Vera Marta Ribeiro (Rio de Janeiro, 26 de março de 1898 – Rio de Janeiro, 22 de novembro de 1939) foi uma poetisa, cronista e colaboradora de periódicos brasileiros. Filha do historiador, filólogo e professor João Ribeiro, publicou em 1934 o livro de poemas Nihil: Ritmos.RAMOS, Alessandra da Silva. A vida (des)fazendo-se: estética da existência de uma poetisa infame (1898-1939). 2016. 177 f. Dissertação (Mestrado em História) - Programa de Pós-Graduação em História, Centro de Ciências Humanas e da Educação, Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis, 2016.
Vida Vera Marta Ribeiro nasceu no Rio de Janeiro em 26 de março de 1898, filha de João Ribeiro e Maria Luiza da Fonseca Ramos. Cresceu em uma família numerosa, tendo dezesseis irmãos, dos quais oito faleceram antes dela. Sua educação ocorreu inicialmente no ambiente doméstico, sob influência direta do pai, intelectual importante na Primeira República, e posteriormente em instituições de ensino da capital, incluindo o Collège de Sion.miniaturadaimagem|Carta de Vera Marta Ribeiro a Antônio Sales
Durante a juventude trabalhou como professora e auxiliar de ensino na rede pública do Rio de Janeiro. Em 1923 concluiu o curso de Farmácia na Faculdade de Medicina da atual Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Em junho de 1924 casou-se com o advogado Nelson de Magalhães Feitosa. A união terminou em desquite em 1935, quando Vera Marta tinha 37 anos. Nas décadas de 1920 e 1930 colaborou em jornais e revistas, publicando poemas, crônicas e textos de crítica cultural. Participou do periódico Brasil Feminino, dirigido por Iveta Ribeiro, e integrou círculos literários como o Clube Vitórias Régias, que reunia escritoras e artistas no Rio de Janeiro.
Além de suas atividades literárias, colaborou com João Ribeiro na revisão e preparação de materiais didáticos. Segundo Múcio Leão, o historiador lhe confiava tarefas de pesquisa e revisão em seus livros, especialmente nos últimos anos de vida.RAMOS, Alessandra da Silva. O suicídio na poesia de Vera Martha Ribeiro. In: ENCONTRO ESTADUAL DE HISTÓRIA, 15., 2014, Florianópolis. Anais do XV Encontro Estadual de História “1964-2014: Memórias, Testemunhos e Estado”. Florianópolis: UFSC, 2014.
Em 22 de novembro de 1939, aos 41 anos, Vera Marta Ribeiro morreu por suicídio no Rio de Janeiro. O episódio acabou marcando sua posterior recepção, que recorrentemente enfoca o tema.
Obra esquerda|miniaturadaimagem|268x268px|Poema publicado na Brasil Feminino em dezembro de 1932 A principal obra de Vera Marta Ribeiro é o livro de poemas Nihil: Ritmos, publicado em 1934 e dedicado a seu pai, João Ribeiro. A primeira parte do volume apresenta forte influência de correntes espiritualistas e orientalistas, especialmente em poemas como Evolução, Silêncio, Purificação e As cinco meditações de Budha. O livro também inclui composições sobre a experiência materna, além de traduções e adaptações de autores estrangeiros, entre eles Victor Hugo e poetas indianos. Em matéria estilística, sua poesia se enquadra no Modernismo.
Vera Marta também publicou textos em jornais e revistas entre as décadas de 1920 e 1930, incluindo críticas literárias, comentários sobre cinema, contos e poemas. Parte significativa dessa produção apareceu em periódicos como a Gazeta de Notícias e o Brasil Feminino.
A crítica recente tem destacado o caráter autobiográfico e autorreflexivo de sua escrita, utilizando a poesia como forma de elaborar experiências pessoais e representar a si mesma perante o mundo.
Homenagens póstumas Manuel Bandeira escreveu um poema em homenagem à Ribeiro:
A Academia Carioca de Letras, a partir da proposta de Othon Costa, manifestou voto de pesar pelo falecimento de Vera Martha Ribeiro.Diário Carioca, domingo, 3 de dezembro de 1939.
Livro
Nihil: ritmos. Rio de Janeiro: Record, 1934.
Ligação externa
Carta de Vera Marta Ribeiro a Antônio Sales
Categoria:Escritoras brasileiras do século XIX Categoria:Poetas do estado do Rio de Janeiro