O setor de mineração de ouro desempenha um papel fundamental na economia de Burkina Faso. Em 2012, o país consolidou-se como o quarto maior produtor de ouro da África. A produção mineral burquinense abrange bens como cimento, dolomita, ouro, granito, mármore, rochas fosfáticas (fosfato), pedra-pomes, outros materiais vulcânicos e sal.Omayra Bermúdez-Lugo. "The Mineral Industry of Benin, Burkina Faso, and Sao Tome e Principe". 2006 Minerals Yearbook. Serviço Geológico dos Estados Unidos (outubro de 2007).

Burkina Faso passou por profundas reformas em sua política fiscal mineral, com foco na nacionalização de ativos de recursos industriais. A partir do novo código de mineração instituído em 2024, o governo ampliou a participação acionária estatal nas operações de lavra, intensificou a regulação sobre companhias mineradoras e reduziu as isenções fiscais concedidas às empresas do setor.

Práticas de escravidão infantil e exploração de menores são recorrentes na mineração aurífera artesanal. Acidentes de trabalho em minas também ocorrem com frequência; um dos casos de maior repercussão ocorreu em 16 de abril de 2022, quando oito mineiros ficaram presos nas galerias subterrâneas da mina de zinco de Perkoa (de propriedade canadense) após inundações repentinas durante a estação seca. Enquanto a maior parte dos operários conseguiu evacuar com segurança, os oito trabalhadores desaparecidos encontravam-se abaixo do nível 520 (a 520 metros de profundidade da superfície).

Estrutura da indústria mineral Até 2006, as empresas atuantes na prospecção e lavra de ouro em Burkina Faso incluíam as companhias australianas Goldrush Resources, Gryphon Minerals Ltd, Orbis Gold Limited e Golden Rim Resources (2010); as britânicas Cluff Gold plc e Randgold Resources Ltd.; e as mineradoras canadenses Channel Resources Ltd., Etruscan Resources, Goldbelt Resources Ltd., High River Gold Mines Ltd., Orezone Gold Corporation, Riverstone Resources Inc. e Société Semafo. A Etruscan realizou igualmente atividades de exploração de depósitos de cobre no país.

Recursos minerais

Ouro Em 2012, operavam em Burkina Faso centenas de minas de ouro, em sua maioria de pequena escala ou garimpo artesanal. O país figura como o terceiro maior destino de investimentos em prospecção de ouro e o quarto maior produtor do metal no continente africano. As jazidas de ouro da África Ocidental apresentam teores médios geralmente inferiores aos dos depósitos da África do Sul.

A Cluff concluiu o estudo de viabilidade bancável para o projeto de ouro de Kalsaka, situado a cerca de 150 km a noroeste da capital, Ouagadougou. Os recursos medidos foram estimados em 6,5 milhões de toneladas métricas (Mt) com teor médio de 1,6 gramas de ouro por tonelada (g/t), e os recursos indicados em 2,7 Mt com teor de 1,2 g/t de ouro. A empresa de engenharia ganesa Banlaw Africa Ltd. foi contratada para a operação da mina. A Cluff detinha 78% de participação no empreendimento, com o restante distribuído entre a brasileira IMARB Indústria Metalúrgica (12%) e o governo burquinense (10%).

A Etruscan prosseguiu com as obras de implantação da mina de ouro de Youga (com 90% de controle societário), localizada a 180 km a sudeste de Ouagadougou, com reservas estimadas em 6,6 Mt e teor médio de 2,7 g/t de ouro e capacidade produtiva prevista de cerca de 2.700 kg anuais de ouro.

A High River conduziu a construção das instalações da mina a céu aberto e planta de beneficiamento de Taparko-Boroum, a 200 km a nordeste de Ouagadougou, operada por sua subsidiária Société des Mines de Taparko (Somita S.A.), com recursos medidos e indicados estimados em 12,6 Mt de minério com teor de 2,77 g/t de ouro. A High River detinha 90% do projeto e o governo 10%, controlando adicionalmente permissões de exploração no Grupo Bissa (1.000 km²), a 80 km ao norte de Ouagadougou, com recursos estimados em 12 Mt com teor de 1,72 g/t de ouro.

A partir de 2006, mais de quinze grandes descobertas minerais impulsionaram fusões, aquisições e o fluxo de novas companhias de exploração no país.Gold mining in Burkina Faso, Goldrush Resources, 2013. Em 2017, a empresa mineradora júnior Nexus Gold iniciou programas de prospecção regional nas concessões de Niangouela e Bouboulou, inseridas no cinturão de rochas verdes de Boromo, no centro-norte do país.

Segundo dados do Ministério das Finanças, o ouro converteu-se no principal produto da pauta de exportações de Burkina Faso. Em 2011, o setor gerou 127 bilhões de francos CFA (cerca de US$ 247 milhões). No acumulado entre 2007 e 2011, as receitas alcançaram 440 bilhões de francos CFA, respondendo por 64,7% de todas as exportações e 8% do PIB nacional, com a produção formal avançando de 23 toneladas em 2010 para 32 toneladas em 2011.

Política fiscal e nacionalizações Entre 2023 e 2025, Burkina Faso registrou aceleração no crescimento do PIB. Paralelamente à retração de áreas agrícolas em decorrência de variações climáticas, o setor mineral expandiu sua relevância macroeconômica, respondendo por 17% do PIB burquinense no encerramento de 2024, conforme dados do Banco Mundial.

O governo de transição de Burkina Faso, liderado pelo capitão Ibrahim Traoré, implementou medidas para ampliar o controle estatal sobre minas operadas por capitais privados estrangeiros. Em setembro de 2024, foi anunciada a nacionalização das minas de ouro de Boungou e Wahgnio, mediante compensação financeira de US$ 60 milhões em dinheiro à mineradora britânica Endeavour Mining. Em meados de 2025, o Estado concluiu a transferência jurídica de diversos ativos minerais para a administração pública com o objetivo de reter receitas para a economia interna.

As medidas coincidiram com a criação da Aliança dos Estados do Sahel (AES) em 2023 por Mali, Níger e Burkina Faso, visando à autonomia política e econômica no bloco regional. O arcabouço fiscal revisado elevou em 5% a participação mínima obrigatória do Estado nas empresas de mineração, revogou alíquotas tributárias preferenciais para corporações estrangeiras e direcionou parcelas da receita mineral para fundos de desenvolvimento comunitário e para a formação de uma reserva estratégica nacional de ouro.

Trabalho infantil e trabalho forçado Relatórios de agências internacionais e matérias da imprensa regional destacaram que a expansão da atividade de garimpo artesanal atraiu expressivo contingente populacional, gerando graves impactos na evasão escolar. Crianças a partir dos seis anos de idade trabalham em garimpos desempenhando tarefas de quebra manual de rochas, peneiramento de sedimentos e transporte de água nas frentes de lavra.

O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos apontou em 2013 que a expansão da extração de ouro coincidiu com "um aumento expressivo de menores trabalhando em minas de ouro e milhares de estudantes abandonando o sistema escolar". O relatório anual de 2014 sobre a Lista de Bens Produzidos por Trabalho Infantil ou Trabalho Forçado manteve Burkina Faso entre os países com registros documentados de exploração de trabalho infantil e forçado na cadeia produtiva mineral.

Zinco A empresa australiana Aim Resources Ltd. (AIM) desenvolveu o depósito de zinco de Perkoa, situado a 120 km a oeste de Ouagadougou. Em dezembro de 2005, a consultoria Snowden Mining Industry Consultants finalizou o estudo de viabilidade bancável de Perkoa, projetando uma produção anual de cerca de 130.000 toneladas de concentrado com teor de 53% de zinco (média de 68.000 t/ano de zinco contido), com transporte logístico realizado por via ferroviária até o porto de Abidjã (Costa do Marfim) e por rodovia até o porto de Tema (Gana). A AIM celebrou memorandos com a Louis Dreyfus Commodities Metals Suisse S.A., a brasileira Votorantim Metais e a suíça Xstrata plc para a comercialização dos concentrados de zinco de Perkoa, destinados ao processamento nas fundições de San Juan de Nieva (Espanha) e Nordenham (Alemanha). Os recursos minerais medidos e indicados em Perkoa foram avaliados em 6,72 Mt com teores de 16,4% de zinco e 35,4 g/t de prata.

Em fevereiro de 2006, a Semafo outorgou o contrato de engenharia, suprimentos e construção da mina de ouro de Mana à Genivar Consulting Group Inc., com recursos medidos estimados em 2,1 Mt com teor de 1,99 g/t de ouro e indicados em 2,5 Mt com teor de 2,03 g/t de ouro, com produção média projetada em cerca de 3.900 kg anuais de ouro nos primeiros três anos operacionais.

Referências

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