Martin Schmal (Grünberg (Hesse), 7 de julho de 1937) é um engenheiro químico, pesquisador e professor universitário brasileiro.

Professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e reconhecido como pioneiro da pesquisa em catálise no Brasil, atua principalmente em cinética química, catálise heterogênea e engenharia de reações. É membro titular da Academia Brasileira de Ciências e da Academia Nacional de Engenharia e recebeu o Prêmio Humboldt de Pesquisa. Em 2017, por ocasião de seus 80 anos, a revista científica Applied Catalysis A: General publicou um número especial em sua homenagem.

Biografia

Martin Schmal nasceu em 7 de julho de 1937, em Grünberg, na Alemanha, em uma família de origem judaica. Em fevereiro de 1939, quando tinha um ano e oito meses, deixou a Alemanha com os pais e a irmã, embarcando em Hamburgo rumo ao Brasil na condição de refugiado. A saída contou com o auxílio da esposa do vice-cônsul brasileiro.

Depois de chegar ao Brasil, a família estabeleceu-se inicialmente em uma pequena localidade chamada República, próxima à fronteira entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai, onde Schmal viveu até aproximadamente os sete anos de idade. Posteriormente, mudou-se para Carazinho, integrando-se a uma pequena comunidade de imigrantes de língua alemã. A família passou a ser formada por cinco filhos, dos quais três nasceram no Brasil. Em casa, falava-se predominantemente alemão, e sua mãe tinha dificuldades para se comunicar em português. Como filho mais velho, Schmal passou a auxiliá-la em atividades cotidianas. Mais tarde, seu pai seguiu para São Paulo em busca de trabalho, sendo acompanhado posteriormente pelo restante da família.

Foi durante os anos vividos no Rio Grande do Sul, por volta dos dez anos de idade, que Schmal tomou conhecimento de sua origem judaica. Em suas memórias, descreveu uma infância marcada pela convivência entre referências culturais alemãs, ambientes cristãos e a preservação discreta de algumas tradições familiares judaicas. Os filhos cresceram sem vinculação religiosa definida e afastados de uma comunidade judaica organizada, enquanto a família se integrava gradualmente à sociedade brasileira. Schmal relatou que, ao longo da juventude, passou a fazer perguntas sobre a história familiar; sua mãe lhe transmitiu parte das recordações sobre a perseguição na Alemanha, ao passo que seu pai raramente abordava o assunto.

Já adulto, aprofundou a pesquisa sobre a trajetória de seus familiares. Por volta dos 55 anos, aproximou-se das tradições judaicas e procurou reconstruir os vínculos com suas origens. Essa investigação resultou no livro autobiográfico Retorno às origens (Teshuvá): Memórias, publicado em 2017, no qual reuniu a história de quatro gerações de sua família e apresentou reflexões sobre imigração, identidade, preconceito e assimilação cultural.

Formação e carreira

Em São Paulo, Schmal desenvolveu interesse por ciências naturais e biografias. Segundo suas memórias, recebia da Alemanha uma revista de divulgação científica em língua alemã chamada Orion, enviada por sua tia Frieda. Essas leituras influenciaram sua decisão de cursar engenharia. Prestou vestibular para a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e para a Faculdade de Engenharia Industrial, obtendo o quinto lugar no processo seletivo desta última.

Formou-se em engenharia química em 1964 pela Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), mantida pela então Fundação de Ciências Aplicadas — hoje Fundação Educacional Inaciana Padre Sabóia de Medeiros — e, à época, vinculada à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Durante a graduação, foi bolsista de iniciação científica no laboratório de físico-química de Dino Bigalli, onde desenvolveu um trabalho na área de eletroquímica. Após formar-se, trabalhou na empresa Mecânica Jaraguá antes de ingressar na pós-graduação.

No início de 1965, ingressou no mestrado em engenharia química da COPPE/UFRJ, concluído em 1966 sob a orientação de E. M. Sparrow. Seu trabalho, dedicado ao desenvolvimento de um modelo teórico de transferência de calor, deu origem ao seu primeiro artigo científico, publicado em 1967 na revista Chemical Engineering Science. Após o mestrado, trabalhou na Unilever, então denominada Gessy Lever, em São Paulo.

Posteriormente, recebeu bolsas do DAAD e do CNPq para prosseguir seus estudos no exterior. Schmal também considerou estudar nos Estados Unidos, mas escolheu a Alemanha após uma recomendação de Alberto Luiz Galvão Coimbra, que destacava a tradição alemã na pesquisa química.

Em Berlim, encontrou sua tia paterna Frieda e obteve novas informações sobre os familiares que haviam permanecido na Alemanha. Esse contato contribuiu para a reconstrução posterior de sua história familiar e para sua aproximação com as tradições judaicas. Na Universidade Técnica de Berlim, revalidou sua formação, obteve o diploma alemão de engenheiro (Dipl.-Ing.) e concluiu o doutorado em engenharia (Dr.-Ing.) em 1970.

Ao retornar ao Brasil, em 1971, optou por desenvolver sua carreira acadêmica na COPPE e na Escola de Química da UFRJ, onde permaneceu por mais de quatro décadas. A partir de 1975, participou da implantação de laboratórios e da construção de reatores contínuos de alta e baixa pressão nas oficinas da COPPE. Durante a década de 1980, desenvolveu, por meio da Fundação COPPETEC, projetos e consultorias para a indústria envolvendo o desenvolvimento, a ativação, a desativação, a regeneração e a avaliação de catalisadores.

Tornou-se professor titular da Escola de Química em 1985 e, posteriormente, professor emérito da UFRJ. Em 1991, fundou na COPPE o Núcleo de Catálise (NUCAT), concebido com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) para desenvolver pesquisas fundamentais e aplicadas, formar pesquisadores e prestar apoio à indústria química nacional. Desde 2014, atua como professor visitante e pesquisador colaborador da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Também participou da organização do primeiro Seminário de Catálise, em 1980, iniciativa que antecedeu a criação da Sociedade Brasileira de Catálise (SBCat), entidade que posteriormente presidiu. Representou ainda o Brasil em organizações ibero-americanas e internacionais dedicadas à catálise. Pesquisa e atuação científica

As pesquisas de Schmal abrangem cinética de reações, reatores catalíticos, catálise ambiental e processos catalíticos relacionados à energia. Entre os temas de seus trabalhos estão a catálise de oxidação, o uso de óxidos — especialmente o óxido de nióbio — como suportes e componentes ativos, e o estudo de partículas de paládio-cobalto suportadas em óxidos.

Além da pesquisa, publicou livros didáticos sobre cinética, engenharia de reações e catálise heterogênea. A edição em inglês de sua obra sobre catálise heterogênea foi publicada pela Springer em 2016.

Reconhecimentos

Schmal tomou posse como membro titular da Academia Brasileira de Ciências em 2000 e da Academia Nacional de Engenharia em 2011. Foi contemplado pelo programa de 2002 do Prêmio Humboldt de Pesquisa, da Fundação Alexander von Humboldt, e iniciou o período de pesquisa associado ao prêmio em 2003, no Instituto Fritz Haber da Sociedade Max Planck, em Berlim.

Entre outros reconhecimentos, recebeu o Prêmio México de Ciência e Tecnologia, em 2002; o Prêmio Scopus, concedido pela Elsevier e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), em 2009; e o prêmio de Pesquisador Sênior da Federação Ibero-Americana de Sociedades de Catálise (FISOCAT), em 2010. Em 2014, recebeu na Alemanha uma distinção descrita nos perfis da UFRJ e da SBCat como “Medalha Max Planck”. Em 2017, recebeu o Prêmio Roberto Fernando de Souza de Excelência em Catálise e, em 2025, o Prêmio Ruth Martins, ambos da Sociedade Brasileira de Catálise.

Obras selecionadas

Referências

Ligações externas Perfil na Academia Brasileira de Ciências Perfil na Academia Nacional de Engenharia Currículo Lattes

Categoria:Engenheiros químicos do Brasil Categoria:Professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro Categoria:Membros da Academia Brasileira de Ciências Categoria:Nascidos em 1937