Francisco Rocha Pires (Jacobina, 26 de junho de 1894 — Jacobina, 9 de abril de 1974) foi um pecuarista e político brasileiro, com atuação política no estado da Bahia. Exerceu o cargo de intendente municipal de Jacobina e foi deputado estadual por sete mandatos, sendo seis consecutivos após a redemocratização do país.
Biografia Família e primeiros anos Francisco Rocha Pires era filho de Francisco Soares da Rocha e Mathildes Pires da Rocha. Nasceu em Jacobina, em 26 de junho de 1894. Era irmão de José Rocha Pires, Manoel Rocha Pires e Florentina Rocha Pires.
Desde jovem, dedicou-se às atividades agropecuárias, especialmente à pecuária, atividade que manteve ao longo de sua trajetória. Posteriormente, ingressou na vida pública e partidária.
A Assembleia Legislativa da Bahia registra Rocha Pires como pecuarista e destaca sua atuação na criação de ovinos, caprinos e bovinos, incluindo raças como Gir, Indubrasil e Nelore. Também é apontado como fundador da Associação Rural de Jacobina.
Ao longo de sua carreira política, tornou-se uma das principais lideranças políticas de Jacobina. Exerceu a intendência municipal e, posteriormente, ocupou uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia por sucessivos mandatos. Estudos sobre a política de Jacobina também registram sua influência na formação de grupos políticos e na escolha de candidaturas municipais.
Intendência de Jacobina Em 1920, Francisco Rocha Pires foi eleito intendente municipal de Jacobina, aos 26 anos de idade. Sua ascensão ocorreu após o afastamento do então intendente Coronel Ernestino Alves Pires, que havia se retirado da política para dedicar-se à pecuária.
A saída de Ernestino Alves Pires e seu apoio ao Coronel Galdino César de Moraes provocaram divergências no diretório político local. A decisão teria sido publicada no jornal A Tarde, de Salvador, sem consulta ao diretório, que reagiu e escolheu Francisco Rocha Pires, sobrinho de Ernestino, para assumir a chefia do grupo político.
Francisco Rocha Pires foi indicado e eleito intendente municipal. Em 1922, foi reconduzido ao cargo, em contexto relacionado à legislação municipal vigente. A Assembleia Legislativa da Bahia registra sua passagem pela intendência de Jacobina entre 1920 e 1923.
Durante sua administração, foram realizados trabalhos de calçamento de ruas e a construção daquela que é apontada em registros locais como a primeira obra de cimento armado de Jacobina, localizada na então Rua Senador Pedro Lago, nas proximidades da Igreja Matriz.
A atuação política de Rocha Pires na década de 1920 também é registrada por estudos acadêmicos sobre a formação das forças políticas de Jacobina.
Oposição municipal e Revolução de 1930 A partir de 1925, o grupo político liderado por Francisco Rocha Pires passou à oposição municipal. O governo local estava relacionado ao grupo do Coronel Galdino César de Moraes, ligado politicamente a Góes Calmon.
A Revolução de 1930 depôs o presidente Washington Luís e levou Getúlio Vargas ao poder. Na Bahia, autoridades municipais e estaduais foram substituídas em meio à reorganização administrativa promovida pelo novo governo.
Em Jacobina, o intendente José Rocha Pires, irmão de Francisco e genro de Galdino César de Moraes, foi afastado. Nesse contexto, Juracy Magalhães foi nomeado interventor federal na Bahia e buscou estabelecer alianças com lideranças políticas do interior.
A aproximação entre Juracy Magalhães e Francisco Rocha Pires esteve relacionada à sua eleição para a Assembleia Constituinte da Bahia em 1934.
Em 1936, Juracy Magalhães esteve em Jacobina para a inauguração da Escola Luís Anselmo da Fonseca, instalada no prédio que posteriormente passou a abrigar o Arquivo Público Municipal.
Atuação política municipal Mesmo após deixar a intendência, Francisco Rocha Pires permaneceu como uma liderança política de destaque em Jacobina durante as décadas seguintes. Estudos sobre a política local relacionam sua atuação à formação de grupos políticos e ao apoio a candidaturas municipais.
Entre os prefeitos associados ao seu grupo político estavam:
Gustavo de Souza (1945–1947); Vicente Grassi (1948–1951); João Batista Freitas Matos (1951–1955); Orlando Oliveira Pires (1955–1959); Florisvaldo Barberino (1959–1963); Ângelo Brandão (1963–1967); José Prado Alves (1967–1971).
Para a sucessão de José Prado Alves, o grupo lançou Carlos Gomes. A eleição, entretanto, foi vencida pelo candidato oposicionista Fernando Mário Pires Daltro.
A derrota de Carlos Gomes representou uma interrupção na predominância eleitoral do grupo associado a Rocha Pires, após um longo período de influência nas administrações municipais de Jacobina.
Deputado estadual Assembleia Constituinte de 1934 Em 1934, Francisco Rocha Pires foi eleito deputado estadual constituinte pela Bahia, pelo Partido Social Democrático (PSD). Seu mandato foi interrompido em 1937, com a implantação do Estado Novo e a extinção dos órgãos legislativos.
Redemocratização e Assembleia Constituinte de 1947 Com o fim do Estado Novo e a redemocratização do país, Francisco Rocha Pires filiou-se à União Democrática Nacional (UDN). Em 1947, foi eleito deputado estadual constituinte e participou dos trabalhos de elaboração da Constituição do Estado da Bahia.
Na Assembleia Constituinte de 1947, ocupou a vice-presidência da Comissão de Agricultura e integrou a Comissão de Viação e Obras Públicas.
Sua atuação parlamentar esteve relacionada a temas como agricultura, transporte, obras públicas e atividades econômicas do interior da Bahia.
Mandatos posteriores Em 1950, foi reeleito deputado estadual pela UDN. Posteriormente, filiou-se ao Partido Republicano (PR), sendo um dos integrantes da organização do partido na Bahia. Na Assembleia Legislativa, integrou o grupo político ligado ao deputado federal Manoel Novais.
Foi reeleito nos pleitos de 1954, 1958 e 1962, permanecendo na Assembleia Legislativa da Bahia por sucessivas legislaturas.
Estudos acadêmicos sobre a política de Jacobina durante as décadas de 1950 e 1960 registram a influência de Francisco Rocha Pires na política regional e sua articulação com Manoel Novais, deputado federal com atuação política no centro-norte da Bahia.
Sua permanência prolongada no Legislativo estadual fez com que fosse associado à representação política de Jacobina e de municípios do centro-norte baiano.
Ponte Francisco Rocha Pires A atuação política de Francisco Rocha Pires também esteve associada à construção de obras de infraestrutura na região de Jacobina.
Documentos do Congresso Nacional registram recursos destinados à construção da Ponte Francisco Rocha Pires sobre o rio Itapicuru.
Os Anais do Senado Federal de 1958 também registram recursos destinados à conclusão da ponte sobre o rio Itapicuru.
Estudo sobre a cultura fotográfica de Jacobina registra a ponte em 1960 e relaciona sua construção ao contexto político da administração municipal e à atuação do deputado federal Manoel Novais.
Eleição para vice-governador em 1962 Em 1962, Francisco Rocha Pires foi candidato a vice-governador da Bahia em uma chapa encabeçada por Antônio Lomanto Júnior. Naquele pleito, governador e vice-governador eram escolhidos separadamente.
Rocha Pires recebeu 301.127 votos, enquanto Orlando Moscoso recebeu 307.747 votos para o cargo de vice-governador.
A eleição para vice-governador foi vencida por Orlando Moscoso.
Ditadura militar e ARENA Após o golpe de 1964, o Ato Institucional nº 2 (AI-2), de 27 de outubro de 1965, extinguiu os partidos políticos existentes e estabeleceu as bases para o sistema bipartidário que vigoraria durante parte do regime militar.
Nesse contexto, Francisco Rocha Pires passou a integrar a Aliança Renovadora Nacional (ARENA).
Pela ARENA, foi eleito deputado estadual para a legislatura de 1967–1971 e novamente para a legislatura de 1971–1975.
Seu último mandato foi interrompido por sua morte, em 9 de abril de 1974. A Assembleia Legislativa da Bahia registra que Walter Lomanto o substituiu a partir de 15 de abril de 1974.
Francisco Rocha Pires e Manoel Novais Francisco Rocha Pires e o deputado federal Manoel Novais estabeleceram uma aliança política que articulava a representação política estadual e federal.
Estudos sobre Jacobina nas décadas de 1950 e 1960 registram a atuação conjunta dos dois políticos e a relação entre suas atividades parlamentares e a política regional.
A atuação de ambos esteve relacionada à defesa de demandas de infraestrutura e desenvolvimento do interior da Bahia, em um contexto de articulação entre lideranças municipais, estaduais e federais.
Falecimento Francisco Rocha Pires morreu em Jacobina, em 9 de abril de 1974, aos 79 anos de idade.
Homenagens póstumas Após sua morte, o nome de Francisco Rocha Pires passou a ser utilizado em vias públicas, equipamentos e instituições de municípios da região.
Jacobina Em Jacobina, há uma via denominada Rua Francisco Rocha Pires e uma Avenida Deputado Francisco Rocha Pires, esta última localizada no distrito do Junco.
A Ponte Francisco Rocha Pires, sobre o rio Itapicuru, também recebeu seu nome em homenagem ao político.
No povoado de Missão, no município de Jacobina, existe um monumento com busto de Francisco Rocha Pires. A inscrição existente no monumento registra a data de 2 de fevereiro de 1986. Estudos sobre a história política e social de Jacobina também registram a existência do monumento.
Serrolândia Em Serrolândia, uma via pública recebeu o nome de Rua Francisco Rocha Pires. O endereço corresponde ao local onde está situado o Hospital Municipal Jonas Ferreira da Silva.
O Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde registra o Hospital Jonas Ferreira da Silva no endereço Rua Francisco Rocha Pires, nº 12, Centro, Serrolândia.
A Prefeitura de Serrolândia também registra a participação de Francisco Rocha Pires no processo de emancipação política do município. Segundo o registro municipal, em 1962 ele apresentou um anteprojeto de emancipação ao governo estadual; posteriormente, foi realizado plebiscito e aprovada a emancipação pela Lei Estadual nº 1.746, de 23 de julho de 1962.
Mirangaba No município de Mirangaba, a Escola Municipal Francisco Rocha Pires está localizada no povoado de Umbiguda.
Documentos oficiais do município também registram a instituição de ensino como Escola Municipal Francisco Rocha Pires, vinculada à localidade de Umbiguda.
Mandatos eletivos PeríodoCargoPartido1920–1923Intendente municipal de Jacobina—1934–1937Deputado estadual constituinte da BahiaPSD1947–1951Deputado estadual constituinte da BahiaUDN1951–1955Deputado estadualUDN1955–1959Deputado estadualPR1959–1963Deputado estadualPR1963–1967Deputado estadualPR1967–1971Deputado estadualARENA1971–1975Deputado estadualARENA Os dados de mandatos e filiações partidárias são registrados pela Assembleia Legislativa da Bahia.
Ver também Jacobina Assembleia Legislativa da Bahia História de Jacobina Política da Bahia
Referências
Ligações externas
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