O assassinato de Sophia Kissajikian Cancio Najjar (12 de maio de 2011 - dezembro de 2015), de 4 anos de idade, aconteceu em dezembro de 2015, no bairro do Jabaquara, na Zona Sul de São Paulo. Em agosto de 2026, após um terceiro julgamento, seu pai Ricardo Krause Esteves Najjar foi condenado a mais de 24 anos de prisão pelo crime.

Contexto Após viverem um relacionamento conturbado, os pais da menina, Ricardo e Lígia Kissajikian Câncio, se separaram quando Sophia tinha por volta de um ano de idade. O pai então passou a buscar a menina em datas programadas.

Crime O crime aconteceu em dezembro de 2015. Ricardo buscou a menina na escola e a levou, como sempre fazia, para seu apartamento, onde, segundo seu depoimento posterior, ela teria morrido num “acidente doméstico”. Em seu relato ele contou que após sair do banho a teria encontrado toda machucada e com a sacola plástica enrolada na cabeça. No entanto, a versão foi depois refutada, uma vez que no entendimento do colegiado do Tribunal de Justiça de São Paulo, se a menina tivesse se machucado, teria gritado e o pai teria ouvido, já que segundo seu próprio relato, tomava banho com a porta aberta.

Prisão Ricardo foi preso inicialmente no velório da menina e chegou a ficar um ano detido, sendo solto antes do julgamento por “excesso de tempo de prisão temporária”. Ele voltou a ser preso em março de 2017.

Julgamentos

Primeiro julgamento - 2018 Em 2018, Ricardo Krause foi julgado e condenado a 24 anos e 10 meses de prisão por homicídio doloso, quando há intenção de matar, duplamente qualificado. Ele também foi condenado por fraude processual, por supostamente ter alterado a cena do crime. Na época, estava preso na Penitenciária de Tremembé, no Vale do Paraíba.

Anulação e novo júri - 2023 Em setembro de 2020, o Tribunal de Justiça de São Paulo anulou o júri popular que havia condenado o réu. Um novo júri foi realizado nos dias 24, 25 e 26 de maio de 2023, no Fórum Criminal da Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo. Trinta testemunhas foram intimadas e no novo julgamento, Ricardo foi condenado a 1 ano, 6 meses e 20 dias de prisão por homicídio culposo, ou seja, quando não há intenção.

Segunda anulação e novo júri - 2026 O MP recorreu da desclassificação de homicídio doloso para culposo, já que as provas apontavam para um crime e não um acidente, e o Tribunal de Justiça de São Paulo acatou o recurso. Assim, num terceiro julgamento, em 14 de agosto de 2026, Ricardo foi condenado a 24 anos, 10 meses e 20 dias de prisão pelo homicídio qualificado de Sophia. O Ministério Público de São Paulo (MP) fez questão de divulgar uma nota reafirmando "o compromisso do Ministério Público com a verdade dos fatos, a proteção da infância e a responsabilização adequada nos casos de violência grave".

Repercussão O caso teve grande repercussão e a mãe da menina, que é advogada e atuou na acusação ao lado do MP, deu entrevistas na TV, inclusive no Programa Encontro, da TV Globo, onde declarou após a anulação de um dos julgamentos: "para a nossa família é uma intensa tristeza não sentir que a justiça tenha sido feita nesse caso. Não estamos satisfeitos com a decisão, já decidimos recorrer e gostaria de dizer que vou continuar lutando por justiça”. Em outra ocasião, afirmou: "já são quase 8 anos em busca de justiça. A perda de um filho na vida de uma mãe é uma dor irreparável, não dá pra descrever e essa luta tem sido diária”.

Sua mãe também criou uma página memorial em homenagem à filha no Facebook (acesse aqui).

Ver também

Assassinato de Isabela Nardoni

Referências

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