se não forem tratados adequadamente. Ao serem picadas, as vítimas sentem uma dor intensa e imediata, e surge uma mancha vermelho-alaranjada, indicando lesões traumáticas com sangramento no local da picada. Dentro de duas horas após a picada, as ferroadas podem causar náuseas, calafrios e vômitos, que podem vir acompanhados de sudorese intensa, tontura e dor de cabeça. As fezes excretadas pelas vítimas serão marrom-escuras.
Parasitas miniaturadaimagem| Mosca Physocephala Sabe-se de alguns parasitas que residem em Bombus morio. Um desses parasitas são as larvas de moscas taquinídeas, que podem ser encontradas dentro do abdômen de fêmeas em busca de alimento. O parasita não afeta o comportamento de voo da abelha hospedeira, nem afeta o intestino médio ou o cordão nervoso ventral. No entanto, o parasita pode danificar completamente os ovários.
Outro parasita associado ao Bombus morio é a Physocephala, uma mosca conópida. As abelhas que hospedam esses parasitas morrem em até dez dias após a oviposição da mosca. Assim como as larvas de moscas taquinídeas, as larvas de moscas conopídeas também se alojam na cavidade abdominal da abelha.
Referências
Categoria:Insetos descritos em 1787 Categoria:Himenópteros da América do Sul Categoria:Bombus