Tikvah Alper (Cidade do Cabo, 22 de janeiro de 1909 – Hampshire, 2 de fevereiro de 1995) foi uma radiobióloga de destaque, com formação inicial em física.

Entre muitas outras iniciativas e descobertas, ela foi uma das primeiras a encontrar evidências indicando que o agente infeccioso do scrapie não contém ácido nucleico, uma descoberta fundamental para a compreensão do desenvolvimento da teoria dos príons. Ela dirigiu a Unidade de Radiopatologia Experimental do MRC (Medical Research Council), no Hospital Hammersmith, em Londres (Reino Unido), entre 1962 e 1974.

Biografia Tikvah Alper nasceu na África do Sul, a caçula de quatro filhas de uma família de refugiados judeus vindos da Rússia. Durante seus estudos na Durban Girls' High School, foi descrita como "a aluna intelectualmente mais brilhante que já frequentou a escola", tendo concluído o ensino secundário com distinção e um ano antes do previsto. Formou-se com distinção em física pela Universidade da Cidade do Cabo em 1929 e, posteriormente, estudou em Berlim, no Instituto de Química Max Planck, com a física nuclear Lise Meitner entre 1930 e 1932, publicando em 1933 um artigo premiado sobre raios delta produzidos por partículas alfa.

Em 1932, retornou à África do Sul para se casar com Max Sterne, que viria a ser um bacteriologista renomado e o inventor da vacina mais eficaz contra o antraz em animais de criação. Ela manteve seu nome de solteira durante todo o casamento. Como, na época, mulheres casadas não tinham permissão para trabalhar em universidades, Tikvah e Max montaram um laboratório doméstico onde trabalhavam juntos. Seus filhos, Jonathan e Michael, nasceram em 1935 e 1936. A partir de então, Tikvah Alper conciliou as demandas da maternidade (Jonathan nasceu profundamente surdo), do casamento e da carreira. Essa trajetória incluiu períodos na Inglaterra, antes e depois da guerra, onde trabalhou com o pioneiro da radiobiologia Douglas Lea.

Ao longo de dez anos, a partir de 1937, Tikvah qualificou-se e atuou também como professora de surdos. Sua formação em física e suas habilidades técnicas ficaram evidentes em suas pesquisas publicadas sobre a visualização da articulação da fala, visando o treinamento de fala para crianças surdas. Ela assumiu a chefia da seção de Biofísica do Laboratório Nacional de Física da África do Sul, em 1948.

Carreira Apesar de seu crescente renome científico, em 1951, Max Sterne e Tikvah Alper foram forçados a deixar a África do Sul devido à sua oposição declarada ao apartheid. Tikvah conseguiu uma posição de pesquisa (não remunerada) nos Laboratórios de Radiobiologia do MRC, no Hospital Hammersmith, em Londres, sob a direção de Hal Gray, a quem havia conhecido em visitas anteriores. Lá, o trabalho concentrou-se nos mecanismos dos efeitos da radiação na biologia celular. As complexidades dos efeitos da radiação em diferentes tipos celulares, bem como sua interação com outros processos fisiológicos e químicos, começaram a ser mapeadas nessa época, prosseguindo ao longo das décadas de 1950 e 1960. Ela foi diretora da Unidade de Radiobiologia de 1962 até sua aposentadoria, em 1974. Sua obra clássica, Cellular Radiobiology, foi publicada em 1979.

Últimos anos Tikvah Alper manteve uma vida profissional ativa após a aposentadoria, culminando em uma "palestra brilhante para a Radiation Research Society em Dallas, EUA, aos 83 anos...". Ela faleceu em Sarisbury, Hampshire, Inglaterra, em 1995, aos 86 anos, deixando o marido, Max, os filhos Jonathan e Michael, seis netos e três bisnetos.

Pesquisa sobre o scrapie O scrapie é uma doença infecciosa fatal do sistema nervoso de ovinos; pertence a uma classe de doenças priônicas que podem afetar bovinos (EEB) e humanos (Kuru, nCJD). Acreditava-se que o scrapie fosse causado por um "vírus lento", um agente que poderia levar anos para se manifestar por meio de alterações no comportamento ou na movimentação. Em meados da década de 1960, já estava estabelecido que as células só podiam se replicar por meio do DNA. A radiação interrompe a replicação celular ao "matar" o DNA. Alper descobriu que a radiação não destruía o agente infeccioso do scrapie, sugerindo que era improvável que um vírus fosse o agente causador. O agente infeccioso precisava ser menor e mais simples do que o DNA (viral). Alper também constatou que o agente permanecia ativo sob luz ultravioleta. O DNA torna-se inativo sob luz UV. Em vez disso, o agente era destruído pela luz em 237nm, um comprimento de onda específico para a inativação de polissacarídeos.

Alper e seus colegas relataram essas propriedades do agente do scrapie, uma descoberta que causou espanto em muitos meios, pois parecia contrariar o dogma central segundo o qual a replicação (e, consequentemente, a progressão da doença e suas propriedades infecciosas) só pode ocorrer por meio do DNA. No entanto, uma vez aceitas essas descobertas empíricas, várias teorias foram desenvolvidas para acomodar as propriedades peculiares do agente do scrapie. A teoria mais aceita atualmente é a teoria dos príons, que aponta uma proteína "anômala" como o agente infeccioso. Contudo, Alper não conseguia aceitar que uma "mutação" proteica fosse o agente. Em primeiro lugar, seus estudos com radiação ultravioleta não indicavam um agente proteico e, em segundo lugar, príons isolados não induziam o scrapie. Suas próprias teorias sobre o agente foram desenvolvidas nos últimos anos de sua vida e sugeriu uma história mais dinâmica e complexa.

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