A Expedição aos Curaizaítas ou Gázua aos Curaizaítas () foi uma expedição liderada por Maomé contra os curaizaítas, uma das três principais tribos judaicas estabelecidas em Medina, em 5 A.H. (627). O episódio ocorreu imediatamente após a Batalha da Trincheira, durante a qual os curaizaítas, que haviam participado da Constituição de Medina como aliados dos aucitas, juntaram-se à coalizão formada pelos coraixitas e seus aliados. Após a retirada dos confederados, Maomé mobilizou seus seguidores contra as fortificações dos curaizaítas e submeteu-as a um cerco que, segundo diferentes tradições, durou quinze ou vinte e cinco dias.

Sem receber o auxílio esperado, os curaizaítas acabaram se rendendo incondicionalmente. A pedido dos aucitas, seus antigos aliados, Sade ibne Muade foi designado árbitro para decidir seu destino e determinou a execução dos homens em idade de combater, o cativeiro das mulheres e crianças e a distribuição de seus bens entre os muçulmanos. Maomé aprovou a sentença, que foi posteriormente executada, embora quatro combatentes que haviam aceitado o Islã durante o cerco tenham sido poupados.

Antecedentes

Os curaizaítas eram uma das três principais tribos judaicas estabelecidas em Medina, juntamente com os cainucaítas e os nadiritas. Habitavam uma região plana a sudeste da cidade, onde viviam em residências fortificadas de vários andares conhecidas como utum, e dedicavam-se principalmente à agricultura e ao comércio. Após a Hégira, participaram da chamada Constituição de Medina como aliados dos aucitas. Pelo acordo, deveriam participar da defesa da cidade em caso de ataque e não estabelecer alianças com os coraixitas ou outros adversários dos muçulmanos. Após a expulsão dos cainucaítas, em 2 A.H. (624), e dos nadiritas, em 4 A.H. (625), os curaizaítas constituíam a última das três tribos judaicas que permanecia em Medina. Os nadiritas que se haviam estabelecido em Caibar participaram da formação da coalizão dos coraixitas e seus aliados antes da Batalha da Trincheira e procuraram obter a adesão dos curaizaítas. Estes inicialmente recusaram-se a participar da aliança, mas posteriormente juntaram-se aos confederados. Durante o cerco de Medina, Nuaime ibne Maçude, um chefe dos gatafanitas que havia se convertido ao Islã, contribuiu para criar desconfiança entre os curaizaítas e seus aliados. A coalizão acabou por se retirar de Medina, encerrando a Batalha da Trincheira.

Expedição

No mesmo dia em que regressou da Batalha da Trincheira, em 23 de Dulcada de 5 A.H. (15 de abril de 627), Maomé ordenou que seus seguidores se dirigissem ao território dos curaizaítas. Maomé comandava a força principal, enquanto Ali recebeu a bandeira e comandou a vanguarda. Ao chegar diante das fortificações, Maomé convocou os chefes curaizaítas a aceitar o Islã e, diante da recusa, exigiu que deixassem suas fortalezas e se rendessem. A rejeição dessa segunda proposta deu início aos combates. Os curaizaítas permaneceram sitiados durante quinze ou vinte e cinco dias, período no qual ocorreram trocas de flechas e pedras entre os dois lados. Segundo a tradição apresentada por Avcı, a força muçulmana era composta por três mil homens de infantaria e 36 cavaleiros. O número de combatentes curaizaítas é estimado em 600–700, embora também sejam transmitidos números de 400, 800 ou 900 homens. Durante o cerco, os hipócritas procuraram convencer os curaizaítas a continuar resistindo, prometendo-lhes auxílio caso não se rendessem. Sem receber o auxílio prometido, os curaizaítas propuseram deixar Medina nas mesmas condições anteriormente concedidas aos nadiritas, abandonando suas armas e propriedades e levando consigo uma carga de camelo por pessoa. Maomé rejeitou a proposta e exigiu a rendição incondicional. Após a continuação do cerco, os curaizaítas acabaram se rendendo em Dulrija de 5 A.H. (abril–maio de 627).

Arbitragem e sentença

Como os curaizaítas haviam sido tradicionalmente aliados dos aucitas, integrantes dessa tribo solicitaram a Maomé que lhes concedesse tratamento favorável, lembrando a intervenção anterior dos cazerajitas em favor de seus aliados cainucaítas. Para decidir o destino dos curaizaítas, Sade ibne Muade, dos aucitas, foi designado como árbitro. Antes de anunciar sua decisão, Sade obteve dos aucitas, dos curaizaítas e de Maomé o compromisso de que aceitariam seu julgamento. Sade determinou que os homens em idade de combater fossem mortos, que as mulheres e crianças fossem tratadas como cativas e que os bens dos curaizaítas fossem distribuídos entre os muçulmanos. Maomé aprovou a sentença. Avcı observa que a decisão correspondia a uma disposição de e a relaciona também às penas mencionadas no Alcorão para aqueles que guerreassem contra Deus e seu mensageiro e provocassem desordem.

Execução da sentença

Por ordem de Maomé, os curaizaítas condenados à morte receberam alimentos e água antes da execução e tiveram permissão para ler a Torá. Quatro combatentes que aceitaram o Islã durante o cerco não foram executados. As mulheres e crianças, cujo número total é estimado pela tradição em cerca de 1 000, tiveram destinos diversos: algumas foram libertadas e outras distribuídas entre os muçulmanos. A parcela dos cativos correspondente ao quinto dos despojos foi vendida, e os recursos obtidos foram utilizados para adquirir cavalos e armas. Maomé determinou ainda que as crianças que não haviam atingido a puberdade não fossem separadas de suas mães. Entre as cativas encontrava-se Raiana binte Zaíde, que foi escolhida por Maomé como sua parcela dos despojos.

Bibliografia

Categoria:Cercos da Idade Média Categoria:Massacres de judeus Categoria:Judaísmo e islã Categoria:627 Categoria:Expedições lideradas por Maomé Categoria:Curaizaítas