thumb|Fila de carros em meio à escassez de combustível em Kaliningrado em julho de 2026.
A partir de agosto de 2025, o aumento dos ataques ucranianos com drones contra refinarias de petróleo russas durante a Guerra Russo-Ucraniana causou danos generalizados e uma redução significativa na produção de derivados em toda a indústria petrolífera russa, desencadeando uma crise de combustível no país. A crise escalou na metade de 2026, com a Crimeia sob controle russo declarando estado de emergência em junho e proibindo a venda de combustíveis.
Em julho de 2026, a maioria das regiões da Rússia enfrentava restrições no abastecimento de combustível, afetando diretamente 50 milhões de pessoas — aproximadamente 35% da população russa. A Rússia suspendeu a navegação civil através do Canal Volga-Dom e do Estreito de Kerch após ataques concentrados a navios petroleiros no Mar de Azov e fundeadouros próximos. Um decreto foi assinado permitindo que certas refinarias de petróleo reduzissem seus padrões de qualidade de produção de gasolina do padrão Euro-5 para o Euro-3 até o final do ano.
Contexto
Ocorreram várias crises de gasolina na Rússia desde o início da década de 2010, sendo a mais recente registrada em 2023. Como parte da Guerra Russo-Ucraniana, drones ucranianos vinham atingindo ocasionalmente refinarias russas desde 2024, causando custos financeiros e transtornos logísticos.
Ataques com drones ucranianos em 2025
Ano daGuerra Número de ataques àsinstalações petrolíferas russasNo anoAcumulado 1º 3 3 2º 13 16 3º 92 108 4º 138 246 Fev/26–Jun/26 59 305
De acordo com uma análise publicada em 25 de junho de 2026 pela CNN, a Ucrânia havia atingido instalações petrolíferas russas mais de 300 vezes desde o início da invasão em grande escala da Rússia em 24 de fevereiro de 2022. Apenas três ataques foram realizados no primeiro ano da guerra (fevereiro de 2022 a fevereiro de 2023), com mais 13 no segundo ano. A campanha de ataques profundos da Ucrânia contra infraestruturas petrolíferas e outros alvos estratégicos russos foi lançada oficialmente no início de 2024, empregando dezenas de aeronaves não tripuladas por mês. Foi somente no terceiro ano que os ataques ucranianos à infraestrutura petrolífera da Rússia ganharam grande escala, somando 108 impactos acumulados ao final de três anos de conflito, 246 após quatro anos e 305 ataques no total até 25 de junho de 2026.
Um aumento substancial nos ataques direcionados pela Ucrânia contra a infraestrutura energética russa começou na segunda metade de 2025. Segundo a imprensa, a Ucrânia realizou mais de uma dúzia de ataques com drones contra instalações petrolíferas russas entre 2 e 24 de agosto, a maioria atingindo locais no Oblast de Riazan e no Oblast de Volgogrado, no sudoeste da Rússia. Em 27 de agosto, veículos de imprensa ucranianos informaram que a Refinaria de Riazan, uma das principais artérias de combustível de Moscou, havia sido atingida por uma grande explosão. Boris Aronstein, analista independente do setor de petróleo e gás, afirmou que os ataques ucranianos causaram "a crise mais severa dos últimos anos", acrescentando que o tamanho, a coordenação e as ondas repetidas de drones impedem a Rússia de reparar as refinarias antes da onda seguinte. Segundo a Reuters, a Crimeia e o Extremo Oriente da Rússia foram os primeiros territórios a enfrentar escassez de gasolina em agosto.
Em setembro de 2025, a Reuters relatou que a Rússia enfrentava escassez de certos tipos de combustível. A redução do processamento em refinarias decorrente dos ataques, combinada aos altos custos de empréstimos, impediu que postos privados formassem estoques. Segundo a agência, em determinados dias os ataques reduziram o refino de petróleo russo em quase um quinto e cortaram exportações em portos chave. Comerciantes do mercado russo relataram em setembro que os problemas de escassez se espalharam pela região do rio Volga e pelo sul e centro da Rússia. Em 29 de setembro, a revista Forbes informou que a crise se agravou rapidamente por grande parte do país, com alta de preços, racionamento, filas extensas e bombas vazias em vários postos.
Em outubro de 2025, o BBC Verify e o serviço russo da BBC relataram um recorde de 14 refinarias atacadas por drones ucranianos em agosto, com 8 alvos em setembro e 12 em agosto, e que 21 das 38 grandes refinarias da Rússia haviam sido atingidas desde o início de 2025. O portal Meduza informou que alguns postos encerraram as atividades por não conseguirem reajustar preços devido a restrições anticoncorrenciais. Na Crimeia, autoridades de ocupação limitaram as vendas de gasolina a 20 litros por cliente e impuseram teto de preços.
Escalada da crise em 2026
Na metade de 2026, ataques ucranianos com mísseis e drones contra a infraestrutura energética russa expandiram a crise. O portal Politico informou que dois terços das regiões da Rússia registravam problemas no abastecimento de combustível, afetando milhões de cidadãos e ameaçando empresas. Na Crimeia, foi decretado estado de emergência e as autoridades proibiram todas as vendas de combustível. O jornal The Moscow Times destacou que a escassez paralisou a indústria do turismo na Crimeia.
Em 2 de julho de 2026, o jornal Novaya Gazeta Europe estimou que a crise de combustível havia atingido pelo menos 78 das 83 subdivisões federais da Rússia reconhecidas internacionalmente, além da Crimeia ocupada e Sebastopol; apenas 5 regiões russas não haviam relatado desabastecimento. Em 38 dessas regiões, autoridades impuseram restrições à venda de gasolina. Três regiões declararam estado de emergência: o Oblast de Penza, o Oblast de Irkutsk e o Krai de Transbaicália; a Crimeia ocupada e Sebastopol já haviam tomado essa medida em 26 de junho de 2026.
Em 6 de julho, drones ucranianos atingiram a Refinaria de Omsk, a maior refinaria de petróleo e principal produtora de gasolina da Rússia; fontes do setor afirmaram que a refinaria paralisou as operações no dia seguinte. A Refinaria de Saratov também interrompeu o funcionamento após ser atingida em 7 de julho.
Impacto Em novembro de 2025, a Reuters informou que o processamento de petróleo na Rússia havia caído apenas 3% ao longo do ano, apesar dos ataques, pois as refinarias usavam capacidade ociosa para compensar os estragos. Segundo o relatório, no auge dos ataques entre agosto e outubro, 20% da capacidade de refino russa ficou fora de operação, resultando em uma queda de 6% no volume total refinado. Em termos de receita, porém, a Agência Internacional de Energia (AIE) afirmou que o rendimento do petróleo russo caiu para um dos níveis mais baixos desde o início da guerra em 2022.
Em dezembro de 2025, o analista de energia Craig Kennedy afirmou que as novas sanções impostas pelos EUA, União Europeia e Reino Unido deviam reduzir substancialmente as receitas petrolíferas russas em 2026, intensificando a pior crise no setor de energia da Rússia desde a década de 1990.
thumb|Posto de combustível da Rosneft fechado em Moscou, 4 de julho de 2026. thumb|Fila de carros em um posto em Kaliningrado, enquanto parte da população recorre a patinetes elétricos e bicicletas, 2 de julho de 2026. thumb|Fila de carros em posto de combustível em Kaliningrado, 2 de julho de 2026.
No início de julho de 2026, a Reuters relatou que a maioria das regiões da Rússia enfrentava restrições de combustível, provocando apreensão pública e a criação de mapas colaborativos com informações sobre postos com estoque e filas menores, enquanto redes sociais mostravam motoristas brigando em filas de postos. Agricultores demonstraram preocupação com a colheita do trigo por falta de combustível para o maquinário. Em 4 de julho de 2026, o Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia estimou que 42,74% da capacidade de refino de petróleo da Rússia estava desativada, enquanto a AIE apontava que "mais de 20%" da capacidade havia sido paralisada. O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, declarou no início de julho de 2026 que a capacidade russa de produzir e exportar petróleo fora reduzida em 40% devido aos ataques ucranianos com drones de médio e longo alcance. O jornal Financial Times informou que a Rússia produziu 4,1 milhões de barris de petróleo por dia em junho de 2026 (28% abaixo da média dos últimos 5 anos e 35% abaixo da capacidade nominal); a escassez havia afetado diretamente 50 milhões de pessoas (35% da população da Federação Russa); e, até 9 de julho, a maioria das regiões havia imposto restrições à venda de combustíveis.
Em 30 de junho de 2026, o CEO do Sberbank, German Gref, declarou a acionistas: "Não acredito que haja alguém neste país cuja principal preocupação seja outra que não o fim das hostilidades militares o mais rápido possível." A analista Jade McGlynn comentou: "Por quatro anos, os russos nas grandes cidades puderam tratar esta guerra como algo que acontecia com outras pessoas, em outro lugar, pago com os filhos dos outros. O racionamento de combustível em toda a Rússia encerra isso: quando você passa grande parte do dia em uma fila de posto, a guerra deixa de ser uma abstração no telejornal." A professora de assuntos internacionais Nina Khrushcheva concordou, afirmando ser mais provável que Putin intensifique as ações em vez de buscar negociações de paz, enquanto a população russa demonstra "muita resignação diante do que está acontecendo".
O jornal The Kyiv Independent destacou que um homem de Chita, no Krai de Transbaicália, que esperou 39 horas na fila de um posto, declarou ao portal Meduza que as autoridades russas eram "moles demais" com a Ucrânia, sugerindo a escalada do conflito como solução para a crise de combustível. A BBC colheu depoimentos variados entre moscovitas, destacando que os índices de aprovação de Putin caíram para cerca de 73~74%. Uma pesquisa do Centro Levada indicou que a proporção de russos que acreditavam que o país estava no caminho certo caiu para 52%, vinda de 61% em maio de 2026. Uma pesquisa do Instituto Gallup realizada no início de julho de 2026 mostrou que 60% dos russos consideravam que as condições econômicas locais estavam piorando, o índice mais alto registrado nos últimos 20 anos de aplicação da pesquisa.
Mitigação da escassez O governo russo impôs proibições intermitentes às exportações de gasolina após março de 2024. Em outubro de 2025, o governo anunciou uma moratória no amortecedor de combustível, a isenção de imposto sobre o diesel de inverno, e a prorrogação da proibição de exportação de gasolina até 1 de maio de 2026.
Em 23 de junho de 2026, o vice-primeiro-ministro russo Alexander Novak declarou que o governo federal considerava uma "proibição total" das exportações de diesel, após ter interrompido anteriormente as vendas externas de gasolina e combustível de aviação.
Em 2 de julho de 2026, o primeiro-ministro Mikhail Mishustin assinou um decreto permitindo que refinarias reduzissem os padrões de qualidade da gasolina do tipo Euro-5 para o Euro-3, que possui maior teor de enxofre (até 150 mg/kg), aumentando riscos de segurança e emissão de poluentes. O decreto vigora até o final de 2026 e proíbe a exportação do combustível produzido sob esse padrão. A redução na qualidade do combustível provocou quebras em veículos cujos motores exigem gasolina de alto padrão.
Em 29 de junho, o jornal Kommersant informou que o governo considerava reduzir os padrões do diesel para Euro-2, proibido na Rússia desde 2013.
Seis regiões adotaram o rodízio de veículos por final de placa, permitindo a compra de gasolina em dias pares ou ímpares conforme o número da placa do automóvel.
Ver também Indústria do petróleo na Rússia
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