Prisioneros de la tierra é um filme dramático argentino de 1939, dirigido por Mario Soffici, sendo uma das obras mais aclamadas da Era de Ouro do cinema argentino. O filme foi exibido pela primeira vez em Buenos Aires. Frequentemente citado como um dos maiores filmes da história do cinema argentino, o longa consolidou Soffici como um cineasta de cunho social. Foi agraciado pela Municipalidade de Buenos Aires como o melhor filme do ano e recebeu o Prêmio Côndor de Prata, instituído pela Associação Argentina de Críticos de Cinema.
A obra foi eleita o maior filme argentino de todos os tempos nas consultas realizadas pelo Museo del Cine Pablo Ducrós Hicken, em 1977 e 1984, tendo alcançado a 6.ª colocação na edição de 2000. Em uma nova versão da pesquisa, organizada em 2022 pelas revistas especializadas La vida útil, Taipei e La tierra quema, e apresentada no Festival Internacional de Cinema de Mar del Plata, o filme obteve a 19.ª posição.
Enredo Esteban Podeley é um trabalhador mensú em uma isolada plantação de erva-mate na Argentina, pertencente ao alemão Köhner, que recruta mão de obra por meios inescrupulosos. Podeley embarca no navio fluvial de Köhner rumo à plantação junto com outros trabalhadores, incluindo seus amigos, bem como o Dr. Else e sua filha Andrea. O Dr. Else é procurado por Köhner para auxiliar no tratamento das enfermidades dos trabalhadores a bordo e na plantação, mas seu alcoolismo impede que cumpra adequadamente suas funções. Podeley é castigado por Köhner por ter participado da fuga de outro trabalhador que saltou do navio, mas encontra consolo em Andrea.
Na plantação, os trabalhadores são tratados com crueldade por Köhner e seus capatazes. As personagens expressam seu descontentamento diante de suas condições e do ambiente opressivo da selva. O Dr. Else continua a lutar contra o vício do álcool e começa a ter alucinações. Andrea e Podeley iniciam um relacionamento, mas, posteriormente, Köhner impede Podeley de deixar a plantação para se encontrar com Andrea, alegando dívidas pendentes. Podeley, então, planeja uma fuga com outros trabalhadores, emboscando um grupo de capatazes. Ele isola Köhner e o leva até o rio, onde o açoita e o obriga a embarcar em uma jangada para deixar a região. O corpo de Köhner é encontrado rio abaixo, e os capatazes se reorganizam para procurar Podeley, que se oculta.
Podeley envia uma mensagem a Andrea, solicitando que ela e seu pai o encontrem para que possam fugir juntos. Andrea compartilha a informação com o pai, que aceita o plano. Na véspera do encontro, Andrea sai de seu quarto para investigar o barulho provocado pelo pai, que se encontra embriagado durante a noite. O Dr. Else abre a porta e, por não conseguir distinguir a silhueta da filha, golpeia-a com sua bengala, causando-lhe a morte pouco tempo depois. No dia seguinte, Podeley aguarda Andrea e seu pai, mas é surpreendido por seu amigo, que lhe relata o ocorrido. Em seguida, avista o cortejo fúnebre de Andrea. Desesperado, Podeley corre para expor-se aos capatazes que integram o cortejo e é alvejado. O filme encerra-se com Podeley a segurar a terra solta, que abandona lentamente ao expirar.
Elenco
Ángel Magaña como Esteban Podeley Elisa Galvé como Andrea Else (Chinita) Raúl De Lange como Dr. Else Francisco Petrone como Köhner Homero Cárpena como o amigo de Podeley Roberto Fugazot como o destilador de laranja Pepito Petray Félix Tortorelli Manuel Villoldo
Restauração Em 2019, o Museo del Cine da Argentina, com o apoio da The Film Foundation, de Martin Scorsese, e do laboratório da Cineteca di Bologna, restaurou Prisioneiros da Terra a partir de duas cópias em 35mm do filme, encontradas em Paris, na Cinémathèque Française, e em Praga, no Arquivo Cinematográfico Tcheco. A descoberta dessas duas cópias revelou-se crucial, uma vez que, devido à ausência de uma cinemateca nacional e à falta de políticas culturais de proteção, o negativo original argentino perdeu-se ao longo do século passado, restando no país apenas uma cópia degradada em 16mm. Paula Félix-Didier, diretora do Museo del Cine e principal responsável pela restauração, declarou a respeito da importância dessa nova cópia: "Trata-se de uma nova oportunidade de rever um dos filmes fundamentais da história do cinema argentino tal como não era possível vê-lo há décadas, e de realizar, mais uma vez, um profundo resgate patrimonial para compreender a trajetória do cinema argentino e sua evolução".
Essa restauração de 2019 foi exibida pela primeira vez no Festival Il Cinema Ritrovato, em Bolonha, e, posteriormente, em dezembro, foi apresentada pela primeira vez na Argentina, no MALBA, em Buenos Aires.
Leitura adicional Artigo de Tomas Abraham sobre Soffici Ligações externas
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