Safia binte Abede Almotalibe (; Meca, ca. – Medina, ) foi uma companheira e tia paterna do profeta islâmico Maomé, pertencente aos haxemitas, clã dos coraixitas. Filha de Abede Almotalibe ibne Haxime e , casou-se sucessivamente com e , sendo deste último mãe de Azobair ibne Alauame. Safia converteu-se ao Islã durante o período inicial da pregação de Maomé e posteriormente realizou a Hégira para Medina com Azobair. Participou de campanhas militares, nas quais desempenhou funções de retaguarda e tratamento dos feridos, sendo descrita pelas fontes como a primeira mulher muçulmana a partir em campanha. Na Batalha de Uude, censurou combatentes muçulmanos que recuavam e presenciou as consequências da morte e mutilação de seu irmão Hâmeza ibne Abede Almotalibe. Outro relato, situado em Uude ou na Batalha da Trincheira, atribui-lhe a morte de um inimigo que tentou penetrar no local onde mulheres e outros não combatentes estavam abrigados. Poucos hádices foram transmitidos por Safia, que também ficou conhecida pela poesia que lhe é atribuída, particularmente elegias pela morte de Hâmeza e de Maomé. Morreu em Medina em 20 A.H. (641), teve sua oração fúnebre conduzida pelo califa Omar e foi sepultada no cemitério de Albaqui.

Vida

Safia nasceu em Meca por volta de 567. Era filha de Abede Almotalibe, chefe dos haxemitas, clã dos coraixitas, e , prima de Amina binte Uabe, mãe de Maomé. Safia era uma das seis tias paternas de Maomé. Durante a Jailia, casou-se primeiro com , irmão de Abu Sufiane ibne Harbe. Após a morte do marido, casou-se com , irmão de Cadija binte Cuailide. Do primeiro casamento teria nascido um filho chamado Safi ou, segundo outra tradição, uma filha chamada Safia. Com Alauame teve Azobair, e . Depois da morte do segundo marido, Safia encarregou-se pessoalmente da educação dos filhos e submeteu-os a uma disciplina rigorosa para que crescessem corajosos, atitude pela qual teria sido por vezes criticada pelos parentes. Azobair, posteriormente contado entre os dez a quem foi prometido o paraíso, e Saíbe, que participou de diversas campanhas militares, são apresentados pelas fontes como resultado dessa educação. Safia converteu-se ao Islã juntamente com seu filho Azobair, considerado um dos primeiros muçulmanos. Quando foi revelado o versículo "Adverte teus parentes mais próximos" (sura Ash-Shu'ara, 26:214), Maomé reuniu seus familiares e os convidou a aceitar sua mensagem, dirigindo-se também especificamente a Safia e advertindo-a de que não poderia protegê-la do castigo de Deus. Durante a reunião, quando Abu Laabe insultou Maomé, Safia teria repreendido Abu Laabe e defendido o sobrinho, episódio considerado indício de sua conversão precoce. Embora algumas tradições afirmem que Safia foi a única das tias paternas de Maomé a aceitar o Islã, outras atribuem a conversão também a suas irmãs Ática e Arua. Safia apoiou Maomé durante a propagação da nova religião e posteriormente realizou a Hégira para Medina juntamente com Azobair.

Safia participou de diferentes campanhas militares e é descrita como a primeira mulher muçulmana a partir em campanha, desempenhando sobretudo funções de retaguarda e tratamento dos feridos. Durante a Batalha de Uude, dirigiu-se ao campo de batalha portando uma lança e, ao encontrar muçulmanos em retirada, teria começado a golpeá-los com a arma enquanto os censurava por abandonarem Maomé. Quando se aproximou do local onde estavam os mortos, Maomé pediu a Azobair que impedisse a mãe de ver o corpo mutilado de seu irmão Hâmeza ibne Abede Almotalibe. Safia, contudo, declarou já saber o que havia acontecido e estar disposta a suportá-lo em nome de Deus, após o que recebeu permissão para aproximar-se do corpo do irmão. As fontes atribuem-lhe ainda um episódio ocorrido durante a Batalha de Uude ou, segundo outra tradição, durante a Batalha da Trincheira. Enquanto se encontrava em Medina num edifício onde mulheres e outros não combatentes haviam buscado abrigo, Safia teria matado um judeu que tentou entrar no local. Em razão desse episódio, é apresentada pela tradição como a primeira mulher muçulmana a matar um inimigo em combate. Safia morreu em Medina em 20 A.H. (641). Sua oração fúnebre foi conduzida pelo califa Omar e ela foi sepultada no cemitério de Albaqui.

Legado

Poucos hádices são atribuídos à transmissão de Safia. Uma tradição relata que, na presença de Maomé, de seus sobrinhos e de outros parentes próximos, não cobria a cabeça, sendo seu comportamento citado como demonstração prática dos parentes diante dos quais uma mulher muçulmana não precisava se cobrir. Como tia paterna de Maomé, Safia desfrutou de considerável prestígio na tradição islâmica. Quando se discutiu o reconhecimento de seu neto Abedalá ibne Azobair, sua ascendência foi invocada em seu favor com a afirmação de que "sua avó é Safia". As fontes também lhe atribuem poesia, particularmente elegias consideradas emotivas. São preservados poemas de louvor a Maomé e lamentos compostos pela morte de seu irmão Hâmeza e, posteriormente, pela morte do próprio Maomé. Sua produção poética conservada nas fontes foi reunida por Laylā Muḥammad al-Khayālī no estudo intitulado Dīwān Ṣafiyya.

Bibliografia

Categoria:Mulheres do século VI Categoria:Mulheres do século VII Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Tios de Maomé Categoria:Haxemitas (clã coraixita) Categoria:Zuraítas Categoria:Pessoas sepultadas no Cemitério de Albaqui