miniaturadaimagem|Logo atual da Ciranda de Tarituba. A Ciranda de Tarituba é uma manifestação cultural tradicional da comunidade de Tarituba, foi fundada por Mestre Chiquinho em 16 de maio de 1975, localizada no terceiro distrito do município de Paraty, no estado do Rio de Janeiro, Brasil. A prática é associada à cultura caiçara da região e reúne música, dança e poesia.
Segundo registros sobre a comunidade, a tradição dos bailes de Tarituba possui mais de 150 anos. Entre as danças e cantigas tradicionalmente apresentadas estão a Ciranda, Tontinha, Caboco Véio, Caranguejo, Arara, Chapéu, Cana Verde, Filipe e Chiba Cateretê. As manifestações estão relacionadas a antigas formas de confraternização da comunidade, especialmente após atividades ligadas à pesca e à agricultura.
As músicas apresentam temas relacionados ao cotidiano caiçara, incluindo atividades pesqueiras e agrícolas, relações sociais, movimentos das marés e costumes locais.
Grupo de Dança Folclórica de Tarituba Em 1975, foi fundado o Grupo de Dança Folclórica de Tarituba (GDFT) por iniciativa de Mestre Chiquinho e de moradores mais antigos da comunidade. O grupo passou a atuar na divulgação e na preservação das danças tradicionais de Tarituba, reunindo diferentes gerações de moradores.
Entre seus projetos está a produção de um disco de vinil com apoio da Fundação Nacional de Artes (FUNARTE). Posteriormente, foi produzido o livro-CD Vamos indo na Ciranda – Mestre Chiquinho de Tarituba, de bailes e histórias, com participação de colaboradores e apoio da Prefeitura Municipal de Paraty.
História
Origens A Ciranda de Tarituba é uma manifestação tradicional da comunidade de Tarituba, no município de Paraty, Rio de Janeiro. A tradição dos bailes populares é considerada centenária e, segundo registros da Secretaria Municipal de Cultura de Paraty, remonta a mais de 150 anos.
As origens exatas da manifestação não são completamente documentadas. A tradição reúne diferentes formas de dança e música, com influências indígenas, portuguesas e francesas. Entre as características presentes estão as danças circulares, os sapateados, as danças de pares e as formações coletivas.
Os bailes estavam relacionados à vida cotidiana da comunidade caiçara. Eram realizados como momentos de convivência, comemoração e diversão, incluindo ocasiões relacionadas à pesca e à agricultura. Entre as danças tradicionalmente associadas à Ciranda de Tarituba estão a Chiba Cateretê, Cana Verde, Arara, Caranguejo, Chapéu, Caboclo Velho, Tontinha e outras.
A família Bulhões e Mestre Chiquinho A história oral registrada pela Secretaria Municipal de Cultura relaciona a continuidade da tradição à família Bulhões. Na década de 1930, Tarituba teria uma pequena quantidade de casas, e Pedro Candinho Marins de Bulhões e seus filhos José Pedro, Benedito José e Francisco José de Bulhões, conhecido como Mestre Chiquinho, são apontados como importantes músicos e mestres da tradição local.
Mestre Chiquinho nasceu em 1906 e morreu em 1992. Ele tornou-se uma das principais referências da Ciranda de Tarituba, especialmente por sua atuação como músico, poeta e organizador dos bailes.
Registro e organização na década de 1970 No início da década de 1970, a atuação de Mestre Chiquinho e de seu grupo chamou a atenção da folclorista Maria de Cássia do Nascimento Frade. A partir desse contato, começaram trabalhos de pesquisa e documentação da manifestação cultural.
Em 16 de maio de 1975, foi fundada a Associação Recreativa e Folclórica de Tarituba, posteriormente denominada Associação Cultural Recreativa e Folclórica de Tarituba. No mesmo ano, o grupo realizou seu primeiro registro fonográfico.
A gravação ocorreu em 6 de dezembro de 1975, no Museu do Folclore, no Rio de Janeiro. O registro foi realizado por Vitalino Muratori e Jorge Vieira, da Agência Nacional, e contou com a participação do grupo de Ciranda de Tarituba liderado por Francisco José de Bulhões, o Mestre Chiquinho.
O material foi posteriormente lançado, em 1976, como parte da série Documentário Sonoro do Folclore Brasileiro, da Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro.
Período de dificuldades Durante as décadas de 1980 e início de 1990, a Ciranda passou por um período de enfraquecimento dentro da própria comunidade. A doença e o posterior falecimento de Mestre Chiquinho em 1992, contribuíram para a diminuição das atividades. Também houve dificuldades na transmissão da tradição para as gerações mais jovens.
Pesquisadores também relacionaram o enfraquecimento da manifestação a mudanças sociais e econômicas na região, incluindo a construção da Rodovia Rio-Santos entre 1972 e 1975, onde ocorreu a saída de jovens de Tarituba em busca de estudo e trabalho em centros maiores.
Revitalização A partir da década de 1990, moradores passaram a organizar iniciativas para recuperar a prática da Ciranda na comunidade. Um dos acontecimentos importantes ocorreu em 1989, quando um grupo ligado à pesquisadora Eleonora Gabriel apresentou um espetáculo de Ciranda em Tarituba. A apresentação provocou uma reação entre os moradores, especialmente entre os jovens, e contribuiu para o processo de retomada da tradição.
A partir desse processo, diferentes gerações voltaram a participar das atividades relacionadas à Ciranda. O Grupo de Danças Folclóricas de Tarituba passou a atuar na apresentação e divulgação das danças tradicionais em eventos culturais.
Século XXI Em 2004, foi produzido o livro-CD Vamos indo na ciranda – Mestre Chiquinho de Tarituba: de bailes e histórias, reunindo informações, registros e músicas relacionadas à tradição.
Em 2010, a Associação Cultural Recreativa e Folclórica de Tarituba tornou-se Ponto de Cultura e criou a Escola de Ciranda de Tarituba, que passou a desenvolver oficinas de música, dança e artesanato.
Em 2025 e 2026, a Ciranda de Tarituba participou do Festival do Folclore de Olímpia, realizado no município de Olímpia, no estado de São Paulo, representando a cultura tradicional de Tarituba e contribuindo para a divulgação de suas manifestações culturais em um evento dedicado ao folclore brasileiro.
A associação continuou atuando na preservação e divulgação das manifestações culturais de Tarituba. Atualmente, a Ciranda é apresentada como parte do patrimônio cultural tradicional da comunidade, sendo transmitida entre diferentes gerações.]
Atualmente, a Ciranda de Tarituba é reconhecida como uma manifestação cultural associada ao patrimônio cultural da comunidade. As iniciativas de preservação buscam manter elementos da tradição caiçara e promover a continuidade das práticas culturais transmitidas entre as gerações, com destaque para a música, a dança e os costumes tradicionais de Tarituba.
Escola Ciranda de Tarituba As atividades de preservação cultural também contribuíram para a criação do Ponto de Cultura Escola Ciranda de Tarituba, vinculado a iniciativas da Secretaria de Estado de Cultura e com apoio do governo federal.
O espaço desenvolve atividades relacionadas à música, dança e artesanato, além de promover a transmissão de conhecimentos tradicionais entre moradores de diferentes idades.
Importância cultural A Ciranda de Tarituba constitui uma das manifestações associadas à cultura caiçara de Paraty. Sua continuidade está relacionada à transmissão de músicas, danças e conhecimentos entre as gerações da comunidade, mantendo elementos da memória cultural e das práticas tradicionais de Tarituba. Referências