Abedalá III ibne Saíde (; m. ) foi um xarife e emir de Meca em duas ocasiões, de 1129 a 1130 A.H. (1717–1718) e de 1136 a 1143 A.H. (1724–1731). Membro dos catádidas e do ramo dos zaídidas (Du Zaíde), era filho do emir Saíde ibne Sade e neto de Sade ibne Zaíde. Abedalá sucedeu ao pai em 1129 A.H. (1717), mas desavenças com outros xarifes levaram à formação de uma oposição ao seu governo. Em 1130 A.H. (1718), foi substituído por seu irmão Ali ibne Saíde e retirou-se posteriormente para o Iêmem. Em 1136 A.H. (1724), obteve da corte do Império Otomano uma nova investidura e retornou ao governo de Meca, que conservou apesar de novos conflitos com membros da família xarifal. Seu segundo governo prolongou-se por aproximadamente sete anos. Abedalá morreu em 25 de Dulcada de 1143 A.H. (1731) e foi sucedido por seu filho Maomé ibne Abedalá.
Vida
Abedalá ibne Saíde era um xarife e pertencia aos zaídidas (Du Zaíde), ramo dos catádidas da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas. Era filho de Saíde ibne Sade e neto de Sade ibne Zaíde. Seu nome completo era Abedalá ibne Saíde ibne Sade ibne Zaíde ibne Mucine. Em 21 de Moarrão de 1129 A.H. (1717), seu pai morreu depois de governar Meca pela quinta vez, e Abedalá sucedeu-o no Emirado de Meca. No início de seu governo, manteve boas relações com os demais xarifes, mas posteriormente surgiram desavenças que levaram vários deles a deixar a cidade e organizar oposição contra o emir. Em 1130 A.H. (1718), os opositores procuraram Abede Almucine ibne Amade e propuseram que assumisse novamente o emirado. Abede Almucine recusou a proposta e também rejeitou a possibilidade de entregar o governo a seu irmão Mubaraque ibne Amade. Quando os xarifes lhe permitiram indicar outro candidato, escolheu Ali ibne Saíde, irmão de Abedalá. Ali foi então reconhecido como emir, enquanto Abedalá deixou Meca, encerrando seu primeiro governo, e posteriormente dirigiu-se ao Iêmem, onde permaneceu durante vários anos.
Em 1136 A.H. (1724), Abedalá obteve da corte do Império Otomano uma ordem que lhe concedia novamente o Emirado de Meca. A notícia de sua nomeação chegou à cidade em 19 de Jumada Alaual, e ele assumiu o governo em 15 de Jumada Atani, substituindo Mubaraque ibne Amade. Durante os primeiros meses de sua segunda investidura, entrou em conflito com outros xarifes por causa das parcelas das receitas de Meca que lhes eram destinadas. Em 25 de Dulcada, a disputa provocou confrontos armados, e alguns dos opositores fortificaram-se numa residência pertencente aos Du Baracate. Tropas otomanas intervieram em favor de Abedalá, e os adversários acabaram deixando suas posições. Posteriormente, o emir do haje sírio mediou uma reconciliação, na qual os pagamentos destinados aos xarifes foram reduzidos em razão da insuficiência das receitas disponíveis.
Abedalá permaneceu no emirado durante os anos seguintes, embora continuasse a enfrentar a oposição de outros membros da família xarifal. Em 1138 A.H. (1725–1726), um grupo de xarifes deixou Meca e dirigiu-se para Négede, mas a movimentação não resultou em sua deposição. Seu segundo governo prolongou-se até 1143 A.H. (1731). Abedalá morreu em 25 de Dulcada daquele ano, depois de governar Meca pela segunda vez durante aproximadamente sete anos. Foi sucedido por seu filho Maomé ibne Abedalá, que se encontrava fora da cidade quando recebeu a notícia da morte do pai.
Bibliografia
Categoria:Naturais de Meca Categoria:Árabes do Império Otomano Categoria:Árabes do século XVII Categoria:Árabes do século XVIII Categoria:Zaídidas Categoria:Xarifes de Meca