Uádi Arruma (), também conhecido como Uádi Arrima (Wādī al-Rimāh), é o principal sistema regional de drenagem do norte da Arábia. Estende-se por mais de mil quilômetros desde a harra de Caibar, no Hejaz, a nordeste de Medina, atravessando o Négede e Alcacim em direção ao nordeste e, através de sistemas de vales associados, ao sul do Iraque. Seu regime é predominantemente intermitente, embora chuvas intensas possam provocar grandes inundações e formar extensos lagos temporários em seu vale. Em razão de sua grande extensão, diferentes trechos do sistema foram historicamente conhecidos por numerosos nomes. Geógrafos árabes medievais registraram, entre outros, Bátene Arruma, Uádi Alhajir, Hail, Sua e Curaquir, este último empregado nas terras dos calbitas. Na nomenclatura moderna, seu prolongamento para além das areias de Adana é conhecido como Uádi Albátene, que segue em direção à fronteira entre o Cuaite e o Iraque. O vale também desempenhou historicamente importante papel como corredor de povoamento e comunicação através do interior da Arábia.
Geografia
O Uádi Arruma constitui o principal sistema regional de drenagem do norte da Arábia, estendendo-se por mais de mil quilômetros desde a Harra de Caibar, no Hejaz, a nordeste de Medina, através de Alcacim, até o sul do Iraque. Seu curso atravessa uma extensa região árida e recebe diferentes denominações locais ao longo de seu percurso. Nas descrições geográficas medievais, Alhamedani menciona o Bátene Arruma (Baṭn al-Rumma) correndo entre duas áreas montanhosas nas proximidades das terras dos taiítas, tendo ao sul as terras férteis de Alcacim. O mesmo autor denomina Uádi Sarir (Wādī Sarīr) a parte inferior do Uádi Arruma numa região associada aos amiritas dos tamimitas. Iacute Alhamaui, citando Alasmai, registra que o Uádi Arruma passava entre duas montanhas chamadas Abane Negra e Abane Branca. Essas formações foram igualmente identificadas por Alois Musil e correspondem às atuais Abane Alasmar (Abān al-Asmar), ao norte do canal do Arruma, e Abane Alamar (Abān al-Aḥmar), em sua margem sul, no oeste de Alcacim, junto à moderna estrada para Medina. Albacri, escrevendo no , descreveu o Arruma como um grande vale do Négede no qual desembocavam numerosos outros uádis. Segundo Iacute, o mesmo sistema hidrográfico recebia diferentes nomes conforme atravessava as terras de diferentes tribos. Era denominado Arruma no território dos gatafanitas e Bátene Arruma no trecho da estrada entre Faide e Medina, sendo Faide uma estação de peregrinação da . Mais adiante, o curso recebia o nome de Uádi Alhajir e, nas terras dos taiítas, era chamado Hail. Entre os taglibitas, era conhecido como Sua, enquanto nas terras dos calbitas recebia o nome de Curaquir. Segundo essa tradição geográfica, o curso terminava em Anil, nas proximidades de Cufa.
Hidrologia
A grande extensão do sistema explica a variedade de nomes registrada tanto pelos geógrafos medievais quanto pelos estudiosos modernos. Segundo descrições modernas citadas por King, desde suas cabeceiras na Harrate Caibar até Alcacim o curso também foi denominado Uádi Rixa (Wādī Rīsha), enquanto Musil registrou que em Alcacim era conhecido simplesmente como "o Uádi". A cartografia moderna, contudo, aplica geralmente o nome Uádi Arruma, também grafado Uádi Arrima (Wādī al-Rimāh), ao curso desde suas cabeceiras na Harrate Caibar até alcançar as areias de Adana, a nordeste de Alcacim. Esse extenso campo de dunas constitui uma importante barreira natural ao escoamento. Dentro de Adana, o curso é conhecido como Uádi Almostaui (Wādī al-Mustawī) e, depois de atravessar a região arenosa, passa a ser denominado Uádi Albátene (Wādī al-Baṭn). Este último segue em direção ao nordeste e seu curso constitui parte da fronteira ocidental do Cuaite com o Iraque, terminando junto à cordilheira de Ratque, na direção do , a oeste de Baçorá.
O Uádi Arruma possui regime fortemente intermitente. Charles Montagu Doughty, que explorou seus trechos ocidentais no , descreveu o vale como pouco profundo, registrou a salinidade de suas águas em Alcacim e observou que as areias bloqueavam seu curso para leste. Charles Huber cartografou posteriormente seu percurso nas proximidades de . Musil destacou a fertilidade dos depósitos aluviais acumulados contra as areias de Adana, que funcionam como uma barragem natural. Em algumas partes de Alcacim, o leito torna-se praticamente imperceptível. Nas proximidades de Unaiza, Harry St. John Philby registrou poços e nascentes no leito do Uádi Arruma, bem como o cultivo de palmeiras mediante o aproveitamento das águas salobras existentes sob as sabcas salinas. Doughty afirmou que, à época de sua viagem, o uádi não fluía havia cerca de quarenta anos, ao passo que Philby registrou a ocorrência de inundações regulares no oeste de Alcacim antes do início do . Essas cheias podiam transformar a depressão conhecida como Zucaibia (Zukaybiyya) em um lago. Em 1982, após fortes chuvas, uma vasta área a oeste de foi igualmente transformada num lago raso que alimentou o Arruma.
História
Além de sua importância hidrográfica e para o povoamento regional, partes do sistema serviram historicamente como vias de comunicação através do interior da Arábia. No , o curso inferior, conhecido como Uádi Albátene, constituía uma rota entre o Cuaite e Alcacim. Nesse trecho havia poços, sobretudo em e Ricai (Rika'i), embora, para além das areias de Adana, o uádi normalmente permanecesse seco. Em 1936, Hafar já possuía uma fortaleza saudita e posteriormente desenvolveu-se como um importante centro militar da Arábia Saudita.
Bibliografia
Categoria:Uádis da Arábia Saudita