Francisco Silveira Guimarães (31 de outubro de 1957) é um médico e farmacologista brasileiro, professor titular do Departamento de Farmacologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) e membro titular da Academia Brasileira de Ciências. É reconhecido pelos estudos sobre os mecanismos de ação do canabidiol no sistema nervoso central e foi identificado, por levantamentos bibliométricos independentes, como o autor mais produtivo do mundo em pesquisa sobre a substância.
Formação Guimarães graduou-se em medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1981 e fez residência em medicina interna no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Doutorou-se em farmacologia na FMRP-USP em 1987, sob orientação de Antonio Waldo Zuardi, com tese sobre o efeito da clomipramina e da maprotilina em voluntários sadios submetidos a ansiedade induzida experimentalmente.
Entre 1989 e 1990 fez pós-doutorado na Universidade de Manchester, no Reino Unido, com John F. W. Deakin. Obteve a livre-docência na USP em 1994.
Carreira Guimarães é professor titular do Departamento de Farmacologia da FMRP-USP, do qual foi chefe, e orienta nos programas de pós-graduação em Farmacologia e em Saúde Mental da faculdade. É bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq no nível 1A e foi membro do comitê assessor de Biofísica, Bioquímica, Farmacologia e Fisiologia do órgão.
Foi eleito membro titular da Academia Brasileira de Ciências na área de Ciências Biomédicas, com posse em 6 de maio de 2014, e é membro titular da Academia de Ciências do Estado de São Paulo. Integra os corpos editoriais dos periódicos Psychopharmacology e International Journal of Neuropsychopharmacology e foi editor seccional do Brazilian Journal of Medical and Biological Research.
Pesquisa Em 1990, com Zuardi e Frederico Guilherme Graeff, Guimarães demonstrou o efeito ansiolítico do canabidiol no labirinto em cruz elevado, descrevendo a curva dose-resposta em U invertido que se tornaria característica da substância. Nas décadas seguintes, seu grupo identificou o envolvimento dos receptores serotoninérgicos 5-HT1A nesse efeito, inicialmente na substância cinzenta periaquedutal dorsolateral, e mostrou que o efeito ansiolítico do canabidiol em camundongos cronicamente estressados depende da neurogênese hipocampal e do sistema endocanabinoide, com participação dos receptores CB1 e CB2. Também descreveu efeitos do tipo antipsicótico e antidepressivo da substância em modelos animais.
Uma segunda linha de pesquisa trata dos mecanismos de defesa e pânico na substância cinzenta periaquedutal dorsal, em que foi pioneiro ao relacionar o óxido nítrico à ansiedade. Colabora com o químico israelense Raphael Mechoulam desde 1991 no desenvolvimento de análogos sintéticos do canabidiol.
Reconhecimento Levantamento bibliométrico sobre a produção mundial em cannabis e canabidiol entre 1940 e 2019, publicado na Current Pharmaceutical Biotechnology, apontou Guimarães como o autor individual mais produtivo do mundo no tema, à frente de Zuardi; a análise identificou ainda a USP como a instituição de maior produção mundial na área. Um segundo levantamento, referente ao período de 2004 a 2021, confirmou a primeira posição, com 51 documentos e 2 406 citações no recorte analisado. Em entrevista sobre o resultado, Guimarães relativizou o mérito, creditando a Mechoulam o papel central na área.
Em 2022 recebeu o Gill Transformative Investigator Award, concedido pelo Gill Institute for Neuroscience da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos. Em 2023 organizou, com José Alexandre Crippa, Zuardi e José Diogo Ribeiro de Souza, o livro Canabidiol na Medicina: da pesquisa à prática clínica, finalista do Prêmio Jabuti Acadêmico de 2024 na categoria Medicina.
Ver também Antonio Waldo Zuardi Canabidiol Raphael Mechoulam
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