Mucine ibne Huceine (; Meca, – , Iêmem, ) foi um xarife e emir de Meca de 1603 a 1628, inicialmente em corregência com seus tios Abu Aune Idris e Fuaide e, desde 1624, como governante único. Pertencia aos catádidas, da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas. Era filho de Huceine e neto do emir Alhaçane ibne Abi Numai. Após a morte de Abu Talibe ibne Alhaçane em 1603, Mucine foi associado ao emirado juntamente com Idris e Fuaide. Aliou-se posteriormente a Idris para afastar Fuaide do governo em 1610, permanecendo como corregente do tio até 1624. Nesse ano, após a deterioração das relações entre ambos, obteve o apoio dos xarifes e notáveis de Meca para depor Idris e tornou-se o único emir.

Sua posição foi posteriormente confirmada pelo sultão otomano . Em 1628, seu governo foi contestado por Amade ibne Abede Almotalibe, seu primo, que contou com o apoio de tropas otomanas e tomou Meca. Mucine abandonou o Hejaz e refugiou-se no Iêmem, onde foi acolhido pelo imame zaidita . Morreu no ano seguinte em Gurbane, e seu corpo foi levado para Saná, onde foi sepultado. Seu filho Zaíde retornaria posteriormente a Meca e se tornaria o ancestral epônimo dos zaídidas (Du Zaíde), um dos principais ramos tardios dos catádidas.

Vida

Mucine nasceu em Meca em 984 A.H. (1576/7), filho de Huceine e neto do emir Alhaçane ibne Abi Numai. Pertencia aos catádidas, da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas. Foi criado sob a proteção do pai e do avô, que reconheceu desde cedo suas capacidades e o empregou em campanhas militares. As fontes posteriores atribuem-lhe coragem, habilidade militar e qualidades de liderança, afirmando que retornava vitorioso das expedições que lhe eram confiadas. Durante o governo de Abu Talibe ibne Alhaçane, seu tio tratou-o como filho e favoreceu sua posição na casa xarifal. Após a morte de Abu Talibe em Jumada II de 1012 A.H. (1603), os xarifes e notáveis escolheram Abu Aune Idris como emir principal e associaram ao governo Mucine e Fuaide. Mucine recebeu uma das vestes de honra, passou a ser mencionado na cutba e recebeu um estandarte como símbolo de sua participação no emirado.

A escolha dos três governantes foi confirmada pelo sultão . Pelo acordo estabelecido, Mucine e Fuaide compartilhavam um quarto das receitas do emirado destinadas aos governantes. A proclamação imperial que ratificava a corregência foi lida publicamente na Grande Mesquita de Meca em 11 de Safar de 1013 A.H. (7 de julho de 1604). As relações entre os corregentes não permaneceram estáveis. Mucine entrou durante algum tempo em conflito com Idris e encontrava-se no Iêmem quando a rivalidade entre os dois irmãos Idris e Fuaide se agravou. Idris reconciliou-se então com o sobrinho e convidou-o a retornar, restituindo-lhe participação nas receitas do governo. No final de Rabi II de 1019 A.H. (julho de 1610), ambos afastaram Fuaide do emirado e passaram a governar conjuntamente. A associação entre Mucine e Idris prolongou-se por cerca de catorze anos após a saída de Fuaide. Mucine consolidou nesse período sua própria base de apoio entre os xarifes e os habitantes da cidade. As relações com o tio, contudo, deterioraram-se progressivamente, em particular por causa dos abusos atribuídos aos servidores de Idris. Segundo as crônicas, Mucine procurou intervir em favor da população, mas suas reclamações não produziram resultado.

Em 1033 A.H. (1624), a oposição a Idris culminou numa reunião de xarifes, estudiosos, juristas e notáveis, que decidiram afastá-lo da autoridade e entregar o emirado a Mucine. Em 4 de Moarrão de 1034 A.H. (16 de outubro de 1624), a decisão provocou confrontos entre os partidários dos dois governantes em Meca. Mucine foi proclamado único emir e, na sexta-feira seguinte, a cutba foi pronunciada exclusivamente em seu nome. Idris deixou posteriormente a cidade e morreu alguns meses depois na região de Jabal Xamar. Após a deposição de Idris, Mucine passou a exercer sozinho o emirado. A corte do Império Otomano acabou reconhecendo a mudança de governo. Em Ramadã de 1034 A.H. (junho de 1625), chegaram as vestes de honra e a confirmação oficial do sultão , ratificando-o como emir de Meca. As fontes posteriores apresentam favoravelmente os primeiros anos de seu governo independente, atribuindo-lhe esforços para restabelecer a justiça, conter abusos e pacificar a população e os diferentes grupos submetidos à autoridade xarifal. Também ressaltam sua reputação de coragem e registram que estudiosos e poetas de sua época compuseram elogios em sua homenagem.

A estabilidade terminou em 1037 A.H. (1628), quando Amade ibne Abede Almotalibe, primo de Mucine, avançou contra Meca com apoio de tropas otomanas. Amade era filho de Abede Almotalibe ibne Alhaçane, irmão de Huceine, pai de Mucine. Em 17 de Ramadã de 1037 A.H. (maio de 1628), Amade entrou vitorioso na cidade. Após os confrontos entre os dois grupos, Mucine perdeu o controle do emirado e abandonou Meca. Após deixar Meca, Mucine dirigiu-se inicialmente a e Alcunfuda, antes de seguir para o Iêmem. Ali foi acolhido pelo imame zaidita . Mucine morreu em 5 de Ramadã de 1038 A.H. (1629), numa localidade chamada , no Iêmem. Algumas fontes afirmam que teria sido envenenado. Seu corpo foi levado para Saná e ali sepultado, sendo posteriormente construída uma cúpula sobre seu túmulo. A duração de seu governo independente é dada pelas fontes como aproximadamente três anos e oito meses. Entre seus filhos estava Zaíde ibne Mucine, que permaneceu durante algum tempo no Iêmem após a queda do pai e posteriormente retornou ao Hejaz. Zaíde tornou-se emir de Meca e ancestral epônimo dos zaídidas (Du Zaíde), ramo dos catádidas que ocuparia repetidamente o emirado nas gerações seguintes.

Bibliografia

Categoria:Catádidas Categoria:Árabes do século XVI Categoria:Árabes do século XVII Categoria:Árabes do Império Otomano Categoria:Xarifes de Meca