"Episode 7", também conhecido como "A Última Noite", é o oitavo e último episódio da primeira temporada da série de televisão americana de drama, mistério e terror surrealista Twin Peaks. O co-criador da série, Mark Frost, escreveu e dirigiu o episódio. Ele conta com os atores regulares da série Kyle MacLachlan, Piper Laurie e Eric Da Re, com participações especiais de Chris Mulkey e Walter Olkewicz.
O agente do FBI Dale Cooper (MacLachlan) paga o preço por sua investigação de um assassinato na pequena cidade montanhosa de Twin Peaks, enquanto a serraria local é incendiada num plano de incêndio criminoso.
Assim como grande parte da série, o "Episódio 7" apresenta cenários e figurinos incomuns, incluindo o uso característico de uma forte paleta de cores vermelhas. O diretor de arte Richard Hoover explicou que os estúdios foram construídos com tetos e corredores funcionais — uma prática incomum para produções televisivas — permitindo que os atores fossem filmados entrando em cena sem cortes. Exibido pela primeira vez em 23 de maio de 1990, o "Episódio 7" foi assistido por cerca de 22 % da audiência disponível e recebeu críticas positivas.
Trama Fundo
A pequena cidade de Twin Peaks, Washington, foi abalada pelo assassinato da estudante Laura Palmer (Sheryl Lee) e pela tentativa de assassinato de sua amiga Ronette Pulaski (Phoebe Augustine). O agente especial do FBI, Dale Cooper (Kyle MacLachlan), chegou à cidade para investigar; o violento caminhoneiro traficante de drogas Leo Johnson (Eric Da Re) é o principal suspeito. Enquanto isso, o empresário local Benjamin Horne (Richard Beymer) planeja, com sua amante, Catherine Martell (Piper Laurie), incendiar a serraria da cidade para comprar suas terras a preço de banana. No entanto, Horne também conspira com a dona da serraria, Josie Packard (Joan Chen), para incendiar a serraria e matar Martell para receber o seguro de vida.
Eventos James Hurley (James Marshall) e Donna Hayward (Lara Flynn Boyle) invadem o consultório do psiquiatra Laurence Jacoby (Russ Tamblyn), na esperança de descobrir mais sobre Laura, a quem ele vinha tratando. Eles encontram uma fita cassete que ela lhe enviou. Enquanto isso, Jacoby se distrai com um convite para conhecer a prima de Laura, Madeline Ferguson (Lee), que se disfarçou de menina morta; antes que possam se encontrar, porém, ele é atacado por um homem mascarado e fica inconsciente.
Cooper e Ed Hurley (Everett McGill) estão infiltrados no One Eyed Jacks, um bordel e cassino canadense. Cooper conversa com o traficante Jacques Renault (Walter Olkewicz), que ele acredita estar ligado à morte de Laura. Fingindo ser um financiador do tráfico, Cooper convence Renault a encontrá-lo nos EUA; Cooper descobre que Renault e Johnson estavam com Pulaski e Laura na noite em que ela morreu. Mais tarde naquela noite, quando Renault chega para se encontrar com Cooper, ele é preso pelo assassinato de Laura. Renault resiste à prisão e é baleado; ele é levado para um hospital onde acusa Johnson de tê-lo atacado na noite do assassinato, alegando estar inconsciente enquanto o crime acontecia. O pai de Laura, Leland (Ray Wise), fica sabendo da prisão; ele vai até o hospital e sufoca Renault até a morte.
A esposa de Johnson, Shelly (Mädchen Amick), está em casa quando ele retorna e a agride. Ele a leva até a serraria, a amarra e arma um dispositivo com temporizador que incendiará o prédio. Enquanto isso, Packard se encontra com Hank Jennings (Chris Mulkey), recém-libertado da prisão, para lhe entregar US$ 90.000; é revelado que Packard pagou a Jennings para cumprir dezoito meses de prisão. Isso garantiu que nenhum dos dois fosse implicado na morte do marido de Packard, de quem ela herdou a serraria. Mais tarde, Hank liga para Catherine para atraí-la até a serraria. Quando ela chega, o dispositivo explode, incendiando o prédio. Ao mesmo tempo, Leo tenta matar o amante de Shelley, Bobby Briggs (Dana Ashbrook), mas é baleado por Jennings.
Cooper retorna ao seu quarto de hotel e pede serviço de quarto. Antes que possa ler um bilhete deixado por Audrey, o Delegado Brennan liga para informá-lo de que Johnson foi baleado. No entanto, uma batida na porta o interrompe, fazendo-o parar de atender o telefone. Ao abrir a porta, uma figura desconhecida atira nele três vezes.
Produção 250px|miniaturadaimagem|direita|Twin Peaks utilizou uma paleta de cores predominantemente vermelha em seus cenários e figurinos; enquanto os tons avermelhados das filmagens foram realçados na pós-produção. "Episode 7" foi escrito e dirigido por Mark Frost, criador de Twin Peaks juntamente com David Lynch. Frost já havia escrito "Pilot", "Episode 1" e "Episode 2" com Lynch; "Episode 5" foi seu primeiro crédito como roteirista solo. Frost escreveria mais seis episódios durante a segunda temporada. Esta foi a primeira e única vez que Frost dirigiu um episódio da série.
O diretor de arte Richard Hoover observa que viu "Pilot" no Festival de Cinema de Telluride antes de se envolver com a série; durante essa exibição, ele notou o nome de Mark Frost nos créditos e lembrou-se de ter trabalhado com seu pai, Warren Frost. Depois de saber que o diretor de arte de "Pilot" não estava mais disponível para trabalhar, Hoover contatou o jovem Frost e perguntou sobre a possibilidade de trabalhar na série; Hoover foi contratado quase imediatamente. Hoover destacou a natureza incomum dos cenários da série; a maioria dos cenários apresenta tetos e corredores que levam a eles — isso permite que os personagens sejam filmados entrando em um estúdio sem o uso de cortes.
Hoover considerou que o uso de uma paleta consistente de vermelhos e tons terrosos na série permitiu a introdução de fortes elementos pretos no design de cenários e figurinos; ele citou elementos do escritório de Blackie O'Reilly em One Eyed Jacks como exemplo: suas vibrantes cortinas vermelhas e tons de madeira avermelhados contrastavam com seu traje preto austero e cabelo escuro. Os tons das filmagens da série foram "suavizados" na pós-produção, aumentando a saturação dos tons vermelhos; isso também fez com que os elementos pretos parecessem mais profundos e marcantes. Esse efeito foi contrabalançado pelas roupas de vários personagens da polícia, que tinham tons mais frios e contrastavam com a paleta quente.
A usina elétrica usada para as cenas externas da prisão de Jacques Renault ficava em Burbank, Califórnia. O local foi escolhido por causa de seus prédios grandes e de formato incomum; estes foram iluminados por trás para realçar suas silhuetas. A casa Hayward foi projetada para parecer incomumente "normal"; apresentava uma quantidade maior de amarelos e cinzas para compensar os tons vermelhos e utilizava vários cômodos da casa para aumentar sua aparência de verossimilhança. O local usado para as cenas da serraria Packard ficava em Valencia, Santa Clarita; este foi escolhido por estar longe da linha de árvores e, portanto, não haver risco de incêndio florestal após as cenas de incêndio criminoso. Além disso, toda a madeira usada foi tratada para queimar de forma controlada e havia bombeiros de prontidão em caso de emergência.
Lançamento
"Episode 7" foi transmitido pela primeira vez na American Broadcasting Company em 23 de maio de 1990. Em sua exibição inicial, foi assistido por 12,6% dos domicílios dos EUA, representando 22% da audiência disponível; foi a transmissão mais assistida em seu horário. Esses índices de audiência representaram um aumento em relação ao episódio anterior, que havia atraído 10,6% da população e 17% da audiência disponível.
Escrevendo para o The AV Club, Keith Phipps classificou o episódio com um "A", considerando que os múltiplos ganchos narrativos funcionaram bem e não pareceram exagerados ou autoparódicos. Phipps sentiu que a primeira temporada foi "uma sequência quase perfeita de televisão", descrevendo-a ainda como "um período de grandeza que, por um motivo ou outro, não pôde ser sustentado. Mas foi fantástico enquanto durou". Andrea LeVasseur, do AllRovi, deu ao episódio quatro estrelas de cinco, acrescentando que "com vários personagens encontrando seu destino neste episódio, incluindo os dois principais suspeitos (Jacques e Leo), o mistério do assassinato de Laura Palmer é ainda mais intrigante". Escrevendo para a Entertainment Weekly, Ken Tucker classificou o episódio com um A+, considerando que a falta de resolução da trama ofereceu "um tipo bom de irritação", mostrando o nível de interesse e comprometimento que a série inspirou em seus espectadores.
Bibliografia
Categoria:Episódios de Twin Peaks Categoria:Episódios de 1990