João Gomes Esteves (Lisboa, 22 de abril de 1960), é um professor, historiador, investigador e escritor português, autor de vasta obra dedicada ao período da Primeira República Portuguesa e ao importante papel das mulheres e do feminismo, contribuindo assim com relevantes aportes para a sua dignificação, promoção dos Direitos das mulheres, empoderamento e igualdade de género. Biografia Após frequência, durante a década de 1970, do Liceu Camões e da Escola Secundária dos Anjos, ingressou, em 1979, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde se licenciou em História em 1983, tendo mestrado em História dos Séculos XIX e XX pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, obtido em 1988.
Professor do 2.º e 3.º ciclos do ensino básico desde 1984, tornou-se historiador e investigador do período da Primeira República Portuguesa (1910-1926), dedicando a maior parte da sua obra a realçar e dar a conhecer o importante papel das mulheres e do feminismo, nessa época histórica, dando ênfase às suas lutas nas áreas dos direitos políticos, sociais, económicos e culturais, mormente no tocante às questões conexas com o sufrágio feminino, ao acesso à educação, desempenho de cargos públicos e privados em situação de igualdade em matéria de oportunidades, salários e progressão profissional, e, por todas as formas, de não discriminação de facto ou de direito, em prole da defesa e promoção dos seus direitos humanos.
Investigador, desde a sua criação (1999), de «Faces de Eva - Estudos sobre a mulher» da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH/UNL).
É especialista da vida e obra, entre outras mulheres que se destacaram na 1.ª República, de Maria Veleda (1871-1955), Ana de Castro Osório (1872-1935) e Carolina Beatriz Ângelo (1878-1911).
Foi um dos subscritores da iniciativa de criação do «Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos», em Lisboa, integra a Comissão Consultiva do Museu do Aljube - Resistência e Liberdade e tem colaborado em diversas das suas iniciativas.
Colaborou no «Dicionário de Educadores Portugueses» (dir. António Nóvoa), 2003, no «Dicionário da História da I República e do Republicanismo, 2013-2014» e, entre outras, nas revistas: «Leituras», da Biblioteca Nacional, «Penélope» e «ex aequo».
Obra publicada É autor de: «As primeiras damas: Primeira República: fotobiografia», Lisboa, Museu da Presidência da República, 2006, «Mulheres e republicanismo: (1908-1928)», Lisboa, Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género - Presidência do Conselho de Ministros, 2008, «Contactos Internacionais do Feminismo Português (1906-1928)», Lisboa, CESNOVA, 2011, «Ana de Castro Osório, 1872-1935», Lisboa, Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, 2014, «Da esperança à deceção: a ilusão do sufrágio feminino na revolução republicana portuguesa de 1910», in revista «História constitucional», n.º 15, 2014
Dirigiu a edição da obra «Carolina Beatriz Ângelo: intersecções dos sentidos: palavras, actos e imagens», coordenada por Dulce Helena Pires Borges, com textos de António Lopes [et al.], IMC, Guarda, 2010,
Foi consultor científico da obra «Carolina Beatriz Ângelo: pioneira na cirurgia e no voto», Lisboa, Âncora, 2016,
Codirigiu a obra «Feminae: dicionário contemporâneo», Lisboa, Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, 2013,
e ainda de «Dicionário no feminino (séculos XIX-XX)», com Zília Osório de Castro e coordenação e revisão de António Ferreira de Sousa, Ilda Soares de Abreu, e Maria Emília Stone, Lisboa, Livros Horizonte, 2005,
Foi cocoordenador, com Alfredo Caldeira, da obra «Tarrafal, Campo de Concentração: presos políticos e sociais 1936-54 e 1961-74», de Antónia Gato Pinto [et al.], Lisboa, Colibri, 2025,
Bem como da obra «Mulheres na 1ª República: percursos, conquistas, derrotas», de Ilda Maria e Silva Soares Abreu... [et al.], Lisboa, Colibri, 2011,
Foi consultor científico da obra «Percursos, conquistas e derrotas das mulheres na 1ª República» de Teresa Pinto [et al.], Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa: Biblioteca Museu República e Resistência, 2010,
Prefaciou a obra «Memórias de Maria Veleda: feminista, republicana, escritora e conferencista» (introdução e notas Natividade Monteiro; apresentação de Maria José Guerreiro da Franca), 1ª ed., Leiria,Imagens & Letras, 2011, Reconhecimento Ganhou, entre outros, os seguintes galardões: Prémio «Mulher Investigação Carolina Michaëlis de Vasconcelos – 1991», com «A Liga Republicana das Mulheres Portuguesas: uma organização política e feminista (1909-1919)», 1992; Prémio «Mulher Investigação Carolina Michaëlis de Vasconcelos – 1998» com «As Origens do Sufragismo Português, 1998; Prémio Melhor Catálogo – Prémios APOM 2011, enquanto comissário científico da Exposição «Carolina Beatriz Ângelo – Intersecção dos sentidos. Palavras, Atos e Imagens», organizada, em 2010, pelo Museu da Guarda, no âmbito das Comemorações do Centenário da República. Vida pessoal É filho de Lucinda Mariana Gomes Franco (1923-2012) e de António Esteves (1916-2017) ambos resistentes antifascistas, opositores, durante décadas, ao Estado Novo. A mãe licenciada em farmácia, integrou o Conselho Português para a Paz e Cooperação, foi militante do Partido Comunista Português, participou nas campanhas eleitorais da CDE (Comissão Democrática Eleitoral) de 1969 e 1973, colaborou com a Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos, ao lado de, entre outros, Aida Magro, Nuno Teotónio Pereira, Maria Eugénia Varela Gomes, Manuel João da Palma Carlos e Mário Brochado Coelho, e, já em democracia, foi autarca na Junta de Freguesia de São João de Deus, em Lisboa, e pertenceu à União de Resistentes Antifascistas Portugueses. O pai, médico psiquiatra, defensor da democracia, combateu desde jovem a ditadura no poder, e, entre 1950 e 1974, apoiou nas cadeias muitos presos políticos, nunca se amedrontando face à PIDE (polícia política). Elemento do Corpo Clínico do Hospital Júlio de Matos, logo após a «revolução dos cravos», foi, a 2 de maio de 1974, em Assembleia Geral dos trabalhadores, eleito por unanimidade, para a Comissão de Gestão daquele hospital, e foi membro fundador da «União de Resistentes Antifascistas Portugueses».
Integrante de uma fratria de quatro, é irmão de Francisco Gomes Esteves (Coimbra, 30 de setembro de 1953), professor catedrático de psicologia na Suécia, quer na Universidade de Uppsala, quer na Mid Sweden University (Mittuniversitetet), localizada em Östersund, onde também desempenhou funções como diretor de departamento, encontrando-se jubilado, e, em Portugal, na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa e no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, aí tendo sido ainda presidente da Comissão Científica e diretor do Centro de Investigação e de Intervenção Social, de António Gomes Esteves (Lisboa, 7 de janeiro de 1956) que estudou medicina e medicina dentária na Universidade de Lisboa, trabalhou para a Livraria Sá da Costa e é revisor de livros e de José Gomes Esteves (Lisboa, 9 de outubro de 1957) médico imunohemoterapeuta, assistente graduado sénior, aposentando do Serviço Nacional de Saúde, onde sempre trabalhou em regime de exclusividade, que foi coordenador, no Hospital de Egas Moniz, do Serviço de medicina transfusional do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, e diretor do Serviço de Imunohemoterapia daquele centro hospitalar da capital do país, casado com Maria Cristina Marreiros Ramos Pereira da Cunha, psicóloga clínica e psicoterapeuta.
É casado com Paulina Isabel Prata da Silva de Castilho Monteiro, professora de História, que foi Presidente do Conselho Executivo da Escola Básica de São Bruno.
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