A síndrome disexecutiva, conceito refinado pelo neuropsicólogo Alan Baddeley, traduz um quadro clínico complexo caracterizado pela deterioração das funções executivas — processos cognitivos de ordem superior geridos pelo córtex pré-frontal que viabilizam o planeamento, a organização, a flexibilidade mental e a autorregulação comportamental. Esta condição surge de lesões estruturais no lobo frontal decorrentes de traumatismos cranioencefálicos, acidentes vasculares cerebrais, tumores ou patologias neurodegenerativas como a demência frontotemporal. Manifesta-se também na perspetiva do desenvolvimento, estando associada a quadros de neurodivergência como a perturbação por défice de atenção e hiperatividade (TDAH). Fenotipicamente, apresenta um paradoxo clínico: os indivíduos preservam competências intelectuais gerais, memória e linguagem intactas em testes formais, mas exibem uma incapacidade caótica de gerir a rotina diária com autonomia. O quadro fraciona-se em manifestações cognitivas (rigidez mental, distratibilidade, procrastinação e incapacidade de monitorizar erros) e comportamentais, que oscilam entre a apatia abúlica e a desinibição impulsiva, acompanhadas de anosognosia e perda de empatia social. O diagnóstico é um desafio devido ao «paradoxo pré-frontal», exigindo baterias de avaliação ecológicas, como o behavioral assessment of the dysexecutive syndrome (BADS), que replicam as exigências do quotidiano. A intervenção foca-se na reabilitação neuropsicológica, em modificações ambientais e em estratégias de compensação metacognitiva para mitigar o impacto na autonomia funcional do paciente.
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