A Expedição aos Cainucaítas ou Gázua aos Cainucaítas () foi uma expedição liderada por Maomé contra os cainucaítas, uma das três principais tribos judaicas estabelecidas em Medina, em 2 A.H. (624). Os cainucaítas, aliados dos cazerajitas, haviam participado da chamada Constituição de Medina, mas suas relações com os muçulmanos deterioraram-se após a Batalha de Badre. Segundo a tradição, um confronto ocorrido no mercado da tribo, no qual morreram um cainucaíta e um muçulmano, teria precipitado o rompimento do acordo existente entre as partes.

Em meados de Xaual de 2 A.H., Maomé cercou o bairro dos cainucaítas, que se renderam após quinze dias, em Dulcada (abril de 624). Maomé decidiu inicialmente executar os homens em idade de combater, estimados pelas fontes em cerca de 700, mas, após a intervenção de Abedalá ibne Ubai, antigo aliado da tribo, determinou em seu lugar a expulsão dos cainucaítas de Medina. Eles seguiram posteriormente para Uádi Alcura e depois para Adriate, na Síria, enquanto os bens deixados para trás foram distribuídos entre Maomé e os participantes da expedição.

Antecedentes

Os cainucaítas eram uma das três principais tribos judaicas estabelecidas em Medina, juntamente com os nadiritas e os curaizaítas. Habitavam , a sudoeste da cidade, falavam árabe e utilizavam caracteres hebraicos na escrita. Diferentemente dos nadiritas e curaizaítas, que se dedicavam principalmente à agricultura, os cainucaítas tinham como principais atividades o comércio, a fabricação de armas e a ourivesaria. Após a Hégira, participaram da chamada Constituição de Medina como aliados dos cazerajitas. As relações entre os cainucaítas e os muçulmanos deterioraram-se após a Batalha de Badre, em 2 A.H. (624). Segundo a tradição, Maomé advertiu-os a respeito do destino sofrido pelos coraixitas na batalha e convidou-os a aceitar o Islã, mas sua proposta foi rejeitada. Enquanto as tensões continuavam, uma mulher muçulmana que havia ido ao mercado dos cainucaítas foi assediada, dando origem a um confronto no qual houve mortes de ambos os lados. O episódio teria provocado o rompimento do acordo existente entre os cainucaítas e Maomé.

Expedição

Em meados de Xaual de 2 A.H., vinte meses após a Hégira, Maomé cercou o bairro dos cainucaítas. O cerco prolongou-se por quinze dias, até que a tribo se rendeu em Dulcada de 2 A.H. (abril de 624). Segundo as tradições transmitidas pelas fontes, havia entre os cainucaítas cerca de 700 homens em idade de combater. Após a rendição, Maomé decidiu inicialmente que esses homens fossem executados. Abedalá ibne Ubai, chefe dos cazerajitas e antigo aliado dos cainucaítas, intercedeu em favor deles e pediu que fossem poupados. Diante de sua insistência, Maomé determinou que os integrantes da tribo fossem expulsos de Medina em vez de executados. Aos cainucaítas foi concedido um prazo de três dias para deixar a cidade, durante o qual também puderam cobrar as dívidas que lhes eram devidas.

Expulsão e propriedades

Como se dedicavam principalmente ao comércio e ao artesanato, os cainucaítas não possuíam propriedades agrícolas. Ao deixarem Medina, abandonaram grande quantidade de armas, além de instrumentos utilizados na fabricação de armamentos e na ourivesaria. Após a expulsão, permaneceram durante aproximadamente um mês em Uádi Alcura e depois seguiram para a Síria, estabelecendo-se em Adriate. Dos bens tomados aos cainucaítas, Maomé reservou para si três espadas, três lanças, duas armaduras e dois arcos, além do quinto dos despojos. O restante foi distribuído entre os participantes da expedição. Segundo Avcı, essa distribuição constituiu a primeira aplicação da divisão do quinto dos despojos após a revelação do versículo 41 da sura al-Anfāl.

Bibliografia

Categoria:624 Categoria:Expedições lideradas por Maomé Categoria:Cainucaítas