José Alberto Campos Braz (Lisboa, 15 de setembro de 1955) é um docente universitário, escritor e investigador criminal português, que foi, na Polícia Judiciária, coordenador superior, assessor, subdiretor nacional-adjunto e diretor nacional-adjunto, tendo sido responsável pela implementação do sistema integrado de informação criminal, pelo combate nacional ao crime organizado, tráfico de estupefacientes e branqueamento de capitais, representando Portugal em diversos fóruns internacionais atinentes a esses domínios, nomeadamente junto da Interpol, Europol e ONU. Biografia Após concluir o ensino secundário no Liceu Passos Manuel, ingressou, em 1975, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, tendo-se licenciado, em Direito e realizado mestrado em Ciências jurídico-forenses. Enquanto ainda estudante do ensino superior, foi admitido na função pública, tendo, a partir de 1978, integrado o quadro técnico da Direcção-geral dos serviços prisionais, e, em 1980, entrado, como agente, na Polícia Judiciária, pertencendo às secções de roubo e furto qualificado da diretoria de Lisboa, onde se manteve até 1991, passando a chefiar a secção de furto qualificado daquela diretoria de Lisboa e a Inspeção de Faro, entre 1989 e 1991, após a sua promoção a inspetor ocorrida em 1986. Chefiou a 2.ª Secção de Investigação de Tráfico de Estupefacientes da DCITE (Direção central de investigação do tráfico de estupefacientes da Polícia Judiciária), de 1991 a 1995, ano em que foi promovido a inspetor-coordenador.

De 1996 a 1998, foi diretor do Departamento Central de Registo de Informações e Prevenção Criminal (DCRIPC), criado no início dessa década, tendo sido responsável pela reestruturação deste departamento e pela primeira fase do projeto de implementação do Sistema Integrado de Informação Criminal da Polícia Judiciária.

Em 1998 passa a chefiar a Secção de investigação de tráfico de estupefacientes de Lisboa e a Brigada de investigação de branqueamento de capitais na DCITE, tendo em abril de 1999 sido nomeado subdiretor-geral-adjunto desta Direção central, e, seguidamente, coordenado a Unidade de coordenação e intervenção conjunta de Lisboa, no âmbito do sistema nacional de combate ao tráfico de estupefacientes.

Em 22 de novembro de 2000, foi nomeado, pelo ministro da justiça António Costa, subdiretor nacional-adjunto, ficando a chefiar a DCITE até 2007 (em junho desse ano pediu a sua exoneração, alegando «não existirem condições» para cumprir as funções que lhe estavam cometidas), cargo que retoma a partir de 2009, sendo que após 16 de agosto de 2004 já as exerceu como diretor nacional-adjunto.

Pelo seu relevante contributo no combate ao tráfico internacional de estupefacientes, foi agraciado, em 2004, pelo Estado espanhol com a Cruz de Prata da Ordem do Mérito da Guardia Civil e com a Cruz de Mérito Policial do Cuerpo Nacional de Polícia e, distinguido publicamente pelas autoridades dos Estados Unidos da América, em 1995 e em 2002.

De fortes convicções e verticalidade, assumindo sempre posturas frontais, em 2009, então responsável máximo da Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo da PJ, foi com Teófilo Santiago, diretor do Departamento de Investigação Criminal de Aveiro, autor de um artigo intitulado "A falácia", publicado no jornal “Correio da Manhã”, em que era criticada a entrega da investigação de crimes violentos à Guarda Nacional Republicana e à Polícia de Segurança Pública, operada pela nova Lei de Organização criminal, os quais até então eram da exclusiva competência da PJ, o que lhes ocasionou, em 2010, a punição de repreensão escrita, na sequência do processo disciplinar que lhes foi instaurado, medida que a Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC/PJ) considerou violar o direito à liberdade de expressão e que, em sede de impugnação judicial, um Tribunal de Lisboa, em 2019, anulou, atribuindo a José Braz uma indemnização de dez mil euros a título dos danos não patrimoniais (morais) que lhe foram causados.

No início de 2011, dececionado com a justiça e inconformado com cortes orçamentais na PJ, decidiu deixar a instituição que serviu durante mais de três décadas e passou à situação de reforma, a 1 de maio, no que foi acompanhado por outros quadros do topo daquela polícia.

Em 2015, auscultado pelo Diário de Notícias criticou a proliferação indiscriminada de escutas telefónicas como método de investigação que considerou constituírem seguramente um perigoso caminho, não sendo esse a seu ver o tipo de investigação previsto nas leis penais.

Em 10 de agosto em 2026, perante as polémicas suscitadas em torno de Luís Neves, Ministro da Administração Interna e ex-diretor nacional da Polícia Judiciária, José Braz saiu publicamente em sua defesa, ao mesmo tempo que teceu duras críticas a Almeida Rodrigues, antecessor de Luís Neves à frente daquela polícia

Católico desde a juventude, fase da vida em que pertenceu às Conferências de S. Vicente de Paulo na paróquia do Sagrado Coração de Jesus em Lisboa, é colaborador do Instituto Missionário Padres Vicentinos.

É fundador e membro da direção da Associação de Juristas de Pampilhosa da Serra.

Docência Nas décadas de 1980 e 1990, foi docente e coordenador pedagógico primeiro da Escola de Polícia Judiciária e depois do Instituto Nacional de Polícia e Ciências Criminais, nas áreas jurídica e das metodologias de investigação criminal.

Em 2013 integrou o corpo docente do curso de pós-graduação em investigação criminal do INSPSIC - Instituto de Formação Avançada - Instituto Português de Psicologia e outras Ciências.

É professor assistente convidado no Instituto Universitário Egas Moniz, nas áreas das Ciências jurídico-forenses e da investigação criminal, e também o foi na Universidade Lusófona.

Obra publicada O Semeador de Esperança - Ascenção, queda e redenção de José Carlos Amador Rebello, Âncora Editora, julho de 2026 Investigação Criminal - A Organização, o Método e a Prova - Os Desafios da Nova Criminalidade, Almedina, com 6.ª edição revista e atualizada em 2024 Ciência, Tecnologia e Investigação Criminal - Interdependências e limites num estado de direito democrático, Almedina, com 2.ª edição revista e ampliada em 2021 Cooperação internacional na luta contra o tráfico de droga Coautor, com Álvaro Laborinho Lúcio e José António Barreiros, de «Levante-se o véu!», Alfragide, Oficina do Livro, 2011 Coautor, com Fernando Rua e Alice Braz Simões, de «A terra e a gente: memórias fotográficas da Vila de Pampilhosa da Serra», 2021, VigaPrintes Coordenador e editor da obra «Quotidiano pampilhosense: estórias e figuras de um passado recente», Pampilhosa da Serra, Câmara Municipal de Pampilhosa da Serra, 2023 Publicou também, no âmbito da e sua actividade de investigador e docente, vários trabalhos e monografias.

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