Ornithogalum arabicum, descrito formalmente pelo naturalista sueco Carlos Lineu em 1753 e vulgarmente conhecido em Portugal como «estrela-de-belém», «estrela-da-arábia» ou «lágrimas-de-nossa-senhora», é uma planta herbácea, perene e bolbosa pertencente à família das asparagáceas (Asparagaceae) segundo o moderno sistema de classificação filogenética (APG), embora historicamente estivesse integrada na família das hiacintáceas (Hyacinthaceae). Apesar de o seu epíteto específico aludir de forma equívoca a uma proveniência geográfica estritamente arábica, esta espécie é, na realidade, nativa de toda a bacia do Mediterrâneo, distribuindo-se de forma espontânea desde a Península Ibérica e o Norte de África até ao Sul da Europa, ao Levante e às ilhas do mar Egeu, sendo frequente encontrá-la em território português em pastagens secas, clareiras de matos, bermas de caminhos e olivais tradicionais, demonstrando uma clara preferência por solos calcários, soalheiros e bem drenados. A estrutura vegetativa da planta desenvolve-se a partir de um bolbo subterrâneo grande, globoso e tunicado, do qual emergem folhas basais lineares, carnosas, canaliculadas e de um tom verde-glauco que podem atingir até 60 centímetros de comprimento, ao passo que durante a primavera (geralmente entre os meses de abril e junho) se ergue uma haste floral robusta, cilíndrica e despida de folhas, que sustenta uma vistosa inflorescência terminal em forma de corimbo denso. As suas flores, que exalam um aroma adocicado bastante agradável, são compostas por seis tépalas ovadas de cor branco-marfim ou puramente leitosa que rodeiam um ovário central globoso, proeminente e de uma cor negro-azulada ou verde-escura muito brilhante, o qual gera um contraste visual marcadamente ornamental com as anteras amarelas dos estames adjacentes. No âmbito da horticultura contemporânea e da jardinagem paisagística, a estrela-de-belém é muito apreciada a nível mundial tanto para enriquecer canteiros e bordaduras de baixo consumo de água como para a indústria da flor de corte, mercê da excecional longevidade das suas hastes quando colocadas em jarros com água, se bem que o seu manuseamento exija particular prudência dado que todas as partes da planta, especialmente o bolbo, contêm heterósidos cardiotónicos e alcaloides altamente tóxicos que podem provocar graves intoxicações gastrointestinais ou mesmo cegueira irreversível em animais domésticos e gado no caso de serem acidentalmente ingeridas.

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