Teologia mulherista é uma abordagem metodológica à teologia que centra a experiência e perspetivas de mulheres negras, particularmente mulheres afro-americanas. A primeira geração de teólogas e eticistas mulheristas começou a escrever em meados a fim dos anos 80, e o campo tem sido expandido significativamente. O termo tem as suas raízes nas obras de Alice Walker sobre o mulherismo. "Teologia mulherista" foi usada pela primeira vez num artigo em 1987 por Delores S. Williams. Dentro do debate teológico cristão, a teologia Mulherista surgiu como um corretivo à teologia feminista inicial escrita por feministas brancas que não abordavam o impacto da raça nas vidas das mulheres, ou tinham em conta as realidades passadas pelas mulheres negras dentro dos Estados Unidos. De forma semelhante, as teólogas mulheristas assinalavam as formas na qual a teologia negra, escrita predominantemente por teólogos homens, falhavam em considerar as perspetivas e perceções das mulheres negras. Estudiosas que defendem a teologia mulherista não são um monolítico nem adotam cada aspeto da definição de Walker. Na sua vez, estas estudiosas frequentemente encontram afinidade nos seus comprometimentos anti-sexistas, anti-racistas e anti-classicistas ás teologias femininas e de libertação.
Etimologia O termo womanish (amulherada) era comummente usado na linguagem quotidiana negra por mães que descreviam as suas filhas adolescentes que agem de forma escandalosa e crescida, em contraste com girlish (juvenil). Mulherista foi então desenvolvido em 1983 pela autora e ativista negra Alice Walker na sua coleção de ensaios, In Search of Our Mothers' Gardens: Womanist Prose. Neste texto, ela faz o ponto de que "Uma Mulherista é para a feminista como o roxo é para a lavanda". Por isso, enquanto mulherista se refere principalmente a mulheres afro-americanas, também é para mulheres no general. As obras de Walker teriam impacto significante nas teólogas mulheristas posteriores.
Desenvolvimento A teologia mulherista desenvolveu-se em diálogo com a teologia negra, particularmente como articulada por James Hal Cone. Cone foi pioneiro quando em 1969 publicou A Black Theology of Liberation, que procurava fazer sentido da teologia a partir da experiência negra nos Estados Unidos. No livro, Cone argumentou que "Deus é negro" e que Deus identifica-se com a luta dos afro-americanos pela justiça e libertação.
Em 1985, Katie Cannon publicou um artigo intitulado "O Surgimento da Consciência Feminista Negra". Neste artigo, ela usou o termo mulherismo para se referir a uma abordagem para interpretar a bíblia que está preocupada pela libertação das mulheres negras. Em 1988, ela publicou Black Womanist Ethics, agora considerado um clássico na área.
A estudiosa negra Renita J. Weems publicou Just a Sister Away: A Womanist Vision of Women's Relationships in the Bible em 1988. Uma edição revista intitulada, Just a Sister Away: Understanding The Timeless Connection Between Women of Today and Women in the Bible foi publicada em 2005. Weems modificou os capítulos originais e adicionou quatro novos capítulos. No texto, ela examina histórias selecionadas de mulheres no texto bíblico e conecta-as com realidades contemporâneas e relação das mulheres.
Jacquelyn Grant publicou White Women's Christ and Black Women's Jesus: Feminist Christology and Womanist Response em 1989. Grant examinou as formas de que as mulheres negras interpretam a mensagem de Jesus, assinalando que a sua experiência não é a mesma dos homens negros e mulheres brancas. Ela assinalou que muitas mulheres negras devem navegar entre a opressão do racismo, sexismo, e classicismo. Para Grant, Jesus é um "co-sofredor divino" que sofreu no seu tempo como as mulheres negras fazem hoje".
No encontro anual da Academia de Religião Americana em 1989, estudiosas mulheristas nos campos da ética, teologia e estudos bíblicos realizaram uma Consultoria de Abordagens Mulheristas à Religião e Sociedade. Isto tornou-se parte de um grupo na Academia que continua até à atualidade.
Em 1993, várias obras que iriam expandir o campo de teologia mulherista foram publicadas. Emilie Townes, uma eticista, publicou Justice and Womanist Hope. Ela também editou A Troubling in My Soul: Womanist Perspectives on Evil and Suffering, uma antologia de obras por estudiosas de várias disciplinas. Também foi publicado nesse ano, Sisters in the Wilderness: The Challenge of Womanist God Talk, de Delores S. Williams.
Williams tomou o trabalho de teólogos como Cone e Grant e expandiu sobre eles. Ela sugeriu que as teólogas mulheristas precisam de "procurar pelas vozes, ações, opiniões, experiência, e fé" de mulheres negras para experienciarem o Deus que "arranja forma onde ela não há". Ela define mulherista da seguinte forma:
Kelly Brown Douglas escreveu The Black Christ em 1994, construindo sobre a obra de Grant. No texto, Douglas pede que a teologia mulherista fale sobre as preocupações das pessoas fora da igreja como também as que estão dentro dela.
Interpretação bíblica
As teólogas mulheristas usam uma variedade de métodos para abordarem a escritura. Algumas tentam encontrar mulheres negras dentro da narrativa bíblica como que para reivindicar o papel e identidade das pessoas negras em geral, e mulheres negras especificamente, dentro da Bíblia. Exemplos incluem a eticista social Cheryl Sanders e a teóloga mulherista Karen Baker-Fletcher. Algumas abordam a Bíblia "objetivamente" para avaliar criticamente o texto que degrada as mulheres e pessoas de cor e para oferecer uma forma centrada em África, para resistir ao domínio e viés masculino, ou o que pode ser intitulado como anti-mulheres ou atitudes e formas androcêntricas. Outras baseiam-se em recursos fora da Bíblica para aprimorar a pluralidade e coesão dos textos junto com as nossas experiências de vida e rejeitam a escritura como um todo ou partes que sejam vistas por apenas servindo ao interesse masculino. Estes métodos não são separados e podem ser defendidos juntos.
Patricia-Anne Johnson escreve que "Renita J. Weems, uma professora mulherista e estudiosa da Bíblia Hebraica, examina a escritura como um mundo cheio de mulheres de cor. Pelo uso da imaginação mulherista, Weems ajuda os estudantes a entender o papel e personalidades das mulheres, e relações de mulher-para-mulher durante o tempo em que os textos bíblicos foram escritos." Johnson, citando mais Weems, também mostra como Agar e Ester podem ser vistas como modelos de resistência para as mulheres negras: "O Mulherismo pode ser visto como um discurso pós-colonial que permite ás mulheres afro-americanas acolher um Jesus e um Deus livres do imperialismo da supremacia branca."
Em 2017, Nyasha Junior publicou uma obra no campo de interpretação bíblica, An Introduction to Womanist Biblical Interpretation. No texto, ela argumenta que "a interpretação bíblica mulherista [foi] um desenvolvimento natural das mulheres afro-americanas a engajar no ativismo na vez de simplesmente [como] uma resposta ao feminismo de segunda-onda".
Críticas A teologia mulherista tem-se expandido para incluir as preocupações espirituais, sociais, e políticas daquelas que não se identificam como mulheres negras cristãs. Fundamentos cristãos e cristocêntricos forneceram o enquadramento para o pensamento mulherista inicial. Monica Coleman desafia mulheristas que reivindicam o título e alçada teológica que estão enraizados na definição de Walker, porém não permitem que chegue para lá de não-cristãos como defeituoso e um fracasso para fazer o que foi criado para conseguir. Coleman, Traci West, e outras estudiosas religiosas negras expressaram a sua preferência pelo termo "feminista negra" devido à história da erudição mulherista ser marcada pelo heterossexismo e homofobia.
As estudiosas religiosas mulheristas têm verbalizado os desafios que vêm com se identificarem como mulheristas no mundo académico. Nyasha Junior escreveu sobre as suposições problemáticas que vêm com ser rotulada como uma estudiosa Mulherista, e como uma não tem de ser identificar como tal para fazer teologia Mulherista. Existem feministas negras e estudiosas mulheristas que acreditam que o seu tempo seria melhor usado em fazer contribuições no campo e trabalhar com comunidades marginalizadas ao contrário de estarem preocupadas com se uma é propriamente auto-identificada.
Referências
Notas de rodapé
Bibliografia
Johnson, Patricia-Anne (2002). "Womanist Theology as Counter-Narrative". Em Ruether, Rosemary Radford (ed.). Gender, Ethnicity, and Religion: Views from the Other Side. Fortress Press. pp. 193–214. Mitchem, Stephanie Y. (2002). Introducing Womanist Theology. Maryknoll, Nova Iorque: Orbis Books (publicado em 2014). Walker, Alice (1983). In Search of our Mothers' Gardens: Womanist Prose. Nova Iorque: Harcourt Brace Jovanovich. Williams, Delores S. (1995). Sisters in the Wilderness: The Challenge of Womanist God-talk. Maryknoll, New York: Orbis Books. Willis, Gladys J. (2016). Alice Walker's Influence on Womanist Theology. Xlibris Corporation.
Leitura adicional
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