Naufal ibne Abede Manafe () foi um membro dos coraixitas de Meca, filho de Abede Manafe ibne Cuçai e irmão de Haxime, Abede Xemece e Almotalibe. Foi o ancestral epônimo dos naufalitas, um dos clãs dos coraixitas, e participou da expansão das atividades comerciais mecanas para além da Península Arábica, estando particularmente associado ao estabelecimento das relações mercantis com o Império Sassânida.
Vida
Naufal era um dos filhos de Abede Manafe ibne Cuçai, a quem as tradições atribuem seis filhos homens e seis filhas. Ao lado dos irmãos Haxime, Abede Xemece e Almotalibe, integrou o grupo conhecido como Companheiros do Ilafe (). Os acordos conhecidos como ilafe garantiam aos mercadores coraixitas acesso a mercados estrangeiros e maior segurança nas rotas percorridas pelas caravanas. Enquanto Haxime obteve garantias para o comércio nos territórios do Império Bizantino, Almotalibe dirigiu-se ao Iêmem e Abede Xemece à Abissínia, Naufal viajou ao Império Sassânida, onde estabeleceu um acordo com seu soberano. No caminho de regresso, assim como seus irmãos em suas respectivas rotas, obteve também garantias de não agressão das tribos atravessadas pelos mercadores. A atuação conjunta dos quatro irmãos conferiu dimensão internacional ao comércio de Meca e esteve na origem de sua designação como Companheiros do Ilafe.
Naufal participou também das disputas internas dos coraixitas pela distribuição das funções políticas e religiosas de Meca. Após a morte de Cuçai ibne Quilabe, os filhos de Abede Manafe — Haxime, Abede Xemece, Almotalibe e Naufal — contestaram a concentração das principais magistraturas entre os descendentes de Abede Adar ibne Cuçai, alegando possuir maior prestígio e influência. Os partidários dos abedemanafitas formaram a aliança conhecida como mutaiabitas, enquanto os aliados dos abedadaritas constituíram os alafitas. O acordo que encerrou a disputa manteve a hijaba, a liua e a administração da Dar Anadua entre os abedadaritas, enquanto a sicaia, a rifada e a quiada passaram aos abedemanafitas.
As relações entre Naufal e os demais ramos descendentes de Abede Manafe não permaneceram, contudo, inteiramente harmoniosas. As fontes registram uma disputa entre Naufal e seu sobrinho Abede Almotalibe, filho de Haxime, na qual Naufal se apropriou de um terreno pertencente ao sobrinho em Meca. Abede Almotalibe recorreu aos parentes maternos de seu pai, os najaritas de Medina, descendentes de Adi ibne Anajar. Em resposta ao pedido, oitenta najaritas dirigiram-se a Meca, intervenção que obrigou Naufal a devolver a propriedade. A tradição preservada sobre o ilafe indica que Naufal continuou envolvido nas atividades mercantis ligadas ao Iraque. Morreu em , no Iraque, durante uma viagem comercial. Dele descendiam os naufalitas, que constituíram um dos ramos dos coraixitas. Nos períodos posteriores, seus descendentes e os omíadas, igualmente descendentes de Abede Manafe, afastaram-se politicamente dos antigos aliados dos mutaiabitas e aproximaram-se dos maquezumitas, embora os naufalitas conservassem certa autonomia em relação a estes.
Bibliografia
Categoria:Árabes do século VI Categoria:Naufalitas