Willian Sebastião Penido Vale (João Monlevade, 20 de janeiro de 1944) é um engenheiro, professor, consultor e escritor brasileiro. Ao longo de sua trajetória profissional, ocupou cargos de direção na Fundação João Pinheiro, na Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e na Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), além de funções no governo federal, entre elas as de secretário-geral e ministro interino da Cultura e de secretário-executivo e ministro interino de Minas e Energia.
Biografia
Primeiros anos e formação acadêmica
Nascido em João Monlevade, na região metalúrgica de Minas Gerais, é filho da professora primária Maria da Conceição Penido e do professor secundário Elviro Eduardo Valle, originários da região de Resende Costa e São João del-Rei. Aos 14 anos, após ser emancipado pelos pais, ingressou por processo seletivo no serviço público como mensageiro do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG). Posteriormente, passou a ocupar funções técnicas e gerenciais no órgão por meio de concursos públicos.
Graduou-se em Engenharia de Minas e Metalurgia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1966. Em seguida, prestou concurso para a carreira docente no Departamento de Engenharia Química da instituição. Também atuou como professor visitante na Universidade Federal do Ceará (UFC), na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), no Centro de Treinamento em Desenvolvimento Econômico Regional (Cetrede), no Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará (NAEA/UFPA) e na Escola Nacional de Administração Pública (Enap).
Concluiu mestrado em Economia Regional e Urbana na UFMG, em 1969. Entre 1970 e 1975, realizou mestrado e doutorado em Ciência Regional na Universidade da Pensilvânia, onde foi instrutor de ensino no Departamento de Ciência Regional. Foi ainda docente e pesquisador do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) e da Escola de Engenharia da UFMG.
Docência, planejamento e saneamento
Foi professor da Escola Técnica Federal de Minas Gerais, atual Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG), entre 1965 e 1968, e da UFMG, entre 1967 e 1996. Entre 1976 e 1979, exerceu atividades como professor e diretor da Fundação João Pinheiro.
De 1979 a 1983, presidiu a Copasa. Durante sua gestão, a empresa celebrou, em 1980, contrato de financiamento com o Banco Mundial destinado à implantação e à ampliação dos serviços de água e esgoto na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em cidades de médio porte e em pequenas comunidades. Em 1982, a Copasa foi apresentada como empresa-modelo em publicação da revista Hinterlância.
No mesmo período, integrou o Conselho Estadual de Política Ambiental de Minas Gerais (Copam), presidiu o Comitê Estadual de Recursos Hídricos de Minas Gerais e presidiu a seção mineira da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes-MG). Também exerceu a vice-presidência de Meio Ambiente da Abes entre 1980 e 1983.
Atuação no governo federal
Durante o governo de José Sarney, foi secretário-geral adjunto do Ministério do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, entre 1985 e 1986. Nessa função, respondeu pela Secretaria Nacional de Saneamento e pela Secretaria de Assuntos Internacionais e representou o Brasil em conferência sobre desenvolvimento urbano organizada pelo Banco Mundial.
Em 1986, assumiu a presidência da Caesb, cargo que exerceu até 1988. Presidiu ainda a Comissão Interministerial para Reformulação do Sistema Nacional de Saneamento, entre 1985 e 1986, e integrou a Comissão Ambiental e Urbanística de Brasília, entre 1986 e 1988. Foi membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) entre 1988 e 1990 e, novamente, entre 1993 e 1994, e presidiu a Associação das Empresas Estaduais de Saneamento em 1988.
Em 1987, foi selecionado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para uma missão de intercâmbio de experiências em projetos de recursos hídricos na Europa Oriental, que incluiu Polônia, Hungria, Tchecoslováquia e República Democrática Alemã.
Entre 1983 e 1985, atuou como consultor do grupo de trabalho responsável pela estruturação administrativa do estado de Rondônia. Posteriormente, de 1988 a 1990, foi secretário-geral do Ministério da Cultura e, em 1989 e 1990, ministro interino da pasta.
Em outubro de 1989, participou como delegado do Brasil da 25ª Conferência Geral da UNESCO. Na ocasião, integrou as discussões relativas ao uso da língua portuguesa na organização, iniciativa associada à articulação que posteriormente resultaria no Instituto Internacional da Língua Portuguesa.
Durante o governo de Itamar Franco, foi secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia entre 1993 e 1994 e ministro interino da pasta nos mesmos anos. Nesse período, participou dos debates sobre a reestruturação dos setores de mineração e energia.Penido Vale, Willian Sebastião. Recursos Minerais, capital nacional e estrangeiro. In Oliveira, Eliezer Rizzo de (org.) A Revisão da República: Seminários “A UNICAMP e a Revisão Constitucional”. Campinas: Editora da Unicamp, 1994. p. 117-140.
Também presidiu a Comissão Interministerial para o Álcool em 1993 e 1994, integrou a Comissão Nacional de Desestatização e participou, como subchefe da delegação brasileira, da VII Reunião da Comissão Mista Econômico-Comercial Brasil–República Popular da China, em 1993.
Organizações internacionais e consultoria legislativa
Em 1994, foi designado pelo Conselho Econômico e Social das Nações Unidas como representante brasileiro na Comissão de Fontes Novas e Renováveis de Energia e de Energia para o Desenvolvimento.
No mesmo ano, após concurso público de provas e títulos, assumiu o cargo de consultor legislativo da Câmara dos Deputados, nas áreas de saneamento básico e ambiental, meio ambiente, desenvolvimento regional e urbano e minorias, função que exerceu até 1999.Uma elite a serviço do Congresso, passagem por três ministérios. Jornal de Brasília, Brasília, 3 jan. 1998, p. 23. Depois de deixar o cargo, passou a atuar como consultor e conferencista de organizações nacionais e internacionais.
Foi responsável pelo documento Políticas Públicas do Estado de Minas Gerais para a Região Metropolitana de Belo Horizonte, incluído na obra Minas Gerais no Século XXI: diagnóstico e perspectivas do desenvolvimento socioeconômico, coordenada pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais e pela Fundação João Pinheiro.
Atividade literária
Em 2021, Willian Vale e Gláucia Maria Vasconcellos Vale foram finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura, na categoria melhor romance de estreia, com A Mãe do Ouro. O romance combina acontecimentos históricos e elementos ficcionais para narrar a formação de uma família em Minas Gerais, do século XVIII aos dias atuais, tendo como pano de fundo o ciclo da mineração.
Obras
VALE, Gláucia Maria Vasconcellos; VALE, Willian. A Mãe do Ouro. São Paulo: Giostri, 2020.
Referências
Categoria:Naturais de João Monlevade Categoria:Engenheiros de Minas Gerais Categoria:Professores de Minas Gerais Categoria:Escritores de Minas Gerais Categoria:Alunos da Universidade Federal de Minas Gerais Categoria:Alunos da Universidade da Pensilvânia Categoria:Professores da Universidade Federal de Minas Gerais Categoria:Ministros da Cultura do Brasil Categoria:Ministros de Minas e Energia do Brasil