A hipodermóclise, também designada por terapia ou infusão subcutânea, consiste na administração de fluidos isotónicos e fármacos no tecido celular subcutâneo, configurando uma alternativa terapêutica segura, eficaz e de baixo custo quando a via oral se encontra inviabilizada e o acesso endovenoso é difícil ou indesejado. Historicamente utilizada no início do século XX e posteriormente preterida a favor da via intravenosa, esta técnica sofreu um forte renascimento na moderna medicina geriátrica e nos cuidados paliativos, fundamentado no respeito pelo conforto, autonomia e dignidade do doente em fim de vida. O procedimento baseia-se na capacidade de absorção capilar e linfática do tecido adiposo, permitindo a infusão contínua ou intermitente de volumes hídricos diários que variam geralmente entre um e três litros, distribuídos por diferentes sítios anatómicos de punção, tais como a região deltoide, o abdómen, a face anterolateral da coxa ou a zona escapular. Entre as suas principais vantagens clínicas destacam-se o risco negligenciável de complicações sistémicas graves — como a sobrecarga circulatória ou a tromboflebite —, a facilidade de manutenção do cateter em ambiente domiciliário, a redução do sofrimento associado a múltiplas picadas e a preservação da mobilidade do paciente. Contudo, a sua aplicação requer uma monitorização rigorosa por parte da equipa de saúde para detetar reações locais adversas, nomeadamente edema, eritema ou dor no local da inserção, estando formalmente contraindicada em situações de emergência médica que exijam reidratação rápida, bem como em doentes com anasarca, distúrbios graves da coagulação ou choque periférico.

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