Sade ibne Zaíde (; Meca, – 1705 ou 1708) foi um xarife e emir de Meca em diferentes períodos entre 1666–1667 e 1702. Membro dos catádidas e do ramo dos zaídidas (Du Zaíde), era filho de Zaíde ibne Mucine, irmão de Amade ibne Zaíde e pai de Saíde ibne Sade, todos também emires de Meca. Sade sucedeu ao pai em 1077 A.H. (1666–1667) e posteriormente associou Amade ao governo, mas os irmãos deixaram o Hejaz em 1082 A.H. (1671–1672) em meio a conflitos com outros xarifes e autoridades ligadas à peregrinação. Voltou a ocupar o emirado em 1103 A.H. (1691–1692), perdeu-o brevemente para Abedalá ibne Haxime e recuperou o poder em 1106 A.H. (1694–1695). Em 1113 A.H. (1701–1702), renunciou em favor do filho Saíde, mas continuou envolvido nas disputas pelo controle de Meca. As fontes divergem sobre sua morte: al-Ziriklī a situa em 1116 A.H. (1704–1705), enquanto outra tradição cronística registra que morreu em consequência de ferimentos recebidos em combate em 5 de Dulcada de 1119 A.H. (1708).
Vida
Sade ibne Zaíde nasceu em Meca em 1052 A.H. (1642). Era um xarife e pertencia aos zaídidas (Du Zaíde), ramo dos catádidas da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas. Era filho de Zaíde ibne Mucine e irmão de Amade ibne Zaíde. Quando Zaíde morreu em 3 de Moarrão de 1077 A.H. (6 de julho de 1666), abriu-se uma disputa pela sucessão. A maioria dos xarifes apoiou Hamude ibne Abedalá, primo de Zaíde e filho do antigo emir Abedalá ibne Alhaçane, enquanto um grupo menor apoiou Sade. Os partidários de Hamude fundamentavam sua pretensão, entre outros argumentos, no fato de ter sido Abedalá quem chamara Zaíde do Iêmem em 1041 A.H. (1631) para associá-lo ao governo de Meca. Os dois partidos recorreram a , sanjaco-bei de Gidá e xeique do Harame, que representava a autoridade otomana na região. Imade decidiu em favor de Sade e enviou-lhe a veste de investidura, permitindo-lhe assumir o Emirado de Meca. A decisão não encerrou a oposição de Hamude. Em 1078 A.H. (1667/1668), este estabeleceu-se em Iambo, que se tornou a principal base dos xarifes adversários de Sade. Uma força enviada pelo governador do Egito sob o comando de , novo sanjaco-bei de Gidá e xeique do Harame, entrou em confronto com os partidários de Hamude nas proximidades da cidade e sofreu pesadas perdas; Iúçufe e seus filhos foram capturados. Sade posteriormente enviou uma expedição comandada por Bilal Agá, diante da qual Hamude deixou Iambo.
Apesar dessas disputas, Hamude acabou reconhecendo Sade, e ambos posteriormente se uniram diante de conflitos com representantes otomanos no Hejaz. Em 1080 A.H. (1669–1670), Sade associou seu irmão Amade ao governo. Nos anos seguintes, os dois envolveram-se em conflitos com outros xarifes e com os emires das caravanas de peregrinação. Ao receberem a notícia de que se pretendia prendê-los em Mina, deixaram o Hejaz em 1082 A.H. (1671–1672) e dirigiram-se aos territórios do Império Otomano, onde receberam funções administrativas. Amade regressou posteriormente ao Hejaz e tornou-se novamente emir de Meca em 1095 A.H. (1684), permanecendo no cargo até morrer em 1099 A.H. (1688). Sade continuou fora da cidade durante as disputas que se seguiram entre seu filho Saíde ibne Sade, Amade ibne Galibe e Mucine II ibne Huceine. Em 1103 A.H. (1691–1692), enquanto Saíde ocupava Meca pela segunda vez, chegou a notícia de que a corte otomana havia concedido o emirado a Sade. Saíde aceitou a determinação e passou a exercer o governo em nome do pai até sua chegada ao Hejaz, quando Sade assumiu pessoalmente o cargo.
Sade foi deposto em 1105 A.H. (1693–1694), quando o emirado foi concedido a Abedalá ibne Haxime. Reuniu então forças para recuperar Meca e, em 1106 A.H. (1694–1695), derrotou seu rival e reassumiu o governo. Permaneceu emir durante os anos seguintes, enfrentando disputas recorrentes entre os diferentes grupos xarifais e dificuldades na manutenção da segurança das estradas do Hejaz. Em 1113 A.H. (1701–1702), renunciou ao emirado em favor de seu filho Saíde. A transferência foi comunicada à corte otomana e posteriormente confirmada por ordem sultânica, constituindo a terceira investidura de Saíde no governo de Meca. Sade continuou, contudo, a participar ativamente das disputas políticas do emirado. Quando a oposição contra Saíde se intensificou, interveio nos conflitos entre os diferentes grupos de xarifes e voltou a disputar diretamente o controle de Meca. As fontes divergem sobre os últimos anos de sua vida. Al-Ziriklī situa sua morte em 1116 A.H. (1704–1705) e relata que, durante um combate em , nas terras de Meca, Sade recebeu três golpes de lança e morreu em consequência dos ferimentos em Alabidia. Outra tradição cronística prolonga sua atividade até 1119 A.H. (1707–1708): segundo esse relato, Sade reuniu forças, tomou Meca por dezoito dias e, em 17 de Xaual, enfrentou Abede Alcarime ibne Maomé; seu cavalo foi atingido por um disparo, e Sade foi ferido durante o combate. Levado para , permaneceu ali até morrer em 5 de Dulcada de 1119 A.H.
Bibliografia
Categoria:Naturais de Meca Categoria:Árabes do Império Otomano Categoria:Árabes do século XVII Categoria:Árabes do século XVIII Categoria:Zaídidas Categoria:Xarifes de Meca