Journal of Fish Biology é uma revista científica britânica revisada por pares dedicada à ictiologia e à biologia de peixes. Criada em 1969 pela Fisheries Society of the British Isles (FSBI), pertence à sociedade e é publicada pela Wiley. Publica estudos sobre peixes marinhos, estuarinos e de água doce, incluindo trabalhos de ecologia, genética, fisiologia, comportamento, taxonomia, aquacultura, reprodução, migração e doenças.

História Fundada em 1967, a Fisheries Society of the British Isles lançou o Journal of Fish Biology dois anos depois. O primeiro volume teve quatro fascículos e 394 páginas. Em 2000, a revista publicava dois volumes e doze fascículos por ano, somando 3.184 páginas, e em 2016 os mesmos doze fascículos chegaram a 5.078 páginas.

A Academic Press publicou a revista de 1969 a 2002. Após a compra da editora pela Elsevier, o título permaneceu por cerca de um ano com a nova proprietária e passou para a Blackwell. A Wiley assumiu a publicação depois da aquisição da Blackwell. Desde 2008, números especiais passaram a reunir pesquisas sobre temas como migração de peixes, elasmobrânquios, conservação, metabolismo, química de otólitos, alterações climáticas e peixes da América do Sul.

Escopo e publicação miniatura|Espécimes vivos de Characidium dumonti. A espécie, encontrada na bacia do rio Iguaçu, foi descrita em um artigo publicado no Journal of Fish Biology em 2025.

A revista recebe artigos de pesquisa, comunicações breves, revisões, textos de opinião e perspectivas sobre peixes marinhos, estuarinos e de água doce. Entre os assuntos cobertos estão aquacultura, comportamento, bioquímica, doenças, distribuição, ecologia, genética, crescimento, imunologia, migração, morfologia, parasitologia, fisiologia, poluição, estudos populacionais, reprodução, taxonomia e toxicologia.

miniatura|Pesca de pirarucu em Tefé, no Amazonas, em 2018. Trabalhos publicados na revista examinaram a alimentação de Arapaima na Amazônia combinando análise biológica e conhecimento de moradores locais.

Uma revisão publicada em 2010 percorreu bacias, estuários e águas costeiras da América do Sul, incluindo a bacia do rio Amazonas, ao tratar de perda de habitat, barragens, desmatamento, poluição, pesca e introdução de espécies. Seis anos depois, um número especial preparado após um simpósio do XXI Encontro Brasileiro de Ictiologia, no Recife, reuniu 65 trabalhos sobre peixes de águas doces, estuários e ambientes marinhos sul-americanos. No médio Juruá, pesquisadores combinaram o conteúdo estomacal de pirarucus do gênero Arapaima com o conhecimento de moradores locais para estudar sua alimentação nas várzeas amazônicas. Após a seca extrema de 2023, estudos no rio Negro e no Solimões mediram temperatura, oxigênio, material suspenso e qualidade da água, encontrando perda de habitat aquático e condições particularmente severas para os peixes do rio Negro.

miniatura|esquerda|O Estuário do Tejo, visto de Alcochete. Estudos publicados no periódico examinaram áreas de desova e crescimento, alimentação e uso do habitat por peixes em estuários portugueses.

Em 1988, os estuários do Tejo e do Mira foram estudados como áreas de desova e crescimento de peixes. No Tejo, outro trabalho relacionou a alimentação de juvenis de duas espécies de linguado ao tamanho dos peixes, às marés, às presas disponíveis e ao habitat. Nos Açores, novos registros de peixes costeiros foram usados para investigar sinais de tropicalização da fauna. Na Madeira, a revista publicou ainda um estudo sobre a dieta e a posição trófica de Scomber colias e Trachurus picturatus, espécies comuns na Macaronésia.

São publicados dois volumes por ano, com seis fascículos em cada volume, distribuídos mensalmente. O arquivo eletrônico remonta ao primeiro volume, de 1969, e a publicação tornou-se exclusivamente digital em 2025. O editor-chefe é Michel Kaiser, professor de conservação pesqueira da Universidade Heriot-Watt.

Indexação e reconhecimento

Entre os trabalhos reunidos pela Wiley em uma seleção dos artigos mais citados da revista em cada década está uma revisão de 1980 sobre métodos de análise do conteúdo estomacal de peixes, ainda retomada décadas depois em estudos metodológicos sobre alimentação. Em 2001, outra revisão tratou da precisão e da validação da idade obtida a partir de otólitos, dados usados em avaliações de estoques e no manejo pesqueiro. A campanha internacional FISH-BOL, apresentada no periódico em 2009, propôs uma biblioteca de código de barras de DNA para identificação de espécies de peixes, técnica que passou a ser usada também na autenticação de pescado e na detecção de erros de rotulagem.

Uma revisão de 2010 relacionou temperatura, disponibilidade de oxigênio, fisiologia dos peixes, distribuição das espécies e efeitos sobre pescarias. Incluída entre os trabalhos mais citados da década, continuou a ser usada em pesquisas sobre limites térmicos e respostas dos peixes ao aquecimento das águas. Em 2009, membros da Biomedical and Life Sciences Division da Special Libraries Association incluíram o Journal of Fish Biology em uma seleção de cem periódicos de biologia e medicina feita para o centenário da associação. A revista é indexada no PubMed, MEDLINE, Scopus, Science Citation Index Expanded, Zoological Record, BIOSIS Previews e Biological Abstracts.

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