A erdosteína é um composto orgânico sintético enxofrado que pertence à classe dos agentes mucolíticos e mucorreguladores de nova geração, sendo amplamente utilizada no tratamento de patologias agudas e crónicas do trato respiratório, tais como a bronquite crónica e a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC). Do ponto de vista farmacológico, esta molécula atua como um pró-fármaco, uma vez que não possui grupos de tiol livres na sua estrutura original, o que lhe confere uma excelente tolerabilidade gástrica e evita a irritação local do sistema digestivo; contudo, após a sua absorção, é rapidamente metabolizada no fígado para se transformar no seu metabolito ativo (Met-I), o qual dispõe de grupos de sulfidrilo livres capazes de clivar as pontes de dissulfureto das glicoproteínas do muco, reduzindo drasticamente a sua viscosidade e facilitando de forma significativa a depuração mucociliar e a expetoração. Para lá da sua ação reológica primária sobre as secreções brônquicas, a erdosteína manifesta notáveis propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, dado que atua como um purificador direto dos radicais livres de oxigénio, protege o epitélio respiratório contra o stress oxidativo induzido pelo fumo do tabaco ou pela poluição atmosférica, e inibe a libertação de citocinas pró-inflamatórias; além disso, ensaios clínicos robustos a grande escala (como o histórico estudo RESTORE) demonstraram que a sua administração prolongada reduz significativamente a frequência, a duração e a gravidade das exacerbações em doentes com DPOC, ao mesmo tempo que exerce um valioso efeito sinérgico quando coadministrada com antibióticos, aumentando a concentração destes nas secreções brônquicas e otimizando a resolução das infeções bacterianas pulmonares.
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